Translate / Traduzir

Cortes no Orçamento da União Atingem Unidades de Conservação e Combate ao Desmatamento

Em meio à ofensiva para reduzir o tamanho ou rebaixar o status de proteção de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia, estimulada pela bancada ruralista e por representantes do setor de mineração, o governo propôs o corte pela metade das verbas destinadas às UCs no projeto de lei orçamentária encaminhado ao Congresso

Levantamento feito pelo WWF-Brasil em parceria com a ONG Contas Abertas mostra que as ações orçamentárias que tratam de criação, implantação, monitoramento e projetos de manejo nas áreas protegidas têm reservado no Projeto de Lei do Orçamento de 2018 R$ 122,9 milhões, contra uma previsão de gastos de R$ 244,5 milhões na proposta de 2017. Os dados fazem parte de um estudo a ser divulgado no final do ano, sobre o financiamento público à área de meio ambiente. Acesse o dossiê Cortes no Orçamento da União Atingem Unidades de Conservação e Combate ao Desmatamento

Os cortes na previsão de gastos para 2018 alcançam o combate ao desmatamento, a adaptação às mudanças climáticas e sua mitigação, o manejo florestal, a regularização dos imóveis rurais, o licenciamento ambiental e, em menor proporção, a implantação da Política Nacional de Recursos Hídricos

O corte mais profundo atingiu o Bolsa Verde, programa que paga R$ 300 a cada três meses a famílias extremamente pobres moradoras em áreas protegidas, como incentivo à conservação. O Bolsa Verde teve gastos autorizados de mais de R$ 70 milhões nos últimos dois anos e simplesmente desaparece na PLOA 2018. O governo busca repassar a conta ao Fundo Amazônia, que também pode sofrer corte nos aportes. 

No conjunto, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem R$ 3,278 bilhões na proposta de lei orçamentária de 2018, contra R$ 3,786 bilhões que teve na proposta para 2017. O valor é 29% menor do que a média destinada ao MMA pelos projetos de lei orçamentária na última década, de R$ 4,6 bilhões. 

“O quadro é preocupante e sugere um desmonte da área ambiental”, avalia Jaime Gesisky, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil, um dos responsáveis pelo estudo. 

Em decorrência da mudança da meta fiscal para 2018, aprovada no início de setembro, para uma estimativa de déficit de R$ 159 bilhões (ou R$ 30 bilhões maior), o governo deve alterar a proposta até o início de novembro, antes de o Congresso começar a votar o Orçamento. O novo Orçamento, porém, só deve ser conhecido no fim de dezembro de 2017 ou no ano de 2018. 

A maior despesa do MMA é com pagamento de pessoal, com mais de R$ 1 bilhão de gastos previstos em 2018. Nenhuma ação finalística do ministério chega perto dos gastos estimados com pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores, R$ 578 milhões. 

Entre as diferentes autarquias subordinadas ao ministério, o corte é mais acentuado no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra as Unidades de Conservação federais. O Orçamento proposto para 2018 (R$ 589 milhões) é 52% menor do que o do ano passado (R$ 1,246 bilhão). O valor é menor até ao total já desembolsado pelo ICMBio nos primeiros oito meses de 2017. 

No ano da realização do 8º Fórum Mundial da Água, que reunirá representantes de mais de cem países em Brasília em março de 2018, a Agência Nacional de Águas também perde recursos, em relação ao Orçamento de 2017. Embora a recuperação e a preservação de bacias hidrográficas mantenha os R$ 900 mil propostos no ano passado, na principal ação da área em volume de verbas, a proposta para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos cai de R$ 153 milhões para R$ 136 milhões. 

NA ONU 

Ao mesmo tempo em que o presidente Michel Temer discursava na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas que o Brasil concentrava “atenção” e “recursos” no combate ao desmatamento, a ação “Controle e Fiscalização Ambiental”, que inclui o combate ao desmatamento entre outras ações de fiscalização, perdeu 57% em relação à proposta de orçamento de 2017. A ação do MMA que trata especificamente das estratégias de prevenção e controle do desmatamento tem um volume bem menor de recursos e também foi alvo de corte R$ 225 mil para R$ 220 mil. 

No Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o monitoramento do desmatamento nos diversos biomas teve corte de 60%. A proposta de orçamento da ação cai de R$ 5,4 milhões, em 2017, para R$ 2,2 milhões em 2018. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é responsável pelos dados que orientam o combate ao desmatamento no IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). 

Na Assembleia Geral da ONU, o presidente Michel Temer também prometeu vigoroso combate às mudanças climáticas. Embora os recursos do Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima (FNMC) aumentem em 2018 em R$ 24 milhões, a ação final de fomento a estudos, projetos e empreendimentos para a mitigação e adaptação tem a previsão de gastos em queda, de R$ 17,3 milhões para R$ 4,7 milhões. 

“Acompanhar o Orçamento da União é fundamental tanto para entender o destino do dinheiro arrecadado com taxas e impostos, como para avaliar o desempenho do governo e suas prioridades” destaca Michel dos Santos, coordenador de Políticas Públicas do WWF-Brasil

Temas igualmente importantes da agenda ambiental, como a regularização ambiental dos imóveis rurais, um processo que começou com o cadastramento dos imóveis rurais e seus passivos de vegetação nativa, e o licenciamento ambiental de empreendimentos, também tiveram cortes no projeto de orçamento que o governo submeteu ao Congresso, de 30% e 37%, respectivamente. 

Algumas ações mantiveram o volume de recursos públicos do ano anterior, como a implementação do sistema de acesso ao patrimônio genético e conhecimentos tradicionais e repartição de benefícios da biodiversidade. A queda foi pequena numa dotação igualmente pequena. A ação de conservação e recuperação de ecossistemas aumentou a previsão de gastos, mas tampouco é significativa (de R$ 84 mil para R$ 204 mil). Já a ação que trata do monitoramento e controle das espécies ameaçadas de extinção teve a proposta de gastos reduzida de R$ 6 milhões em 2017 para R$ 3,9 milhões em 2018. 

O cenário de aperto fiscal instituído pela emenda constitucional que estabeleceu teto para os gastos públicos a partir de 2018 torna mais acirrada a disputa por verbas do orçamento federal a partir do ano que vem. A votação do projeto de lei orçamentária de 2018 no Congresso é o primeiro movimento dessa disputa. Para alcançar a média dos gastos autorizados ao MMA na última década, a proposta de gastos apresentada pelo governo para a pasta teria de crescer R$ 1,7 bilhão durante o processo de votação. A autorização de gastos é uma etapa importante do processo orçamentário, que se completa com o efetivo desembolso dos recursos. 

“Com a série de estudos sobre orçamentos públicos para a área de meio ambiente que lançaremos até meados do ano que vem, queremos que o país atente para a importância de se destinar cada vez mais recursos para cuidar das áreas protegidas, a biodiversidade, a água, o combate ao desmatamento e as mudanças climáticas. Esses fatores são essenciais à vida de todos nós, são nossa garantia de futuro”, lembra o diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic.

Fonte: WWF-Brasil.

COP-23: Discordância Americana, Urgência Climática e Reflexão Brasileira

Decisões ambientais importantes resultaram de negociações feitas em edições anteriores da conferência, como o Acordo de Paris, negociado na COP21, em 2015.

A 23ª Conferência do Clima (COP-23), que ocorreu de 6 a 17/11/2017 em Bonn, na Alemanha, reuniu delegações de países ao redor do mundo, ONGs, empresas, institutos de pesquisas climáticas e cientistas para juntos apresentarem novos dados, negociarem propostas e reforçarem seu comprometimento com o Acordo de Paris. O Acordo, criado na COP de 2015 e assinado oficialmente em 2016, tem sido alvo de preocupação ao redor do mundo desde junho de 2017, quando o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que os EUA, uma das nações que mais explora combustíveis fósseis, não fariam mais parte dele

Sendo este ano a primeira vez em que os EUA não teriam absoluto posicionamento pró-redução de gás carbônico, como era o caso dos representantes enviados pelo ex-presidente Obama, a expectativa para a participação da delegação norte-americana na COP-23 era grande. Pela primeira vez em quase 4 anos, relatórios científicos prevêem que emissões de efeito estufa aumentaram mundialmente este ano, notícia que causou extrema sensação de urgência para a conferência. A dualidade dos EUA aumentou as dúvidas. 

A delegação oficial dos EUA, integrada em sua maior parte por representantes da indústria de combustíveis fósseis, como executivos da Peabody Energy (a maior empresa do mundo de combustíveis de carvão) e da NuScale Power (empresa que desenvolve reatores nucleares), chocou o público da COP-23 ao espalhar ceticismo sobre a credibilidade dos dados científicos que comprovam o aquecimento global. Eles também deram palestras explicando os tweets de Donald Trump sobre as mudanças climáticas atuais serem uma enganação fabricada pelo governo chinês. De acordo com a repórter do New York Times Lisa Friedman, o escritório da delegação permaneceu fechado para entrada de outros oficiais pela maior parte da cúpula – o que parece ser ao menos simbólico, além de preocupante. 

A insegurança criada pela indiferença dos EUA foi abafada pela outra delegação norte-americana presente, o US Pavilion, que tomou as rédeas e prometeu aos diplomatas presentes que os EUA cumprirão sua promessa e trabalharão para atingir as metas determinadas no documento. Neste grupo, está o prefeito de Nova Iorque, Mike Bloomberg, que já doou USD$15 milhões para o combate às mudanças climáticas e luta pela permanência dos EUA no Acordo de Paris, assim como o ex-vice presidente Al Gore e outros ativistas e empresários norte-americanos. “Estamos dentro”, disse Bloomberg em entrevista ao New York Times. “[O público norte-americano] reconhece que há um problema e que devemos ajudar a solucioná-lo se queremos ter algum futuro neste mundo.” 

A discordância entre delegações americanas foi vista não só nas propostas para o futuro dos acordos climáticos, mas nas suas interações com o público de Bonn e participantes do evento. Friedman também fez questão de registrar o “pavilhão” instalado com o patrocínio de Bloomberghttps://twitter.com/LFFriedman/status/929024312706764801.

Compromissos norte-americanos feitos sob o governo Obama de cortar emissões em pelo menos 26% (comparado a níveis de 2005) até 2025 deverão ser mantidos já que Trump não pode oficialmente retirar o país do Acordo de Paris até 2020. 

Enquanto isso, a delegação brasileira, liderada pelo negociador-chefe e embaixador Antônio Marcondes, pediu que países desenvolvidos façam suas partes nas propostas delineadas no Protocolo de Kyoto (estendido até 2020). O Brasil reafirmou suas próprias promessas ao Acordo de Paris, como redução de 37% das emissões de carbono até 2025 e em 23% até 2030. As reduções estão previstas para afetar setores da economia como produção de energia de fontes renováveis e o desmatamento ilegal da Amazônia

O relatório divulgado pelo Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) revelou que as emissões brasileiras de gás carbônico aumentaram 9% em 2016. “Há uma contradição muito grande entre o que é apresentado no discurso internacional e o que é feito na prática”, constatou Sonia Guajajara, representante latina em Bonn, sobre o Brasil

Marcondes enfatizou que por mais que o Brasil peça melhorias à comunidade internacional, internamente é necessário um empenho maior para conseguir equipará-lo aos esforços mundiais de combate a mudanças climáticas: “Apelo para o Congresso [] para que a gente possa avançar na ambição das metas climáticas”, disse Marcondes. Para a delegação brasileira, soluções como melhor regulamentação das leis climáticas e fortalecimento de iniciativas ambientais são o caminho que o país deve prosseguir o quanto antes. 

Por: Carolina Reis do Nascimento; estudante de Economia e Administração na Northeastern University, em Boston. Fonte: Poder360.

Bioasfalto – Estradas e Ruas Feitas Com Óleos Derivados de Árvores e Plantas

Para muitas pessoas o asfalto ainda representa uma coisa boa, o "progresso": ter sua rua asfaltada ainda é motivo de votos vitalícios ao político que propôs a obra, mesmo que seja mal feito, que não dure um ano sem buracos ou que impermeabilize todo um bairro, ocasionando alagamentos que antes não existiam. 

No entanto, o asfalto é um dos maiores inimigos da sustentabilidade, pois é feito de derivados de petróleo, esquenta muito (gerando ilhas de calor) e impermeabiliza o solo, contribuindo para as enchentes que assolam nossas cidades. É a solução perfeita para os carros. Mas queremos mesmo viver num mundo moldado para os automóveis? 

Para diminuir o impacto ambiental desse inimigo em nossas estradas e cidades, estão sendo feitos estudos para substituição da base de petróleo, utilizada atualmente na produção do asfalto, por óleos derivados de árvores e plantas. 

Esses óleos vegetais podem ser feitos de açúcar, melaço, amido de batata, arroz ou milho, óleos vegetais, resíduos de cocos, amendoins e canola, resinas de árvores, etc. 

Além de necessitar de temperaturas mais baixas para sua produção, o bioasfalto é mais resistente a bruscas variações de temperatura e tem maior vida útil e durabilidade. 

Como não tem o petróleo como matéria-prima, esse asfalto ecológico pode também ser colorido, esquentando menos sob a radiação do sol e economizando em tintas e manutenção, pois as faixas de pedestre e sinalizações já podem ser feitas juntamente com a pavimentação. 

No final da cadeia de produção, o bioasfalto gera como resíduo um carvão vegetal, usado para enriquecimento do solo e também para remover gases nocivos da atmosfera. 

O Brasil poderia adotar esse material inovador, aproveitando os refugos vegetais das indústrias ao invés de jogá-los nas bacias hidrográficas ou em aterros sanitários. 

Assim, nosso país daria um grande passo rumo ao verdadeiro progresso, aquele totalmente comprometido com as questões ambientais!

Por: Vanessa Mendes Argenta (Coletivo Verde).

A Inovadora Máquina Que Absorve CO2 Da Atmosfera e o Transforma Em Um Gás Com Valor Econômico

Atualmente, o CO2 absorvido pelo dispositivo é vendido por US$ 600 a tonelada (Crédito: Climeworks).

Embora o gás carbônico represente apenas 0,04% da nossa atmosfera, sua taxa de concentração é a mais alta dos últimos 800 mil anos. Extrair CO2 do ar é um processo difícil do ponto de vista técnico e também custoso. Mas, na Suíça, está em andamento um projeto pioneiro que visa transformar a absorção do gás carbônico em uma iniciativa comercialmente viável. 

No teto de um centro de reciclagem em Hinwil, a meia-hora de Zurique, 18 ventiladores do tamanho de uma máquina de lavar são empilhados um sobre o outro. Os dispositivos sugam o ar que está à sua volta, e os filtros cobertos com produtos químicos no seu interior absorvem o CO2. Os filtros são extraídos quando ficam saturados e aquecidos a 100º Celsius, com o calor gerado pela usina de reciclagem. Esse processo resulta em gás carbônico puro, que é coletado para ser usado posteriormente. 

Meta: US$ 100 por tonelada 

A instalação, que captura dióxido de carbono diretamente do ar, foi desenvolvida pela empresa suíça Climeworks e pode capturar até 900 toneladas de CO2 por ano. 

O gás é vendido para uma estufa da região e usado para estimular o crescimento das plantas. Para os desenvolvedores, não se trata apenas de uma tecnologia inteligente, mas de um modelo de negócio rentável. 

"É a primeira vez que vendemos comercialmente CO2, é a primeira [experiência] desse tipo", explica à BBC o cofundador da empresa, Jan Wurzbacher. "Precisa ser um negócio, a captura de CO2 não pode funcionar de outra maneira." 

Atualmente, a Climeworks vende o gás a produtores de verduras e legumes da região por aproximadamente US$ 600 (R$ 1.970) a tonelada. De acordo com a empresa, o preço alto se deve ao fato de ter fabricado todos os componentes do dispositivo a partir do zero. Mas a companhia acredita que os custos cairão rapidamente, uma vez que a produção aumente. 

"O número mágico a que aspiramos é US$ 100 (R$ 330) por tonelada", diz Wurzbacher. "Podemos fazer isso aumentando a produção em massa dos nossos componentes. Podemos alcançar [a meta] nos próximos dois ou três anos." 

Vendido para uma estufa próxima, gás é usado para cultivar plantas (Crédito: Climeworks).

Os múltiplos usos do CO2 

Um dos aspectos que torna o CO2 atraente para os desenvolvedores é que o gás tem muitos usos possíveis. 

Empresários tentam usar o CO2 como matéria-prima para diversos produtos - de alimento para peixes a cimento, passando por bancos de carro e pasta de dente. 

Ironicamente, os Estados Unidos estão utilizando o gás ​​para estimular a extração de petróleo. 

Um dos planos mais ambiciosos é absorver o CO2 e transformá-lo em combustível. 

Há alguns anos, a montadora Audi anunciou que havia desenvolvido o que chamou de "e-diesel", um combustível à base de CO2 e água. A Climeworks forneceu parte do dióxido de carbono usado nos testes. Portanto, reduzir o custo da extração de CO2 é fundamental para que a ideia funcione. 

Mas, embora a criação de combustível e outros produtos a partir de CO2 ajude, não é suficiente para alcançar a redução necessária e atingir as metas do Acordo de Paris

Não seria mais fácil plantar árvores? 

Os termos do acordo especificam que deve haver um equilíbrio entre as emissões antropogênicas (derivadas de atividades humanas) e a eliminação de CO2 por absorção na segunda metade deste século. 

Para alcançar esse equilíbrio, muitos especialistas acreditam que devemos recorrer à tecnologia para eliminar o CO2 do ar. 

"Precisamos nos concentrar em colocar em prática coisas que já sabemos que funcionam e, ao mesmo tempo, focar no desenvolvimento de novas tecnologias", diz à BBC, Glen Peters, do Centro Internacional de Pesquisas sobre Clima e Meio Ambiente

Em 2013, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sugeriu que a produção de bioenergia a partir da captura e armazenamento de carbono (BECCS, na sigla em inglês) poderia ser uma opção. 

O método prevê o plantio de árvores e plantas, que absorvem carbono da atmosfera, com posterior queima da biomassa para geração de energia, capturando o CO2 emitido e bombeando para reservatórios geológicos subterrâneos. 

Mas os críticos do BECCS argumentam que a prática demanda o uso de muita terra, que poderia estar dedicada à produção de alimentos. Um estudo recente sugere que uma alternativa mais simples, como plantar árvores e gerenciar melhor solos e pastagens, pode ser mais efetiva. 

A Climeworks não é contra a plantação de árvores, mas sustenta que seu sistema tem uma capacidade maior de absorção e pode ser reutilizado. 

Críticos da Climeworks temem que, se a tecnologia funcionar, políticos não farão mais esforços para reduzir as emissões de CO2 (Foto: Getty Images).

Críticas 

Muitos ambientalistas apresentam sérias objeções ao método da empresa suíça, assim como a outros projetos que seguem a mesma lógica. Eles argumentam que precisamos repensar fundamentalmente a forma como consumimos e produzimos para fazer da sustentabilidade um estilo de vida. 

"Precisamos dar um passo atrás e questionar quais são os caminhos possíveis para um futuro seguro", diz Lil Fuhr, da Fundação Heinrich Böll

Outros temem que, se a tecnologia funcionar, os políticos não farão esforços para reduzir suas emissões e usar energia renovável. Wurzbacher rejeita, no entanto, essa ideia. Segundo ele, é apenas uma questão de tempo. 

"Se você tivesse me perguntado isso há 20 anos, eu teria dito sim, devemos nos concentrar na redução de emissões. Mas hoje já passamos do ponto em que podemos alcançar a meta fazendo apenas isso", diz. 

"As pessoas dizem que devemos eliminar dez gigatoneladas de CO2 da atmosfera por ano até 2050. Para isso, não é só necessário desenvolver [tecnologia], mas também implementar em larga escala. Isso vai levar 30 anos!" 

Mas Fuhr discorda. Segundo ele, o discurso faz parte da estratégia de autopreservação da indústria de combustíveis fósseis. 

"Durante muitas décadas, a indústria de combustíveis fósseis financiou os céticos em relação ao clima e, dessa forma, impediu que medidas fossem tomadas [para evitar o aquecimento]", afirma. 

"Vimos que isso não funciona. Então, em vez de negar, eles agora estão começando a apresentar essas tecnologias 'mágicas', que vão ajudar a prolongar a vida dessas indústrias." 

"O que estamos vendo é uma mudança na estratégia de negação-prevenção da indústria de combustíveis fósseis", completa.

Por: Matt McGrath (BBC).

Natureza Reconstrói Florestas Melhor Do Que O Homem, aponta estudo

O método mais eficiente para recriar uma floresta tropical desmatada talvez não envolva o plantio de milhares de mudinhas de árvores, mas simplesmente deixar que a natureza faça o seu trabalho. 

Essa mensagem aparentemente paradoxal é a principal conclusão de um estudo recém-publicado por pesquisadores brasileiros no periódico Science Advances [Ecological Restoration Success is Higher for Natural Regeneration Than for Active Restoration in Tropical Forests]. 

Ao analisar os dados de 133 estudos já publicados sobre restauração florestal mundo afora, eles verificaram que, na maior parte dos casos, a intervenção humana direta é menos eficiente do que os processos naturais de regeneração da mata. 

“O nosso trabalho indica que permitir esse processo é mais barato do que planejar o replantio da floresta e pode dar mais retornos ambientais em muitos casos”, diz Renato Crouzeilles, do Instituto Internacional Para Sustentabilidade (RJ) e um dos autores do estudo, que contou ainda com cientistas da UFRJ, PUC-RJ e outras instituições do Brasil e do exterior. 

Tentar recriar uma floresta custa caro: entre US$ 1.400 e US$ 34 mil por hectare, dependendo do local e do método utilizado, segundo os autores da pesquisa. 

Esse dispêndio tende a ser mais do que recompensado anos mais tarde pelos chamados serviços ambientais da mata, mas não é simples levantar os fundos iniciais para esse tipo de projeto. 

O estudo mostrou que, no que diz respeito à recuperação da biodiversidade, a eficácia da regeneração natural foi de 34% a 56% superior à da restauração ativa. 

No caso da recomposição da estrutura da vegetação [a “escadinha” natural na mata, desde árvores altas com enormes copas até pequenos arbustos], a primeira estratégia teve eficácia de 19% a 56% maior que a segunda. 

CASO A CASO 

Embora esse seja o quadro geral, as condições locais também influenciam sucessos e fracassos. Ambos os tipos de recuperação da mata funcionam melhor em áreas nas quais chove mais, onde a destruição da mata original não foi tão severa e quando o processo de reconstrução do ambiente teve mais tempo para se desenrolar. 

“Em algumas áreas, com um distúrbio e um uso da terra pelo homem muito intenso, o único caminho acaba sendo o plantio completo”, ressalta Crouzeilles

Por outro lado, diz o pesquisador, os órgãos que planejam ações de restauração florestal precisam considerar que, em muitos casos, o processo natural pode ser opção eficiente e barata. 

No caso de propriedades rurais que precisam recompor áreas de floresta para cumprir a lei, por exemplo, bastaria incentivar os produtores a cercarem áreas com condições favoráveis à regeneração - sem a presença do gado pisoteando as mudas de árvores que acabaram de germinar, o processo poderia acontecer por si mesmo, sem grandes gastos.

Por: Reinaldo José Lopes (Folha de S. Paulo).

Sistema Reúne Informações Sobre Usos e Riscos dos Agrotóxicos

Brasil, importante produtor agrícola, ocupa a primeira posição do ranking mundial em consumo de agrotóxicos – Foto: Pixabay-CC

Os agrotóxicos são, hoje, parte quase indissociável da agricultura, principalmente em se tratando de países destacadamente produtores agrícolas. O uso extensivo dessas substâncias garante maior produtividade dos insumos e diminui o risco de pestes e doenças nas plantações. Apesar dos benefícios proporcionados aos produtores, esses agentes trazem riscos ao meio ambiente e às pessoas que com eles têm contato. O Brasil, importante produtor agrícola, ocupa a primeira posição do ranking mundial em consumo de agrotóxicos.

Adelaide Nardocci, líder do Centro de Pesquisa em Avaliação de Riscos e integrante do Centro de Pesquisas de Desastres da USP, conta que, no cenário mundial, o Brasil é muito pouco restritivo em relação ao registro e regulamentação do uso de agrotóxicos, e que nos últimos meses muitos retrocessos têm sido anunciados. “Existem várias propostas em curso que visam a reduzir e flexibilizar ainda mais as regras para regulação de agrotóxicos”, completa.

É nesse cenário que a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) da Secretaria do Estado de São Paulo, desenvolveu, nos últimos anos, o Sistema de Busca de Informações Sobre Agrotóxicos, lançado em evento na FSP no dia 31 de outubro.

Ariadne, como é chamado o sistema, é um portal on-line que apresenta um conjunto de informações sobre o uso e a aplicação de agrotóxicos; os parâmetros principais do seu comportamento no ambiente; e as propriedades associadas à toxicidade crônica, considerando os riscos à saúde humana causados por exposições a baixas doses em longos períodos de tempo. O sistema apresenta, também, dados inéditos de pulverização aérea no Estado de São Paulo no período de 2013 a 2015. Ainda, o portal direciona o usuário para bases de dados nacionais e internacionais, caso este esteja em busca de informações mais detalhadas.

O sistema, resultado da pesquisa de mestrado de Rubens José Mário Júnior, tem por função facilitar o acesso de gestores de serviços públicos a informações já qualificadas sobre a toxicidade e o comportamento ambiental desses compostos, a fim de contribuir para uma ação mais efetiva na gestão da exposição humana a essas substâncias. É uma iniciativa tida como essencial quando se pensa na construção de modelos de produção mais sustentáveis.

ToxPi, o índice de prioridade toxicológica 

O ToxPi é uma ferramenta desenvolvida em 2012 pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Usepa), que possibilita agregar diferentes informações sobre um conjunto de substâncias a fim de obter um ranking de prioridades.

No ToxPi-Ariadne, foram considerados os 113 agrotóxicos mais vendidos no Brasil nos anos de 2012 a 2014. Os critérios de priorização estão relacionados com os efeitos toxicológicos dos compostos sobre a saúde humana. São analisadas a capacidade de se estimular o aparecimento de câncer e mutações e a interferência endócrina (hormonal) nos organismos. Seguindo este critério, foi atribuído maior peso às variáveis que representam efeitos toxicológicos dos agrotóxicos à saúde. Entre elas, existe também um diferencial no peso de evidência: a carcinogenicidade (potencial de causar câncer), por exemplo, tem peso maior que a mutagenicidade (potencial de causar mutações genéticas) e que a interferência endócrina.

Na priorização de agrotóxicos, são avaliados, também, os critérios do comportamento ambiental dos princípios ativos, para julgar o potencial de exposição associado a cada um deles. Assim, o ranking apresentado no Ariadne foi obtido avaliando-se as características toxicológicas individuais das substâncias junto com dois grupos de propriedades que mostram a interação delas com o ambiente: as propriedades físico-químicas e as propriedades de comportamento ambiental.

O sistema ficará disponível ao público na página do NARA (Núcleo de Pesquisas em Avaliação de Riscos Ambientais) e terá um link de acesso também na página do CVS.

Mais informações: nra@fsp.usp.br

Por: Laura Barrio (Jornal da USP).

Poluição da Água Mata 1,8 Milhão de Pessoas Por Ano, diz estudo

Rio Pinheiros - SP.

A poluição do ar, da água, do solo e dos ambientes de trabalho matou 9 milhões de pessoas prematuramente no mundo em 2015. Só a poluição da água matou 1,8 milhão de pessoas, ou 20% do total por poluição no período. A conclusão é de levantamento conduzido pela Comissão Para Poluição e Saúde da revista científica The Lancet, uma das mais respeitadas do mundo. 

Para efeito de comparação, as mortes causadas pela poluição equivalem a mais do que o triplo da soma de todas as mortes anuais por Aids, malária e tuberculose, ou 15 vezes todas as mortes violentas, ou 16% de todos os óbitos anuais do planeta. O prejuízo gerado pelas mortes e outros problemas decorrentes da poluição é de cerca de US$ 4,6 trilhões ao ano, o equivalente a 6,2% da economia mundial. 

Em “poluição da água”, especificamente, foram encaixadas desde mortes por consumo de água contaminada a problemas mais difusos decorrentes da disposição irregular do esgoto. Na maioria dos casos, as mortes acontecem depois da infecção por doenças gastrointestinais e parasitárias transmitidas pela água, como diarreia (e subsequente desidratação), cólera, disenteria, giardíase e hepatite, entre outras. 

Especificidades regionais 

Como já era de se esperar, as regiões mais pobres do mundo são as que mais registram mortes por problemas ligados à exposição à poluição. Em nações como a Índia, na Ásia, Chade e Madagascar, na África, a poluição corresponde a 25% de todas as mortes, índice 56,3% acima da média mundial, de 16%. O que não significa que os países ricos também não tenham problemas com a poluição. Estados Unidos e Japão, por exemplo, estão entre os 10 países onde mais se morre por formas “modernas” de poluição como a decorrente da queima de combustíveis fósseis. 

Confira a íntegra do estudo (em inglês, gratuito com cadastro) The Lancet Commission on Pollution and Health (Published: October 19, 2017)

Outros prejuízos da poluição 


Uma pesquisa em andamento na região de Dhaka, no Bangladesh, está mapeando, no cérebro infantil, o impacto de adversidades como a má-nutrição crônica e a falta de saneamento. O levantamento é conduzido pela Universidade de Harvard em parceria com o Centre for Diarrhoeal Disease Research, de Bangladesh, e tem apoio da Fundação Bill & Melinda Gates

Um dos objetivos iniciais dos pesquisadores tem sido definir qual tipo de adversidade é responsável pelas maiores variações na atividade cerebral das crianças estudadas. Resultados preliminares sugerem que doenças inflamatórias, como os patógenos do intestino, são os que têm maior impacto na atividade cerebral. “Se a informação for confirmada, fica reforçada a importância do saneamento”, escreveu a Nature, uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo, em artigo dedicado à pesquisa.


Pesquisadores Comprovam: Vale a Pena Investir na Conservação

Fiji (acima) é um dos lugares em que a biodiversidade melhorou. Foto: Wikipédia.

Depois de 25 anos, pesquisadores apresentam evidências de que a Rio 92 trouxe resultados positivos à conservação de espécies. A partir o encontro de cúpula realizado na capital fluminense, foram investidos U$ 14,4 bilhões de dólares por governos e organizações não governamentais ao longo de onze anos, que ajudaram a reduzir o ritmo de extinções ao redor do globo. 

Em um artigo publicado na revista Nature [Reductions in Global Biodiversity Loss Predicted from Conservation Spending], uma equipe internacional de pesquisadores afirma que os investimentos feitos entre 1992 e 2003 conseguiram reduzir em 29% as extinções globais de espécies, entre 1996 e 2008. Para os autores, o resultado é um incentivo para os tomadores de decisão financiarem devidamente a proteção da biodiversidade. 

“Por 25 anos, nós sabíamos que precisávamos investir mais na conservação da natureza ou enfrentar uma extinção massiva tão séria quanto a dos dinossauros”, afirmou o ecólogo Anthony Waldron, da Universidades Nacional da Cingapura, Oxford e de Illinois, em texto divulgado pelo serviço de notícias científica Eurekalert. “Mas os governantes e doadores não estavam dispostos a chegar aos orçamentos necessários, frequentemente porque havia poucas evidências de que o dinheiro investido na conservação trazia algum bem”. 

Com base em informações sobre o estado de conservação de espécies publicadas no Livro Vermelho da União Internacional, os autores determinaram o quanto o declínio de uma espécie poderia ser atribuído a cada país. Eles já haviam apresentado os gastos em conservação pelas nações em um artigo publicado em 2013, na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O estudo recorreu também a dados econômicos do Banco Mundial

Conforme os dados apresentados, sete países são responsáveis por 60% da perda mundial da biodiversidade: Indonésia, Malásia, Papua Nova Guiné, China, Índia, Austrália e, principalmente por perda de espécies no Havaí, EUA. Em sentido oposto, a biodiversidade de outros sete países melhorou: Maurício, Seicheles, Fiji, Samoa, Tonga, Polônia e Ucrânia

O estudo demonstra que, em países pobres e aqueles que abrigam mais espécies, os investimentos em conservação têm maior impacto. Mas enquanto o crescimento econômico tem menos efeito sobre as espécies em países menos desenvolvidos, a expansão agrícola tende a ser mais grave para a biodiversidade em nações com menos terras já usadas para a agricultura. 

O estudo demonstra também que o tamanho do país, o número de espécies presentes e o estado de conservação delas no início do período de estudo desempenham papel importante nas taxas de declínio da biodiversidade. Para o decano da Escola de Ecologia Odum da Universidade da Georgia, John Gittleman, o artigo tem uma mensagem clara e positiva: “Financiar a conservação funciona”. A boa notícia é que muita biodiversidade pode ser protegida com baixos investimentos em países em desenvolvimento com grande número de espécies”.

Por: Vandré Fonseca (O Eco).

Poluição Por Carbono Bateu Recorde de 800 Mil Anos, diz OMM


Os níveis de dióxido de carbono atingiram o maior nível em pelo menos 800.000 anos devido à poluição causada por humanos e a um El Niño forte, segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO). 

As concentrações de gases causadores do efeito estufa aumentaram a uma velocidade recorde em 2016 e atingiram média de 403,3 partes por milhão, contra 400 partes por milhão um ano antes, anunciou a OMM em comunicado, em 30/10/2017, alertando sobre “graves distúrbios ecológicos e econômicos” [Greenhouse Gas Concentrations Surge to New Record]. 

A OMM afirma que, na última vez em que a Terra teve uma concentração comparável de CO2, a temperatura do planeta era 2 graus a 3 graus Celsius mais elevada e os níveis do mar, 10 metros a 20 metros mais altos do que os de agora. 

“Sem reduções rápidas no CO2 e em outras emissões de gases causadores do efeito estufa caminharemos para aumentos de temperatura perigosos até o fim do século”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, no comunicado. 

O aumento recorde de 3,3 partes por milhão de CO2 se deve em parte a um forte El Niño em 2015 e 2016, que gerou secas em regiões tropicais e limitou a capacidade das florestas de absorver o gás, segundo a OMM. O CO2 provém também da queima de combustíveis fósseis para energia e do desmatamento para agricultura e construção. 

As concentrações de CO2 foram inferiores a 280 partes por milhão nos últimos 800.000 anos e aumentaram desde a revolução industrial, segundo dados geológicos coletados por meio de amostras de gelo da Groenlândia e da Antártida. O relatório alimentará os debates da conferência anual sobre aquecimento global patrocinada pela Organização das Nações Unidas, em Bonn, em 6 de novembro.

Por: Jessica Shankleman (Bloomberg).

Novo Método de Manejo Ajuda a Mitigar a Emissão de Gases Estufa no Cultivo da Cana

Descobrir de que forma os microrganismos presentes no solo processam os fertilizantes e os resíduos orgânicos usados no cultivo da cana pode ajudar a mitigar a emissão de gases de efeito estufa e tornar a produção de etanol mais sustentável. 

Um conjunto de estudos com esse objetivo foi apresentado pela pesquisadora Eiko Kuramae, do Instituto de Ecologia da Holanda (NIOO-KNAW), durante a terceira edição da Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference (BBEST). Organizado no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), o evento foi realizado em Campos do Jordão entre os dias 17 e 19 de outubro de 2017. 

“Quando a mistura de vinhaça e fertilizantes nitrogenados normalmente usada na cultura da cana é aplicada, as atividades da microbiota do solo são estimuladas e ocorrem transformações, resultando na produção de gases como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e, principalmente, óxido nitroso (N2O), cujo poder de reter calor na atmosfera é 289 vezes maior que o do CO2. Nossa pesquisa busca entender as funções dos microrganismos e determinar os processos envolvidos na emissão de N2O, principalmente, com o objetivo de encontrar meios de intervir”, disse Kuramae

Como explicou a pesquisadora, a vinhaça é o principal resíduo da produção de etanol. Estima-se que para cada litro de biocombustível sejam produzidos entre 12 e 15 litros desse efluente, que, caso seja descartado incorretamente, pode poluir rios e causar diversos danos ambientais. 

Nos últimos anos, a legislação brasileira passou a exigir que a vinhaça produzida nas usinas seja reaproveitada como fertilizante na própria lavoura de cana. Mas, apesar de ser rica em nutrientes, a substância não é capaz de suprir todas as necessidades da planta e precisa ser misturada com fertilizantes inorgânicos à base de nitrogênio. 

Em um trabalho realizado durante o doutorado de Késia Lourenço, o grupo mostrou que o simples fato de aplicar separadamente a vinhaça e os fertilizantes nitrogenados em solo de cana coberto com a palha da planta proporciona uma significativa redução na emissão de N2O. 

No experimento conduzido em Piracicaba, durante a estação seca, a aplicação de vinhaça concentrada foi feita 30 dias antes do fertilizante nitrogenado no solo de cana com palha. Nesse caso, a emissão de N2O foi 39% menor do que quando se aplicaram as duas substâncias juntas. Experimento semelhante, feito com vinhaça normal (não concentrada), possibilitou uma redução de 27%. 

Já em outro teste feito no período de chuva, o grupo aplicou vinhaça normal 30 dias antes do fertilizante nitrogenado e observou uma redução de 49,6% na emissão de N2O. 

“Em ambos os experimentos, os processos biológicos envolvidos na emissão de N2O mostraram-se muito complexos. Ocorre nitrificação, realizada principalmente por bactérias, mas também por arqueas [um dos domínios de seres vivos, semelhantes às bactérias morfologicamente mas distintas genética e bioquimicamente]. E também ocorre desnitrificação, promovida por bactérias e também por fungos. Mostramos pela primeira vez que, em cultura de cana em regiões tropicais, quando há a presença de palha no solo combinada com vinhaça e fertilizante nitrogenado, os fungos também contribuem para a emissão de N2O”, comentou a pesquisadora. 

Apoio bilateral 

A pesquisa contou com apoio da FAPESP e da Organização Holandesa para Pesquisa Científica (NWO) e foi realizada no âmbito de um acordo de cooperação entre as duas instituições. 

Uma parte do trabalho foi feita na Holanda, sob supervisão de Kuramae, e outra no Instituto Agronômico (IAC), com orientação de Heitor Cantarella

Ainda sobre o mesmo tema, Kuramae mantém parceria com Janaina do Carmo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no âmbito de um acordo entre a FAPESP e o Consórcio BE-Basic

“De modo geral, os estudantes brasileiros têm feito toda a parte experimental de campo no Brasil, nas regiões de Piracicaba e Ribeirão Preto, e a parte de microbioma de solo e bioinformática é realizada no meu laboratório, na Holanda”, contou Kuramae

Durante o doutorado de Johnny Soares, também sob a orientação de Cantarella e Kuramae, o grupo testou em cultivo de cana o uso de inibidores de nitrificação em solos adubados com nitrogênio, mas sem a presença de palha e vinhaça. O objetivo era diminuir as emissões de N2O. 

“Determinamos que, quando não há palha ou vinhaça no solo, o principal processo que ocorre é o de nitrificação causada por bactérias. Decidimos então testar dois compostos capazes de inibir a enzima amônia mono-oxigenase de bactérias que fazem a conversão do nitrogênio do fertilizante em N2O. Além de reduzir em 95% a emissão desse gás, esses compostos não afetaram a diversidade bacteriana do solo”, contou Kuramae

Os experimentos duraram, ao todo, três anos. Os resultados foram publicados em 2016 na Scientific Reports.

Por: Karina Toledo (Agência Fapesp).

Poluição do Ar Acidifica Oceanos e Ameaça Vida Marinha, diz estudo

Corais de água fria são menos afetados do que os de água quente com a diminuição do pH dos oceanos. Foto: Jago Team/Geomar.

Toda a vida marinha será afetada por causa das emissões de gás carbônico, que vêm elevando a acidez dos oceanos no mundo, revela um novo estudo. 

A pesquisa, que durou oito anos, foi conduzida por mais de 250 cientistas. Os resultados apontam que criaturas marinhas em estágio inicial de desenvolvimento devem ser as mais prejudicadas pelas mudanças. 

Um exemplo é o bacalhau. Segundo os cientistas, com a acidificação dos oceanos, 25% dos filhotes chegariam à fase adulta - no pior cenário, apenas 12% sobreviveriam. As constatações foram feitas pelo projeto Bioacid, liderado pela Alemanha

O resumo das principais descobertas do estudo será apresentado a negociadores do clima em novembro, numa cúpula em Bonn [COP23], no oeste alemão. Mas nem todas as espécies estão ameaçadas. 

Os impactos biológicos da acidificação dos oceanos, explicam os cientistas, podem beneficiar diretamente alguns animais. Ainda assim, mesmo esses podem ser afetados com as alterações na cadeia alimentar marinha. 

Esse processo de acidificação tende a se agravar com mudanças climáticas, poluição, desenvolvimento urbano no litoral, uso de fertilizantes agrícolas e pesca predatória. 

O nível de acidez está aumentando porque, à medida que o dióxido de carbono de combustíveis fósseis se dissolve na água do mar, produz ácido carbônico e reduz o pH da água. 

O pH médio identificado na superfície da água caiu de 8,2 para 8,1, o que representa um aumento na acidez de cerca de 26%. 

O estudo foi liderado pelo professor Ulf Riebesell, do Centro Helmholtz de Pesquisas Oceânicas (Geomar) em Kiel, no norte da Alemanha. Considerado uma das maiores autoridades do mundo no assunto, ele tem mantido a cautela ao falar sobre efeitos da acidificação. 

À BBC, ele disse que todos os grupos marinhos serão afetados pelas mudanças químicas, ainda que em diferentes níveis. 

"Corais de águas aquecidas são geralmente mais sensíveis do que corais de água fria. Já os moluscos e os caracóis são mais sensíveis do que os crustáceos", explicou o especialista. 

"Também identificamos que essas mudanças geram maior impacto em filhotes do que em adultos", completou. Desde 2009, pesquisadores que trabalham no programa Bioacid têm estudado como espécies marinhas estão sendo afetadas pela acidificação em diferentes fases da vida e seu impacto na cadeia alimentar. Também tentam verificar se há como reduzir os efeitos pela adaptação evolutiva da fauna e flora. 

O estudo foi conduzido em laboratório e também nos mares do Norte, Báltico, no Oceano Ártico e na Papua Nova Guiné. Um resumo de mais de 350 publicações acadêmicas sobre os efeitos da acidificação - que será apresentado no próximo mês - revelou que quase metade da fauna marinha testada reagiu de forma negativa ao aumento, ainda que moderado, da concentração do dióxido de carbono. 

Entre as espécies ainda em crescimento no Atlântico, bacalhau, mexilhão-azul, estrela-do-mar, ouriço e borboleta-marinha aparecem como as mais afetadas pela mudança no pH da água. 

Um experimento com os cirrípedes [tipo de crustáceo] mostrou que eles não são sensíveis à acidificação e algumas plantas - como algas que usam carbono para a fotossíntese - podem até se beneficiar. 

Carol Turley, especialista em acidificação oceânica no Reino Unido, avaliou a pesquisa como "extremamente importante". 

"A pesquisa contribuiu com importantes dados sobre os impactos que a acidificação pode gerar em uma ampla gama de organismos marinhos, de micróbios a peixes", concluiu.

Por: Roger Harrabin (BBC).

Políticas Públicas Precisam Adotar Economia Comportamental

As políticas públicas têm sido implementadas tradicionalmente com base em modelos que consideram as pessoas como agentes capazes de tomar decisões racionais, ponderadas e com capacidade ilimitada de processar informações. Foto: EBC.

Compreender os processos decisórios, os hábitos e as experiências daqueles em situação de pobreza é essencial para a elaboração de políticas públicas mais eficazes. É o que sugere o estudo do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (IPC-IG/PNUD) divulgado 10/10/2017.

*** 

O Prêmio Nobel de Economia de 2017 foi concedido ao norte-americano Richard Thaler por suas contribuições no campo da economia comportamental. Thaler é um dos mais destacados economistas na aplicação da psicologia às análises das teorias econômicas e das consequências da racionalidade limitada, das preferências pessoais e da falta de autocontrole

Um desdobramento mais recente dessa área é a aplicação de “insights” comportamentais às políticas públicas. Compreender os processos decisórios, os hábitos e as experiências pessoais daqueles em situação de pobreza é essencial para a elaboração de políticas públicas e para sua eficácia. 

A conclusão é de estudo do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (IPC-IG/PNUD), Insights Comportamentais e Políticas de Superação da Pobreza, de autoria de Antonio Claret Campos Filho e Luis Henrique Paiva, pesquisadores associados do IPC-IG e pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). 

“A gente não acorda de manhã pensado na qualidade da água que estamos bebendo ou que os recursos gastos no almoço irão fazer falta no fim do mês. O pobre gasta boa parte do seu sistema cognitivo enfrentando dilemas cotidianos deste tipo e, por isso, ele tem uma maior sobrecarga mental”, explica Luis Henrique Paiva, coautor do estudo. “Viver na pobreza exaure a sua capacidade mental e isto acaba conduzindo o indivíduo a tomar decisões ruins e com maior probabilidade de cometer erros. Isso retroalimenta a pobreza. O contexto da pobreza perpetua a escassez”. 

As políticas públicas têm sido implementadas tradicionalmente com base em modelos que consideram as pessoas como agentes capazes de tomar decisões racionais, ponderadas e com capacidade ilimitada de processar informações. 

Em contraposição a essa visão, os estudos sobre economia comportamental sugerem que a realidade é diferente: as pessoas têm um sistema cognitivo limitado, decidindo com base em hábitos e experiências pessoais. Aceitam soluções satisfatórias, tomam decisões de forma rápida, têm dificuldade em equilibrar interesses de curto e longo prazos, são fortemente influenciadas por fatores emocionais e pelos comportamentos dos outros. 

O estudo publicado pelo IPC-IG defende que aqueles em situações de escassez, como a pobreza, têm uma maior sobrecarga mental, pois estão sujeitos a preocupações que não ocorrem entre pessoas de maior renda, como a qualidade da água consumida ou o acesso à alimentação. 

Contrair empréstimos a juros altos é um exemplo de falta de autocontrole que tende a ser mais frequente e mais onerosa para os pobres. Decisões de longo prazo também tendem a ser negativamente afetadas pelas sobrecargas associadas à escassez, como retirar os filhos da escola para que eles trabalhem devido à perda de emprego dos pais, o que terá consequências negativas para a vida da criança. 

Segundo o estudo, o desenho de políticas e programas sociais precisa considerar esta ocorrência esperada de erros e as situações concretas vividas por famílias ou comunidades pobres. Os programas deveriam ser tão simples quanto for possível para atingir seus objetivos, evitando demandas e compromissos desnecessários sobre seus beneficiários. 

Para os pesquisadores, essas pessoas tomariam melhores decisões no longo prazo, como acumular poupança, caso tivessem alguma perspectiva de futuro. Um mínimo de segurança também é fundamental: microcrédito, educação, segurança no emprego, disponibilidade de uma rede de proteção social básica e seguro contra doenças ou calamidades. 

Um número crescente de países, como Estados Unidos, Austrália, Canadá e França, tem adotado a abordagem comportamental na análise e no aprimoramento de suas políticas. Recentemente, a ONU instituiu um grupo de assessoramento para o secretário-geral das Nações Unidas com o objetivo de tratar de temas comportamentais com ênfase no alcance dos objetivos da Agenda de 2030. No Brasil, no entanto, ainda são raras as políticas públicas desenhadas com base nos estudos comportamentais, concluiu o estudo do IPC-IG.

Fonte: ONU.

'Homo acceleratus' ou A Força dos Nossos Hábitos!

A ordem vigente do poder do capital é o crescimento substancial e privilegiado - sustentado pelo uso ininterrupto das diferentes fontes de energia - que ao longo do tempo tem promovido uma série de melhorias para a sociedade, alterando de certa maneira (ou totalmente) o estilo de vida no campo e na cidade em consequência das rápidas metamorfoses dos sistemas naturais e geopolíticos; o que, em contrapartida, também produz excedentes tais como a miséria humana, a poluição ambiental e a degradação ecológica. A realidade contemporânea é capaz de delinear claramente que auferir lucro e maximizar riqueza sem fomentar um processo permanente de expansão das liberdades substantivas dos seres humanos respeitando limites e regenerando não garante ao planeta ter as bases sólidas para um desenvolvimento qualitativo que perdure indefinidamente. 

Justificava-se no passado a necessidade de extrair os recursos da terra para produzir, poluir e progredir, pois a geração de resíduos da primeira era industrial tinha um poder de sobrecarga muito menor que a capacidade regenerativa da natureza. A intensificação de todo esse processo produtivo para atender às crescentes demandas de uma densidade global com 7 bilhões de pessoas - massa bastante ávida por matérias-primas, insumos, serviços, etc. - traduz perfeitamente a força dos nossos hábitos consumistas e como ela pode estar fora de controle.

Desde que Faraday, Edison e Tesla desenvolveram as correntes elétricas e fizeram o milagre da multiplicação da luz artificial o mundo nunca mais foi o mesmo, acendendo novas ideias e trazendo soluções; entretanto, o aumento da beligerância entre nações provocou duas grandes guerras mundiais (1914-1918; 1939-1945) e o bombardeamento atômico de Hiroshima e Nagasaki, que acabaram por gerar tensões nucleares e ondas migratórias da Europa e Ásia para a África e Américas, daí sucedeu-se o surgimento de uma grande potência chamada Estados Unidos, crescimento econômico em notável aceleração e adventos tecnológicos significativos a partir da década de 1950.

A reboque das mazelas humanas vieram os graves problemas ambientais posteriormente evidenciados no livro Primavera Silenciosa (1962), de Rachel Carson, através de um questionamento crítico e esclarecedor a respeito do uso indiscriminado de substâncias tóxicas na agricultura e perda de diversidade biológica.  O relatório Os Limites do Crescimento (1972) - elaborado por especialistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e coordenado por Donella Meadows - já alertava para o ritmo do desenvolvimento pós-guerra por meio de cinco parâmetros: 1) industrialização acelerada; 2) forte crescimento populacional; 3) insuficiência crescente da produção de alimentos; 4) esgotamento dos recursos naturais não renováveis; 5) degradação irreversível do meio ambiente. É no período entre 1969 e 1973 que ocorre o chamado Milagre Econômico Brasileiro cujo fato surpreendente foi o posicionamento do Brasil durante a Conferência de Estocolmo (1972) ao alegar que o desenvolvimento exponencial de um país terceiromundista e biodiverso legitimava a exploração progressiva do solo, dos mananciais, da flora e da fauna e que os países desenvolvidos deveriam arcar com o ônus ambiental (!!!) - o que soou como uma bomba em uma conferência que discutia o futuro do planeta.

Com a velocidade de um trem-bala, o homem avança pelos trilhos da evolução rumo a um destino incerto - já que não é possível prever um futuro climático menos pessimista que 2 graus Celsius com seus efeitos devastadores - e, incrivelmente, as marcas indeléveis do progresso da humanidade podem ser encontradas nos sedimentos das bacias hidrográficas do mundo inteiro. Assim como o Sol nasce todos os dias fazendo a manutenção da vida, o acelerado homem moderno não vive sem eletricidade e se esta liga e desliga todas as nossas práticas do cotidiano, a gestão ambiental é de fundamental importância para o controle das ações humanas sobre os serviços ecossistêmicos, a fim de que se possa apoiar uma abordagem preventiva aos desafios do milênio.

Em concordância com o economista Carlos Mussi (CEPAL/ONU), "todo passivo ambiental será um passivo fiscal no futuro. Se o Estado ou a sociedade não entrar, não tentar prever e atuar, o passivo ambiental não será pago apenas pelo princípio poluidor-pagador, isso será uma conta da sociedade, isso será um passivo fiscal via dívida para as futuras gerações".



Por: Gustavo Nobio. O autor é técnico em Meio Ambiente formado pela FUNCEFET (RJ) e voluntarioso promotor da Sustentabilidade; articulista, comunicador ambiental e administrador do site SenhorEco.org.

Geração Solar Cresce Mais que Todas as Demais Formas de Energia Pela Primeira Vez

A energia solar se expandiu mais rapidamente do que qualquer outra fonte de combustível pela primeira vez em 2016, informou a Agência Internacional de Energia, em relatório que sugere que a tecnologia dominará o campo de energias renováveis nos próximos anos. A instituição criada após a primeira grande crise do petróleo, em 1973, informou que 165 gigawatts de energias renováveis foram concluídos no ano passado, o que representou dois terços da expansão líquida da oferta de eletricidade. A energia solar cresceu 50 por cento, sendo que quase metade das novas plantas foram construídas na China

“O que testemunhamos é o nascimento de uma nova era dos painéis fotovoltaicos solares”, disse Fatih Birol, diretor-executivo da AIE, em comunicado que acompanha o relatório publicado em 04/10/2017, em Paris. “Estimamos que o crescimento da capacidade fotovoltaica solar será maior que o de qualquer outra tecnologia renovável até 2022.” 

Os números marcam o sexto ano consecutivo em que as energias limpas estabeleceram recordes em instalações. A fabricação em massa e o distanciamento dos governos em relação aos pagamentos fixos pelas energias renováveis reduziram o custo da tecnologia eólica e solar. 

A AIE estima que cerca de 1.000 gigawatts em energias renováveis serão instalados nos próximos cinco anos, marco alcançado pelo carvão apenas depois de 80 anos. Essa quantidade de eletricidade ultrapassa o consumo da China, da Índia e da Alemanha combinados. 

A ascensão da energia fotovoltaica na China se deve, em grande parte, ao apoio do governo às energias renováveis, exigido por uma população preocupada com a poluição do ar e com a degradação ambiental que provoca smogs mortais. O país busca reduzir sua dependência em relação ao carvão e se transformou no maior mercado mundial para energias renováveis, em particular a energia solar. 

“A história da energia fotovoltaica solar é chinesa”, disse Paolo Frankl, chefe da divisão de energia renovável da AIE. “A China é líder na fabricação há muito tempo. O que há de novo é a participação de mercado. Neste ano, foi equivalente à capacidade total instalada de painéis fotovoltaicos na Alemanha.” 

Os EUA e a Índia estão entre os demais países que vêm estimulando as energias renováveis. Somados à China, deverão responder por dois terços da expansão da energia limpa em todo o mundo. 

Apesar da promessa do presidente Donald Trump de reforçar a posição do carvão no mercado de energia, a expectativa é que os EUA sejam o segundo maior mercado para as energias renováveis. 

A AIE também projeta que os biocombustíveis assumirão um papel maior na indústria de transporte, superando os ganhos dos veículos elétricos. 

“Muita atenção foi dada nos últimos meses aos veículos elétricos, e com razão. Eles são cada vez mais globais, exponencialmente”, disse Frankl. “Mas tenho que dizer que não devemos nos esquecer dos biocombustíveis, que no fim de 2016 representavam 96 por cento do total do transporte renovável.” 

O número de veículos elétricos dobrará até 2022, mas os biocombustíveis ainda representarão 93 por cento das energias renováveis consumidas no setor de transporte, estima a AIE. Os combustíveis são necessários especialmente para veículos mais pesados, incluindo aviões e navios.

Por: Anna Hirtenstein (Bloomberg).

Cientistas Criam Célula Solar que Estica e Resiste a Lavagens

Célula fotovoltaica: ultrafina, flexível e lavável. (RIKEN Center for Emergent Matter Science/Divulgação).

No campo da saúde, fontes de energia compatíveis com materiais têxteis desempenham um papel crucial na criação de dispositivos portáteis. 

O advento da Internet das Coisas, baseada em rede de dispositivos que coletam e transmitem dados de forma autônoma via internet, traz a reboque um desafio: garantir energia de forma contínua para os dispositivos portáteis. 

Atentos ao problema e às oportunidades, pesquisadores da RIKEN, centro pesquisas laboratoriais avançadas do Japão, e da Universidade de Tóquio desenvolveram um novo tipo de célula fotovoltaica ultrafina, revestida por filmes flexíveis e impermeáveis. 

Mesmo depois de ser molhada em água ou esticada e comprimida, ela continua a fornecer eletricidade a partir da luz solar. 

O trabalho, publicado na revista Nature Energy [Stretchable and Waterproof Elastomer-Coated Organic Photovoltaics for Washable Electronic Textile Applications], pode abrir o caminho para o desenvolvimento de dispositivos solares portáteis, que fornecerão energia a gadgets como monitores de saúde incorporados na roupa. 

Segundo os pesquisadores, três características são importantes para o sucesso da energia fotovoltaica compatível com materiais têxteis: estabilidade em diferentes ambientes (tanto no ar como na água), eficiência energética e robustez mecânica (incluindo a resistência à deformação). 

No passado, foram feitas tentativas para criar células solares que poderiam ser incorporadas em tecidos, mas em geral o resultado deixava a desejar em pelo menos uma das propriedades importantes. 

Para testar a resistência do novo dispositivo, os pesquisadores mergulharam-no em água durante duas horas e o submeteram à compressão, e descobriram que ele ainda manteve 80 por cento da eficiência original. 

As células solares são super finas e flexíveis graças a um material chamado PNTz4T que a equipe de pesquisa desenvolveu em estudos anteriores. Além disso, elas receberam um revestimento especial de um polímero com propriedades “elásticas” em ambos os lados, que confere flexibilidade e impermeabilização, permitindo que a luz entre. 

“Ficamos muito satisfeitos ao descobrir que o nosso dispositivo possui uma grande estabilidade ambiental ao mesmo tempo que possui uma boa eficiência e robustez mecânica. Esperamos que esses sistemas fotovoltaicos laváveis, leves e flexíveis abram novo caminho para sensores portáteis e outros dispositivos”, disse em nota Kenjiro Fukuda, do RIKEN.

Por: Vanessa Barbosa (Exame).