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Colocando a Sustentabilidade no Coração do Sistema Financeiro

O potencial completo do sistema financeiro terá de ser aproveitado para que sejam alcançados os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o acordo sobre as mudanças climáticas em Paris [em dezembro de 2015]. A dimensão dos financiamentos exigidos para uma transição ordenada para uma economia próspera, resiliente e de baixo carbono é medida em trilhões e não bilhões. Isso significa mais capital para os ativos que protegem e intensificam o capital natural e menos para ativos que esgotam os sistemas que apoiam a vida, como a biodiversidade, solos, água e o clima global. Não é apenas a quantidade das finanças que precisa ser mudada – mas também a qualidade, de modo que os serviços financeiros passem a ser ligados a caminhos em que a sustentabilidade reformule a tradicional relação risco-recompensa. 

Ao redor do mundo, a conscientização e o comprometimento de instituições financeiras nos bancos de investimento e seguradoras vem crescendo. Mas o que é notável é como os decisores políticos, bancos centrais e reguladores estão tomando passos para incorporarem fatores da sustentabilidade nas regras que governam o sistema financeiro como um todo. Apenas em setembro, por exemplo, o Conselho de Estabilidade Financeira promoveu o seu primeiro encontro com representantes da comunidade financeira para explorar as implicações das mudanças climáticas para os mais de 300 trilhões de dólares em ativos no sistema financeiro. 

Esse movimento é parte de uma tendência muito mais ampla na política financeira, que é capturada em um novo relatório da pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para o desenho de um Sistema Financeiro Sustentável. Estabelecido no início de 2014, o inquérito tem buscado compreender por que e como os formuladores de regras estão incorporando fatores sociais e ambientais em suas principais tarefas de formar mercados financeiros eficientes, efetivos e resilientes. O que a pesquisa descobriu foi uma espécie de "revolução silenciosa", com ações ocorrendo em bancos, seguradoras, pensões e mercados de seguridade. 

Muito da liderança tem vindo de economias emergentes e em desenvolvimento. No Brasil, por exemplo, o Banco Central introduziu novas exigências para que todos os bancos incorporem fatores socioambientais na essência dos seus sistemas. A autoridade de serviços financeiros da Indonésia, OJK, publicou uma diretriz de 10 anos para finanças sustentáveis. O Banco Popular da China publicou uma estratégia compreensiva para tornar o sistema financeiro verde, com prioridades que incluem o florescente mercado de vínculos verdes, estreitando divulgações ambientais e clareando a confiabilidade dos credores. Ações estão ocorrendo também em mercados desenvolvidos. 

Na França, novas medidas têm sido introduzidas para trazerem maior transparência à performance climática dos fundos de investimento, enquanto nos EUA, reguladores de seguradoras em nível estadual, como a Califórnia, estão incorporando fatores climáticos em seus programas de supervisão. No Reino Unido, a Autoridade Regulatória recentemente publicou a sua própria avaliação sobre os riscos que as mudanças climáticas apresentam para o setor de seguros. Mas essa mudança não envolve apenas autoridades regulatórias formais. Outros formuladores de regras, como bolsas de valores, agências de classificação de crédito e entidades contábeis estão levando cada vez mais em conta a sustentabilidade. 

Muitas dessas medidas são relativamente novas e o que o Inquérito tem feito é estruturar essa experiência emergente em uma quadro de ação que oferece uma cesta de opções para que os decisores políticos implantem no sistema financeiro. Esforçoes a nível nacional serão cruciais para melhor gerenciar os riscos do sistema financeiro, assim como para direcionar a inovação financeira necessária para mobilizar o capital requerido. Uma cooperação financeira internacional também é vital para compartilhar a melhor prática e coordenar os esforços pelos mercados do mundo. A Rede Bancária Sustentável é um grupo crescente de reguladores bancários de países em desenvolvimento que estão procurando incorporar fatores sociais e ambientais em suas práticas rotineiras. A iniciativa da Bolsa de Valores Sustentável também está entregando uma diretriz modelo para que os mercados sociais aprimorem a divulgação das companhias listadas. 

Essas iniciativas são apenas o começo de uma abordagem mais sistemática para a construção de um sistema financeiro sustentável (incluindo ministros de finanças, bancos centrais e reguladores), assim como instituições financeiras, organizações internacionais, a comunidade de desenvolvimento sustentável, indivíduos em sua capacidade como consumidores de serviços financeiros, funcionários de instituições financeiras e participantes da sociedade civil. 

A direção é clara – e o potencial dentro do sistema financeiro ainda está largamente inexplorado. Realizar este potencial é essencialmente uma questão de escolha pública – uma escolha que um crescente número de países já está tomando. 

Por: Achim Steiner. Diretor executivo do PNUMA e Sub-Secretário Geral das Nações Unidas.

2 comentários:

Emilio Morales disse...

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