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Perseguindo Gelo

Chasing Ice (2012), um filme dirigido e produzido por Jeff Orlowski. O documentário é lindo, triste, um alerta fotograficamente impactante e a olhos bem abertos sobre o quanto as mudanças climáticas são uma realidade da nossa atualidade. Não é um problema que filhos e netos terão que resolver: eles terão que limpar a bagunça que a gente fez e faz no planeta, hoje. (E que pelo andar da carruagem, continuaremos fazendo por muitos anos…). 

O filme é resultado de um projeto do fotógrafo James Balog, o Extreme Ice Survey, bancado pela National Geographic Society. Balog distribuiu por diversas geleiras do mundo câmeras de alta definição na tentativa de registrar visualmente o efeito das mudanças climáticas no tamanho das geleiras. A ideia de time-lapse photography já é sensacional por si só, mas utilizá-la de maneira tão poderosa para fazer um ponto científico visual – já que milhões de dados, gráficos e afins parecem impalatáveis para a maioria – é maravilhosamente perfeita. 

Chasing Ice percorre todos os problemas logísticos, técnicos e de saúde, angústias, viagens reais e na maionese para o projeto acontecer, enfatizando a incansável, inacreditável e incrível determinação de Balog em “fazer a sua parte” de uma maneira eficiente para o planeta. É o projeto e a visão de um homem para melhorar o mundo, o que ele e sua arte fotográfica podem fazer para contribuir nessa melhora – e eu adoro ver esse idealismo posto em prática, porque nos dá força para acreditar que é possível, sim. A fotografia no gelo é fenomenal, e em termos artísticos, também ainda não entendi porque o filme não concorreu ao Oscar [2013] de fotografia, já que ainda não foi feito filme com fotografia mais contundente. 

Algumas das tomadas mostram a dificuldade para se conseguir aquela que hoje é talvez a imagem mais emblemática do que vem ocorrendo com as geleiras nos polos nos níveis atuais de CO2. Outras mesmerizam só pelo alerta que trazem: o time-lapse da diminuição das geleiras é a maneira visual mais impactante que já vi de mostrar ao público o que realmente estamos fazendo com o planeta. Me fez chorar de soluçar quando apareceu na tela por completo. 

(O projeto aliás me tocou pela proximidade de temas: fotografia, aventura no gelo, ativismo pé-no-chão na prática, arte, mudanças climáticas, ciência, política ambiental, viagens. Essa confluência de coisas que amo incondicionalmente numa só embalagem. Não precisa de muito Freud pra explicar isso.) 

Eu poderia continuar aqui num blablablá infinito e emocionado sobre o quão lindo, urgente e necessário Chasing Ice é para nossa vida contemporânea. Para nos (tentar) fazer sair dessa inércia generalizada e perigosa em relação às mudanças climáticas. O filme deveria passar nas escolas, nas praças públicas, e principalmente nas sedes de governo do mundo inteiro, para que os políticos acordem. É nosso futuro que está em jogo, caramba. 

Mas prefiro apenas dizer: assistam. Emocionem-se. E espalhem essa obra-prima para que outros assistam. Depois me contem se não é entretenimento e aprendizado que valem a pena.


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