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RJ Pode Economizar R$ 156 Milhões em Tratamento de Água Com Restauração de Florestas

Estudo indica que estação do Guandu reduziria gastos com produtos químicos e energia para tratamento da água. 

Um estudo apresentado em 13/12/2018 mostra que a Estação de Tratamento de Água Guandu, responsável pelo abastecimento de 92% da região metropolitana do Rio de Janeiro, pode reduzir substancialmente seus gastos se investir em restauração florestal. Plantar florestas pode resultar numa economia de R$ 156 milhões em 30 anos. 

O estudo Infraestrutura Natural para Água no Sistema Guandu, no Rio de Janeiro indica que se produtores rurais, empresas, o estado e a Cedae incentivarem o plantio de florestas em 3 mil hectares em áreas altamente degradadas – o que representa 1,4% da bacia –, a quantidade de terra, sujeira e sedimentos que chega aos rios reduziria em 33%, de maneira que a ETA Guandu deixaria de usar 4 milhões de toneladas de produtos químicos e 260 mil MWh em energia. 

— A floresta sempre forneceu muitos serviços ambientais. Ela tem a capacidade de manter a regulação climática, a qualidade da água, o ciclo hidrológico, ou seja, quando não existe a floresta, a água da chuva escorre suja e muito pouco se absorve por causa da lama. O verde serve como filtro da água, para que a chuva chegue à ETA "lavada" — explicou o coordenador do projeto, Rafael Feltran-Barbieri. 

A ETA Guandu trata 3,7 bilhões de litros de água por dia, o equivalente a 1.500 piscinas olímpicas por dia. Porém, devido a falhas no sistema e desvios, de cada 10 litros de água tratados, quatro se perdem, ou seja, a região metropolitana do Rio perde cerca de 375 piscinas olímpicas por dia, na avaliação de Barbieri

Ainda segundo o estudo, a restauração de 3.000 hectares de pastagens degradadas pouparia o uso de 4 milhões de toneladas de produtos químicos (Por dia são utilizados 140 toneladas de sulfato de alumínio), e 260 mil MWh (Megawatt hora), o que daria para gerar energia a uma cidade de 138 mil habitantes em um ano. Em 30 anos, um benefício de R$ 260 milhões se não contar com o investimento de cerca de R$ 103 milhões para o reflorestamento. 

O coordenador do estudo considera a infraestrutura natural complementar às estruturas convencionais. 

— Não é uma competição. A ETA e os reservatórios são fundamentais e necessários. Afinal, a demanda de água diária é muito alta e a floresta jamais seria capaz de prover essa quantidade gigantesca de água por dia — salienta. 

O estudo, apresentado no Museu do Amanhã, foi produzido pelo WRI Brasil, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e The Nature Conservancy (TNC), e contou com apoio de Fundação FEMSA, União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Instituto BioAtlântica (IBio) e Natural Capital Coalition.

Por: Giselle Ouchana (O Globo).

As 7 Forças Que Mudarão o Futuro da Economia Global

Atualmente, a produtividade econômica de algumas cidades da China é maior do que a de países inteiros. 

A chegada da internet no início dos anos 1990 é uma das últimas quebras de paradigma que transformaram profundamente a economia e a vida das pessoas. 

A internet foi uma mudança com impacto tão radical (ou quase tão radical) quanto teve uma vez o modelo heliocêntrico de Nicolau Copérnico ou a teoria da relatividade de Albert Einstein, argumenta Jeff Desjardins, editor do livro Visualizing Change: A Data-Driven Snapshot of Our World ("Visualizando a mudança: um retrato baseado em dados do nosso mundo", em tradução livre). 

No mundo dos negócios, acrescenta o fundador do site Visual Capitalist, a transformação tecnológica é a maneira mais óbvia de promover mudanças nos mercados. 

Mas também os novos consensos nesta área podem ser impulsionados por indivíduos (como Steve Jobs, Warren Buffett ou Jeff Bezos); modelos inovadores (como SpaceX, Uber ou Spotify); mudanças na mentalidade dos consumidores (como a inclinação para energias renováveis); ou alterações no equilíbrio da influência econômica no mundo (como a ascensão da China). 

"Isso significa que grandes oportunidades podem vir de qualquer lugar", diz Desjardins

"A mudança de paradigma de amanhã está acontecendo em algum lugar hoje", acrescenta. 

E pode vir de mãos dadas com o crescimento econômico da África, a explosão das criptomoedas, a onipresença da inteligência artificial, a revolução verde ou em qualquer outro fator, ressalta o editor. 

Nesta reportagem, selecionamos sete forças que vão mudar o futuro da economia, de acordo com as informações contidas no livro.



A tecnologia e o comércio se uniram de tal maneira que a informação se tornou mais valiosa do que os ativos físicos.

1. A invasão dos gigantes da tecnologia

Durante décadas, as empresas líderes no mundo focaram na produção industrial em série e em larga escala ou na extração e processamento de recursos naturais. É o caso de companhias como a Ford, General Electric e ExxonMobil

Ao longo do tempo, corporações da área de finanças, telecomunicações ou vendas de produtos de varejo entraram na lista das 10 empresas com valor de mercado mais alto. Mas agora a tecnologia e o comércio se uniram de tal maneira que a informação se tornou mais valiosa do que os ativos físicos. 

A mudança de paradigma se acelerou tão rapidamente que, nos últimos cinco anos, a lista das maiores empresas com ações negociadas na bolsa mudou radicalmente, como mostra o gráfico abaixo.


2. Aceleração do crescimento chinês

Embora não seja algo novo, chama a atenção a velocidade com que a economia e o desenvolvimento tecnológico chinês avançam. Atualmente, a produtividade econômica de algumas cidades da China é maior do que a de países inteiros. 

De fato, o país tem mais de cem cidades com mais de um milhão de habitantes. Elas foram desenvolvidas com base na criação de fábricas, na extração de recursos naturais ou no gerenciamento de dados. 

Um exemplo é o desenvolvimento observado em cidades ao redor do rio Yangtze, onde estão localizadas Xangai, Suzhou, Hangzhou, Wuxi, Nantong, Ningbo, Nanjing e Changzhou. Esta última, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,6 trilhões, superior ao da Itália

Por enquanto, as estimativas indicam que, entre 2017 e 2019, a China será a economia com a taxa de crescimento mais alta (35,2%) e que, até 2030, ultrapassará os Estados Unidos como líder na economia mundial.


3. Ascensão das megacidades

Nas próximas décadas, o crescimento populacional das cidades transformará a economia global. As projeções sugerem que haverá uma estabilização das taxas de natalidade nos países ocidentais e na China, enquanto será observado um boom demográfico e uma rápida urbanização em nações africanas e no restante da Ásia

Esse fenômeno, muito estudado, é conhecido como a ascensão das megacidades. 

Até o fim deste século, a África terá pelo menos 13 megacidades maiores do que Nova York.


4. O aumento da dívida

Estima-se que haja no mundo uma dívida acumulada de mais de US$ 240 trilhões, dos quais US$ 63 trilhões são empréstimos de governos. 

Os Estados Unidos, a Europa e algumas economias emergentes aumentaram seu nível de endividamento nos últimos anos, aproveitando o ciclo de baixas taxas de juros. Nos Estados Unidos, a dívida pública subiu recentemente, enquanto o déficit fiscal do país continua a crescer rapidamente. 

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o Japão tem uma dívida de 253%; Estados Unidos, de 105%; Espanha, de 98%; Reino Unido, de 85%; Brasil, de 74%; e México, de 46%, para citar alguns exemplos. 

E a nível global, os países que acumulam mais dívidas em relação aos outros são os Estados Unidos, o Japão e a China.


5. A velocidade da mudança tecnológica

Entre as grandes inovações tecnológicas da história moderna, estão, por exemplo, a criação da eletricidade, do telefone, do carro ou do avião. A massificação desses produtos levou, em alguns casos, várias décadas, considerando o tempo decorrido entre o desenvolvimento do primeiro protótipo e a ampla adesão por parte dos consumidores. 

Estima-se que no caso do carro foram cerca de seis décadas; do telefone, cinco; e dos cartões de crédito, mais de 20 anos. 

Hoje, no entanto, pode levar apenas alguns meses para o mercado adotar uma nova tecnologia. 

6. Barreiras comerciais 

Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo começou a eliminar progressivamente as barreiras comerciais entre os países. 

Mas essa tendência foi recentemente desafiada por países como os Estados Unidos que, em 2018, impuseram tarifas a vários produtos chineses, desencadeando uma guerra comercial de bilhões de dólares entre Washington e Pequim

A dúvida nesse sentido é se o mundo continuará avançando rumo ao livre comércio ou se vão surgir novas regras nas relações comerciais entre os países, fenômeno que o livro descreve como o "paradoxo comercial". 

7. A Revolução Verde

O uso crescente de energias renováveis se acelerou nos últimos anos, à medida que os custos de produção diminuíram e as tecnologias avançaram. 

Algumas projeções indicam que, em duas décadas, a energia solar e a eólica vão responder por quase metade da capacidade elétrica instalada no mundo. Outras sugerem que até o ano de 2047 haverá cerca de 1 bilhão de carros elétricos em trânsito pelo mundo. 

E o investimento global em energias mais limpas pode chegar a US$ 10,2 trilhões no ano de 2040, segundo as cifras apresentadas no livro.

Em duas décadas, a energia eólica e solar vão representar quase metade da capacidade elétrica instalada no mundo.

Fonte: BBC News.

Aumento da Contaminação do Solo Ameaça Segurança Alimentar

Segundo a FAO, cerca de 33% de todo o solo do mundo estão degradados, e seu estado está se deteriorando de forma alarmante.

É necessário adotar medidas urgentes para abordar a contaminação do solo e conter as múltiplas ameaças que isto representa para a inocuidade e para a segurança alimentar global, destacou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em celebração do Dia Mundial do Solo, lembrado em 5 de dezembro. 

Milhares de produtos químicos – produzidos comercialmente em grande escala –, resíduos plásticos e eletrônicos ou águas residuais não tratadas podem se converter em fontes de contaminação do solo, abrindo espaço para que os produtos contaminantes entrem na cadeia alimentar, com graves consequências à saúde e ao bem-estar da população. 

"Em torno de 33% de todos os solos estão degradados e se deteriorando em ritmo alarmante", alertou a diretora-geral adjunta da FAO, Maria Helena Semedo, na cerimônia do Dia Mundial do Solo, celebrada na sede do organismo da ONU, em Roma

"O solo atua como um filtro para os contaminantes. Mas quando sua capacidade amortecedora é superada, os contaminantes podem chegar ao meio ambiente e à cadeia alimentar. Isto prejudica a segurança alimentar ao fazer com que o consumo destes cultivos represente um risco", afirmou. 

"As atividades humanas são a principal fonte de contaminação do solo. Está em nossas mãos adaptar práticas para uma gestão sustentável do solo", acrescentou. 

Ao mesmo tempo, Semedo fez um pedido para que países "aumentem de forma significativa a investimento em solos saudáveis", destacando que "manter solos saudáveis ajuda a garantir alimentos inócuos e nutritivos e é essencial para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Fome Zero". 

Reutilizar, reciclar e reduzir 

Este ano, o tema do Dia Mundial do Solo é “Seja a solução para a contaminação do solo”, e a FAO forneceu uma série de recomendações sobre como reduzir a contaminação do solo em nível estadual, industrial e particular. 

Por exemplo, as cidades em crescimento estão produzindo montanhas de lixo, que terminam em aterros sanitários que se introduzem no solo. Deste lixo, 80% poderiam ser reciclados. 

À medida que o progresso tecnológico é acelerado, os dejetos eletrônicos são considerados uma nova ameaça emergente para os solos. A cada ano, são geradas 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos. A FAO recomenda doação ou reciclagem dos aparelhos velhos. 

Embora os produtos agroquímicos possam ajudar a satisfazer a crescente demanda mundial de alimentos, eles degradam agroecossistemas e deixam um legado de contaminação do solo. 

Quase 60% dos melhores solos agrícolas em 11 países europeus contêm resíduos de diversos pesticidas persistentes. Atualmente, metade destes pesticidas são ilegais. A FAO insta governos a promover a gestão responsável e sustentável dos produtos químicos usados na agricultura. 

Um terço do plástico produzido globalmente termina em nossos solos, com partículas plásticas que entram na cadeia alimentar e no meio ambiente. São necessárias políticas e regulamentações ambientais mais rígidas para evitar o uso excessivo de produtos químicos por parte da indústria. 

Além disso, todos podem ajudar a resolver o problema, simplesmente levado uma garrafa e uma bolsa de supermercado reutilizáveis e comprando produtos com embalagens reduzidas ou recicladas. 

Impacto econômico da perda do solo no Malauí: um novo estudo 

A FAO apresentou na semana passada os principais resultados de sua primeira avaliação econômica do impacto da erosão e da perda de nutrientes do solo. 

O estudo Soil and nutrients loss in Malawi: an economic assessment foi feito em um projeto-piloto no Malauí – financiado pela iniciativa de Pobreza e Meio Ambiente, realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela ONU Meio Ambiente. O estudo permite uma maior compreensão dos danos econômicos causados pela perda do solo. 

Segundo a avaliação, um aumento de 25% na perda do solo no Malauí resultaria na redução do PIB em 0,64%, o que equivale a cerca de 40 milhões de dólares ao ano. 

"A degradação do solo tem altos custos econômicos devido à perda da saúde do solo e à redução dos rendimentos agrícolas", afirmou Semedo. "Os contaminantes podem permanecer no solo durante décadas, o que faz com que a remoção seja extremamente custosa. A prevenção da contaminação do solo deve ser uma prioridade em todo o mundo".

Fonte: FAO.

Benefícios Para Saúde Superam Custos do Combate à Mudança Climática

Atingir as metas do Acordo de Paris para o clima poderia salvar cerca de 1 milhão de vidas por ano no mundo até 2050 com a redução da poluição do ar. As últimas estimativas dos principais especialistas também indicam que o valor dos ganhos em saúde decorrentes da ação climática seria aproximadamente o dobro do custo das políticas de mitigação em nível global, e que a relação custo-benefício é ainda maior em países como China e Índia

Um relatório da OMS lançado em 05/12/2018 na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP24) em Katowice, na Polônia, destaca por que as considerações de saúde são essenciais para o avanço da ação climática e delineia as principais recomendações aos formuladores de políticas. 

A exposição à poluição do ar provoca 7 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano, e custa cerca de 5,11 trilhões de dólares em perdas de bem-estar no mundo. Nos 15 países que mais emitem gases de efeito estufa, estima-se que os impactos da poluição do ar na saúde custem mais de 4% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Ações para atingir as metas de Paris custariam cerca de 1% do PIB global. 

"O Acordo de Paris é potencialmente o mais forte acordo de saúde deste século", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. "A evidência é clara de que a mudança climática já está tendo um impacto sério na vida e na saúde humana. Ameaça os elementos básicos que todos nós precisamos para uma boa saúde – ar limpo, água potável segura, estoque nutritivo de alimentos e abrigo seguro – e vai minar décadas de progresso na saúde global. Não podemos mais atrasar as ações". 

As mesmas atividades humanas que estão desestabilizando o clima da Terra também contribuem diretamente para a precariedade da saúde. O principal motor da mudança climática é a combustão de combustíveis fósseis, que também é um dos principais contribuintes para a poluição do ar. 

"O verdadeiro custo da mudança climática é sentido em nossos hospitais e em nossos pulmões. O ônus da saúde das fontes poluidoras de energia é agora tão alto que mudar para escolhas mais limpas e sustentáveis para o fornecimento de energia, transporte e sistemas alimentares efetivamente se paga", diz Maria Neira, diretora de Saúde Pública, Determinantes Ambientais e Sociais de Saúde da OMS. "Quando a saúde é levada em conta, a mitigação das mudanças climáticas é uma oportunidade, não um custo". 

Mudar para fontes de energia com baixo teor de carbono não só melhorará a qualidade do ar, mas também proporcionará oportunidades adicionais para benefícios imediatos à saúde. Por exemplo, a introdução de opções ativas de transporte, como o ciclismo, ajudará a aumentar a atividade física que pode ajudar a prevenir doenças como diabetes, câncer e doenças cardíacas. 

O Relatório Especial da COP24: Saúde e Mudança Climática da OMS fornece recomendações para os governos sobre como maximizar os benefícios de saúde para enfrentar as mudanças climáticas e evitar os piores impactos sobre a saúde desse desafio global. 

O documento descreve como países do mundo inteiro estão agora tomando medidas para proteger vidas dos impactos da mudança climática, mas aponta que a escala de apoio permanece totalmente inadequada, particularmente para os pequenos estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos. Foram alocados a projetos de saúde apenas 0,5% dos fundos multilaterais para o clima dispersos para a adaptação às mudanças climáticas. 

Os países da Ilha do Pacífico contribuem com 0,03% das emissões de gases de efeito estufa, mas estão entre os mais profundamente afetados por seus impactos. Para os países insulares do Pacífico, ações urgentes para lidar com a mudança climática são cruciais para a saúde de seu povo e sua própria existência. 

"Agora temos uma compreensão clara do que precisa ser feito para proteger a saúde das mudanças climáticas – desde instalações de saúde mais resilientes e sustentáveis a sistemas de alerta aprimorados para clima extremo e surtos de doenças infecciosas. Mas a falta de investimento está deixando os mais vulneráveis para trás", disse Joy St John, assistente da diretora-geral para Clima e Outros Determinantes de Saúde

O relatório pede que os países prestem contas da saúde em todas as análises de custo-benefício da mitigação das mudanças climáticas. Também recomenda que os países utilizem incentivos fiscais, como a precificação de carbono e subsídios para energia, a fim de incentivar os setores a reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa e poluentes atmosféricos. Além disso, incentiva as Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) a remover as barreiras existentes ao apoio a sistemas de saúde resilientes ao clima. 

A OMS está trabalhando com os países para:

• Avaliar os ganhos em saúde que resultariam da implementação das contribuições nacionalmente determinadas para o Acordo de Paris, e o potencial para maiores ganhos da ação mais ambiciosa necessária para atingir as metas de limitar o aquecimento global a 2ºC ou 1,5ºC. 

• Garantir sistemas de saúde resilientes ao clima, especialmente nos países mais vulneráveis, como Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID); e promover ações de mitigação da mudança climática que maximizem os benefícios imediatos e de longo prazo da saúde, sob uma iniciativa especial sobre mudanças climáticas e saúde nos PEID, lançada em parceria com a Secretaria da UNFCCC e a Presidência Fijiana da COP23 e operacionalizada pelo Plano de Ação sobre Mudança Climática e Saúde das Ilhas do Pacífico

• Acompanhar os progressos nacionais na proteção à saúde contra as mudanças climáticas e na obtenção dos cobenefícios de saúde das medidas de mitigação da mudança climática, por meio dos perfis de países da OMS/UNFCCC sobre clima e saúde, atualmente abrangendo 45 países, com 90 a serem concluídos até o final de 2019. 

Relatório Especial da COP24: Saúde e Mudança Climática da OMS

Recomendações

As partes da UNFCCC poderiam promover os objetivos de clima, saúde e desenvolvimento ao: 

• Identificar e promover ações que reduzam as emissões de carbono e a poluição do ar, bem como incluir compromissos específicos para reduzir as emissões de poluentes climáticos curtos em suas contribuições determinadas nacionais. 

• Assegurar que os compromissos para avaliar e salvaguardar a saúde na UNFCCC e no Acordo de Paris sejam refletidos nos mecanismos operacionais nos níveis nacional e global. 

• Remover barreiras ao investimento na adaptação da saúde à mudança do clima, com foco em sistemas de saúde resilientes ao clima e instalações de saúde inteligentes para o clima. 

• Envolver-se com a comunidade de saúde, a sociedade civil e os profissionais de saúde, a fim de ajudá-los a se mobilizar coletivamente para promover a ação climática e os cobenefícios para a saúde. 

• Promover o papel das cidades e dos governos subnacionais na ação climática que beneficia a saúde, dentro da estrutura da UNFCCC

• Monitorar formalmente e reportar os progressos de saúde resultantes de ações climáticas para os processos globais de governança do clima e da saúde e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas

• Inclusão das implicações para a saúde das medidas de mitigação e adaptação na política econômica e fiscal.

Fonte: ONU.

6 Maneiras de Remover a Poluição do Gás Carbônico do Ar

Desde a Revolução Industrial, nossa espécie já emitiu mais de 2 mil giga toneladas de dióxido de carbono na atmosfera [uma giga tonelada é um bilhão de toneladas métricas]. Esse manto espesso de gases de efeito estufa é a causa do aquecimento global que vivemos hoje. Se nada mudar, impactos climáticos como incêndios florestais, ondas de calor sufocantes e o aumento do nível do mar continuarão a se intensificar. 

Indispensável para combater a mudança climática é reduzir drasticamente as emissões – por exemplo, aumentando a energia renovável, a eficiência energética, interrompendo o desmatamento e restringindo super poluentes como os hidrofluorcarbonos (HFCs). A mais recente ciência climática nos diz, no entanto, que esses esforços por si só não são suficientes para evitar mudanças climáticas perigosas. Para manter a temperatura global subindo até 1,5 a 2 graus Celsius, o limite que os cientistas dizem ser necessário para evitar os piores impactos climáticos, precisaremos não apenas reduzir as emissões, mas também remover e armazenar carbono da atmosfera. Na verdade, a maioria dos cenários climáticos mostra que precisamos remover bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano até meados do século, ao mesmo tempo em que aumentamos as reduções de emissões. 

A remoção de carbono pode ser realizada de várias formas, desde novas tecnologias até práticas de manejo da terra. A grande questão é se essas abordagens podem fornecer a remoção de carbono na escala necessária nas próximas décadas. 

Nota: Este é um cenário conceitual consistente com uma chance de pelo menos 66% de limitar o aquecimento global a menos de 2°C. Algumas emissões brutas residuais de gases de efeito estufa (CO2 e não-CO2) permanecerão no final do século, mesmo com uma ação climática ambiciosa, porque são muito difíceis ou dispendiosas para serem removidas completamente. Uma vez que as emissões negativas excedam aquelas que permanecem, as emissões líquidas zero são atingidas. Reduções de emissões mais rápidas e/ou mais profundas poderiam moderar o papel da remoção de carbono; reduções de emissões mais lentas e/ou mais fracas aumentariam a necessidade de remoção de carbono. 

Cada abordagem enfrenta seus próprios desafios e limitações. A nova série de estudos do WRI explora as possibilidades e os desafios de usar a remoção de carbono para combater as mudanças climáticas. Aqui estão seis opções: 

1) Florestas 

A fotossíntese remove dióxido de carbono naturalmente – e as árvores são especialmente boas para armazenar o carbono removido da atmosfera pela fotossíntese. Expandir, manejar e restaurar florestas existentes para incentivar mais absorção de carbono podem alavancar o poder da fotossíntese para converter o dióxido de carbono do ar em carbono armazenado em madeira e solos. Os cientistas dizem que o potencial de remoção de carbono para essas medidas nos Estados Unidos é de centenas de milhões de toneladas por ano. Por exemplo, cada acre de terra restaurada para a floresta temperada pode sequestrar cerca de 3 toneladas métricas de CO2 por ano. Essas abordagens podem ser relativamente baratas (geralmente menos de US$ 50 por tonelada métrica) e produzir água e ar mais limpos ao mesmo tempo. 

Um grande desafio é garantir que a expansão da floresta em uma área não aconteça às custas de florestas em outros locais. Por exemplo, o reflorestamento das terras agrícolas reduziria a oferta de alimentos. Isso pode exigir a conversão de outras florestas em terras agrícolas, a menos que melhorias na produtividade agrícola possam preencher essa lacuna. Da mesma forma, não colher madeira de uma floresta pode resultar em exploração excessiva em outra. Essas dinâmicas fazem a restauração e o manejo de florestas existentes e o reflorestamento de terras fora das terras agrícolas, especialmente importante. 

2) Fazendas 

Os solos naturalmente armazenam carbono, mas os solos agrícolas estão com um grande déficit nesse aspecto devido ao uso intensivo. Como a terra agrícola é extensa – mais de 900 milhões de acres apenas nos Estados Unidos –, mesmo pequenos aumentos no carbono do solo por acre, se puderem ser feitos, podem ser impactantes. Aumentar a presença de carbono no solo também é bom para agricultores e pecuaristas, pois contribui para a saúde do solo e para a produtividade das culturas. Plantar mais árvores nas fazendas também pode ajudar a remover o carbono, além de oferecer outros benefícios, como sombra e forragem para o gado. 

Existem muitas maneiras de aumentar o carbono nos solos. O plantio de culturas de cobertura quando os campos estão vazios pode estender a fotossíntese ao longo do ano, sequestrando cerca de meia tonelada de CO2 por acre por ano. O uso de adubo pode melhorar os rendimentos, enquanto se armazena o conteúdo de carbono do adubo no solo. Os cientistas também estão trabalhando para criar culturas com raízes mais profundas, tornando-as mais resistentes à seca, enquanto depositam mais carbono no solo. 

Manejar solo para carbono em larga escala, no entanto, é uma proposta complicada. Os sistemas naturais são inerentemente variáveis, e isso torna um verdadeiro desafio prever, medir e monitorar os benefícios do carbono de longo prazo de qualquer prática em um determinado acre. A eficácia de algumas práticas também está sujeita a um contínuo debate científico. Além disso, mudanças nas condições ou práticas de gestão de ano para ano poderiam apagar os ganhos anteriores. E porque muitas terras agrícolas seriam necessárias para remover uma quantidade significativa de carbono, os governos e outros atores precisariam criar as condições adequadas para que os proprietários de terras armazenassem mais carbono. 

3) Bioenergia com captura e armazenamento de Carbono 

O BECCS (sigla em inglês) é outra forma de usar a fotossíntese para combater as mudanças climáticas, mas o processo é mais complicado do que plantar árvores ou gerenciar solos – e nem sempre funciona para o clima. BECCS é o processo de utilização de biomassa para energia nos setores industrial, de energia ou de transporte; capturar o carbono incorporado antes de ser lançado de volta à atmosfera; e depois armazená-lo no subsolo ou em produtos de vida longa, como concreto. Se o BECCS faz com que mais biomassa cresça em relação ao quanto cresceria de outra forma, ou mais carbono seja armazenado onde seria de outra forma liberado de volta para a atmosfera, ele pode fornecer uma remoção líquida de carbono. 

Mas nem sempre é fácil determinar se essas condições foram cumpridas. Além disso, se o BECCS depende de culturas de bioenergia, pode deslocar a produção de alimentos ou ecossistemas naturais, eliminando os benefícios climáticos aparentes e exacerbando a insegurança alimentar e a perda de ecossistemas. 

Algumas formas de BECCS converteriam resíduos como resíduos agrícolas ou lixo em combustível. Essas matérias-primas podem ser essenciais para o futuro do BECCS, uma vez que não exigiriam o uso dedicado da terra. Mesmo assim, a conta tem que estar certa - e há muitas maneiras de errar – ou o BECCS pode não fornecer os benefícios climáticos esperados. 

4) Captura direta do ar 

A captura direta do carbono presente no ar é o processo de depurar quimicamente o dióxido de carbono diretamente do ar ambiente e, em seguida, armazená-lo no subsolo ou em produtos de vida longa. Essa nova tecnologia não é diferente da tecnologia de captura e armazenamento de carbono para várias fontes de emissões, como usinas de energia e instalações industriais. A diferença é que a captura direta de ar remove o carbono da atmosfera em vez de reduzir as emissões. É relativamente simples medir e explicar os benefícios climáticos da captura direta de ar e sua escala potencial de implantação é enorme. Mas a tecnologia ainda é cara e consome muita energia. Muitas vezes é difícil definir os custos de novas tecnologias, mas um estudo recente estima que custaria entre US$ 94 e US$ 232 por tonelada métrica. As estimativas anteriores foram maiores. 

A captura direta de ar também requer insumos substanciais de calor e energia – a lavagem de 1 giga tonelada de dióxido de carbono do ar exigiria cerca de 7% de toda a produção projetada de energia dos EUA em 2050. A tecnologia também precisaria ser alimentada por fontes de energia de baixo ou zero carbono para resultar na remoção líquida de carbono. 

Investir em desenvolvimento tecnológico e experiência de implantação, juntamente com o progresso contínuo na implantação de energia limpa e barata, pode fazer avançar as perspectivas de captura direta de ar em larga escala. Várias empresas já desenvolveram sistemas de trabalho direto de captura de ar, apesar da quase ausência de incentivos públicos em pesquisa e desenvolvimento com a tecnologia. O resultado é que a captura direta de ar ainda é uma tecnologia nova, e esses sistemas são apenas os primeiros do tipo. 

5) Captura na água do mar 

A captura do carbono presente na água do mar é semelhante à captura direta do ar, exceto pelo fato de que o CO2 é extraído da água. Ao reduzir a concentração de CO2 no oceano, a água extrai mais carbono do ar para recuperar o equilíbrio. A água marítima é uma solução mais concentrada de CO2 do que o ar ambiente, o que significa que menos trabalho é necessário para separá-la do que na captura direta de ar. Mas a água do mar também é consideravelmente mais pesada que o ar, o que significa mais trabalho para movê-la pelo sistema. A captura de água do mar também terá que lidar com as complexidades adicionais da implantação de tecnologia em ambientes marítimos adversos. 

A Marinha dos EUA já desenvolveu um protótipo de dispositivo de captura de água do mar. Como o CO2 pode ser convertido em combustível pela adição de energia (e alguns navios da Marinha tendem a ter a bordo reatores nucleares), tal tecnologia poderia permitir que as embarcações criassem seu próprio combustível e evitassem parar para reabastecer. É claro que, se o carbono capturado for convertido em combustível e queimado, ele simplesmente retornará à atmosfera, mas as futuras aplicações desse tipo de tecnologia poderão fornecer armazenamento de longo prazo para o carbono capturado. 

6) Reforço do intemperismo 

Alguns minerais reagem naturalmente com CO2, transformando carbono de um gás em sólido. O processo é comumente chamado de "intemperismo" e normalmente ocorre muito lentamente – em uma escala de tempo geológica. Mas os cientistas estão descobrindo como acelerar o processo, especialmente aumentando a exposição desses minerais ao CO2 no ar ou no oceano. Isso poderia significar bombear água de fonte alcalina do subsolo para a superfície onde os minerais podem reagir com o ar; mover o ar através de grandes depósitos de resíduos de mineração – pedras que sobraram das operações de mineração – que contêm a composição mineral correta; esmagar ou desenvolver enzimas que retenham depósitos minerais para aumentar sua área de superfície; e encontrar maneiras de resistir a certos subprodutos industriais, como cinzas volantes, poeira de fornos ou entulho de ferro e aço. Os cientistas demonstraram que reforçar e acelerar o processo de intemperismo é possível, mas há mais trabalho a ser feito para mapear aplicações rentáveis e cautelosas dessa abordagem. 

O futuro da remoção de carbono

Não sabemos hoje quais dessas estratégias podem garantir a remoção de carbono em grande escala no futuro e que, em última análise, pode ser menos útil. Cada abordagem oferece promessas e desafios. Mas o que sabemos é que, se quisermos evitar níveis perigosos de aquecimento global, capturar e armazenar carbono já no ar deve fazer parte da estratégia climática em todo o mundo. É hora de começar a investir nas opções de métodos de remoção de carbono – em pesquisa, desenvolvimento, demonstração, implantação em estágio inicial e condições de capacitação – para que elas se tornem opções viáveis na escala que precisamos nas próximas décadas.

Por: James Mulligan, Gretchen Ellison e Kelly Levin. Fonte: World Resources Institute.

Ratos e Pombos Estão Tomando Lugar de Outras Espécies Por Causa da Ação Humana, aponta estudo

Animais 'icônicos' estão sendo substituídos por espécies 'cosmopolitas' encontradas em toda parte, diz pesquisa. 

O uso da terra para a agricultura e a construção de cidades estão favorecendo as mesmas espécies em todos os lugares. É o que mostra uma nova pesquisa publicada na revista científica PLOS Biology [Widespread winners and narrow-ranged losers: Land use homogenizes biodiversity in local assemblages worldwide]. 

Animais como ratos e pombos estão tomando o lugar de outros, como os tigres, que podem sobreviver apenas em certos habitats. Os pesquisadores analisaram 20 mil animais e plantas em 81 países. E descobriram que as espécies mais comuns da fauna e flora tendem a aumentar em lugares modificados pelo homem – sejam plantações florestais, terras agrícolas, pastagens e ambientes urbanos. No entanto, as espécies geograficamente raras acabam sendo afetadas negativamente. 

"Mostramos em todo o mundo que quando os humanos modificam habitats, essas espécies únicas são consistentemente perdidas e substituídas por espécies encontradas em todos os lugares, como pombos em cidades e ratos em áreas agrícolas", disse Tim Newbold, pesquisador da University College London (UCL), no Reino Unido


Efeito homogenizador: a forma como os homens usam a terra está beneficiando as mesmas plantas e animais.

Um dos autores, o pesquisador Andy Purvis, do Museu de História Natural de Londres, comparou as mudanças na biodiversidade com o que está acontecendo nas avenidas comerciais do Reino Unido

"Como os pequenos varejistas independentes estão fechando as portas, as grandes redes estão tomando conta", disse ele. 

"Isso faz todas as cidades parecerem iguais, e é mais difícil dizer onde você está. Da mesma forma, as pessoas estão afetando a natureza em todos os lugares que vão, e em toda parte há espécies locais que estão lutando para sobreviver." 

Animais como os ratos são beneficiados pela ação humana.

As descobertas do estudo são importantes para os esforços de conservação da fauna e da flora porque espécies que vivem apenas em pequenas áreas já correm normalmente um risco maior de extinção do que espécies que se adaptaram para viver em todo o mundo. 

Pesquisas anteriores mostraram que animais e plantas geograficamente raros também apresentam papéis distintos e importantes dentro do ecossistema, e podem ser vitais para a nossa segurança alimentar.

Por: Helen Briggs (BBC News).

Projeto no Rio de Janeiro Une Proteção Ambiental e Inovação Social

Iniciativa BIG 2050 fomenta e capacita soluções sociais para os problemas ambientais da paradisíaca e turística Baía da Ilha Grande

A zona costeira brasileira estende-se por mais de 8,5 mil quilômetros ao longo de 17 estados e mais de quatrocentos municípios. Ela abriga uma grande diversidade de ecossistemas, que vão de estuários, dunas de areia e restingas a manguezais e recifes de corais entre outros ambientes que são, muitas vezes, extremamente frágeis, importantes do ponto de vista ecológico e donos de uma rica biodiversidade. 

Ao mesmo tempo, essas regiões servem de fonte de sustento de populações costeiras tradicionais, atraem centenas de milhares de turistas todos os anos e, com eles, toda uma infraestrutura de serviços, que acabam gerando pressões crescentes no ambiente, com prejuízos para a natureza e as pessoas. 

Não precisa ser assim. Da idílica Baía da Ilha Grande, que engloba as turísticas praias de Paraty e Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro, vem um exemplo inspirador de estratégia de gestão ambiental que concilia desenvolvimento local e preservação com ajuda da própria sociedade: a Iniciativa BIG 2050

Fruto de uma cooperação entre a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), a Iniciativa BIG 2050 promove a conservação e o uso sustentável da Baía por meio de duas frentes: o Radar BIG e o Desafio BIG. Ela se baseia na atuação do Projeto Gestão Integrada do Ecossistema da Baía da Ilha Grande, iniciado em 2012 e finalizado em 2017, e busca expandir trabalhos semelhantes no médio e longo prazo na região. 

Duas frentes 

O Radar BIG é uma plataforma de monitoramento dos serviços ecossistêmicos da Baía da Ilha Grande que permite identificar as maiores sensibilidades na saúde ambiental da região. Congrega dados de parceiros de monitoramento como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, sociedade civil organizada, órgãos governamentais e setor privado, mais de 20 indicadores ambientais e socioeconômicos e um grupo de especialistas de diferentes áreas de pesquisa e gestão que analisam os resultados e definem alvos prioritários de atuação. 

O Radar BIG divulgou o monitoramento ambiental atualizado da Baía, que trouxe dois pontos de preocupação: a redução na balneabilidade das praias da região e incidências frequentes de necrose e branqueamento parcial entre as amostras de corais nativos analisadas. 

Já o Desafio BIG é um mecanismo de incentivo focado na promoção de ações inovadoras de conservação e proteção da saúde ambiental da região. Seu foco principal é "atacar" aspectos relacionados às ameaças aos serviços ecossistêmicos da região. Com base no resultado do Radar, são definidos os alvos de atuação que orientam chamadas à sociedade para a cocriação de soluções ambientais. As propostas selecionadas recebem financiamento e capacitação para atuar sobre os alvos, melhorando a saúde ambiental do território. 

Em 2017, o desafio contou com 160 soluções inscritas, das quais 32 foram aprovadas na segunda etapa, 13 na terceira, e 11 soluções foram apoiadas na fase final. As soluções são tão diversas quanto os desafios e reúnem projetos de turismo comunitário, ações que valorizam o modo de vida caiçara, trabalhando com novas perspectivas que incorporem o valor da conservação; projetos de apoio à cadeia produtiva da maricultura (produção de algas marinhas) e iniciativas de combate à poluição por óleo combustível dos barcos.

"Quando abrimos o edital, surgiram várias soluções inovadoras para temáticas diversas, que nem imaginávamos. Isso mostra que dentro da sociedade há pessoas que querem ser protagonistas em questões ambientais e que trazem perspectivas de negócios sustentáveis", conta Tiago Franca, gerente do Projeto BIG junto à Organização das Nações Unidas

"E isso é ótimo, porque é necessária uma visão holística para resolver problemas socioambientais complexos", acrescenta. Nessa primeira rodada do desafio, 8 soluções receberam um aporte de 50 mil reais e três receberam 20 mil reais. O mais legal é que todas as ideias e projetos apresentados desde a primeira etapa passaram por capacitação, mentoria e construíram uma rede de relacionamentos importantes na seara de negócios sustentáveis. Então mesmo quem não recebeu aporte aprendeu no processo. 

"O desafio é conseguir com que esse modelo seja mais disseminado na sociedade, começando na escola. É muito importante para gente criar uma ambiente favorável para inovação social. A solução e protagonismo pode vir de dentro da sociedade em nível local, afinal a preservação do meio ambiente e seu uso sustentável estão ligados à qualidade de vida das pessoas", afirma Franca

Para aprimorar os sistemas de monitoramento ambiental e realizar o próximo desafio para identificar mais soluções locais, o Projeto BIG está em busca de recursos. Sua primeira fase, entre 2012 e 2018, contou com 3 milhões de dólares do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e uma contrapartida de 27 milhões de dólares do governo fluminense para ações em várias áreas, que vão desde o planejamento institucional até o fortalecimento das áreas protegidas da região. 

Para os próximos anos, a ideia é criar um fundo filantrópico, que capte recursos de doações de outras fontes, além de buscar financiamento no setor público. A ideia é que esse modelo possa ser sustentável economicamente, e, para isso, segundo Franca, seriam necessários 2 milhões de reais por ano para alavancar soluções de negócios sustentáveis e projetos que contribuam para a preservação local.

Por: Vanessa Barbosa (Exame).

Aquecimento Global Pode Ter Impacto Negativo na Saúde, aponta relatório

Documento assinado por 27 entidades faz prognóstico de mais problemas cardiovasculares e renais. 

"A saúde da população brasileira está ligada à Floresta Amazônica", afirma um amplo relatório sobre o efeito das mudanças climáticas sobre a saúde humana. Problemas mentais, riscos cardiovasculares e doenças transmitidas por vetores podem ser agravados pelo que virá a ser o clima no futuro. 

As conclusões fazem parte do estudo Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change (em tradução livre, "acompanhando os progressos em saúde e mudanças climáticas"), lançado anualmente desde 2016. 

O estudo recém-publicado conta com a participação de 27 instituições, da ONU e de agências governamentais de todos os continentes. 

O relatório — especificamente a parte que fala sobre o Brasil — afirma que, mesmo não levando em conta dados sobre desmatamento, o caso brasileiro merece menção para ilustrar as relações críticas entre mudança climática, destruição de florestas e saúde.  

As mudanças do uso da terra — desmatamento, em linhas gerais —, junto à agropecuária, eleva as emissões do país e, consequentemente, contribui para o aquecimento global. 

"Muitas vezes não relacionamos o quão grave é desmatar e quanto isso afeta a saúde das pessoas, quanto reduz a expectativa de vida", diz Mayara Floss, uma das pesquisadoras que escreveu o documento. 

No caso do Brasil, dados mostram que há relação entre o fogo na Amazônia, doenças respiratórias e o aumento de admissões em hospitais durante o período de queimadas. 

"Para cada quilômetro quadrado de mata que derrubamos, há descobertas que deixamos de fazer", diz Floss, membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, uma das organizações que participou do estudo — junto aos também brasileiros Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). 

Em nível global, o estudo da Lancet afirma que as tendências apontam um "risco inaceitável" à saúde atual e futura da população. 

Por exemplo, as ondas de calor estão entre os principais elementos que podem trazer problemas à saúde. Segundo a pesquisa, em 2017 (em comparação a 2000), 157 milhões de pessoas a mais foram atingidas de alguma forma. No Brasil, observa-se que essas ondas foram mais intensas nos anos de 2014 e 2015 e calcula-se que a Amazônia deve ser particularmente impactada pelas altas temperaturas no futuro. 

As regiões mais propensas às complicações de saúde, porém, são Europa e o Mediterrâneo oriental. Espera-se que haja aumento de problemas cardiovasculares e renais, por exemplo. 

Uma das explicações para a susceptibilidade é a presença nessas áreas de populações com mais de 65 anos vivendo em áreas urbanas, o que aumenta os riscos. Crianças, mulheres grávidas e pessoas com diabetes e doenças respiratórias crônicas também são consideradas mais vulneráveis às ondas de calor. 

Fora os problemas de saúde, a força de trabalho também será impactada. O relatório documenta que, em 2017, 153 bilhões de horas de trabalho foram perdidas por esse motivo. Quem mais sofre com isso no Brasil são os trabalhadores agrícolas.

Emissões de gases-estufa


Os efeitos das mudanças climáticas já podem ser vistas no presente em eventos como os incêndios que se alastraram pela costa oeste dos EUA e nas mortes recentes na Europa devido ao calor. 

Para o Brasil e América Latina, além de inundações e secas, outra grande preocupação são doenças transmitidas por vetores — leia-se dengue, febre amarela, zika, chikungunya e outras arboviroses. 

De acordo com o relatório, em 2016, a capacidade de transmissão dos vetores da dengue (considerando que a distribuição de mosquitos transmissores é afetada por temperatura, chuvas e grau de urbanização) foi a maior já registrada na história. No Brasil, entre 1950 e 2010, a do Aedes aegypti aumentou 6% e a do Aedes albopictus, silvícola, em 11%. 

O impacto das mudanças climáticas sobre a saúde mental também foi abordado. Dependendo da intensidade, frequência e duração de eventos extremos, pode-se ter um aumento no problema. O estudo afirma que há evidências de que ondas de calor podem fazer crescer o número de suicídios. 

A pesquisa conclui que, mesmo já havendo preocupação em fóruns mundiais quanto ao tema, as adaptações para o novo panorama ainda são lentas e dispõem de menos recursos do que o desejável.

Por: Phillippe Watanabe (Folha de S. Paulo).

Cresce a Importância dos Selos na Cadeia de Produção

Localizada atrás de uma porteira branca, em uma estreita estrada de terra que cruza a BR 462, encontra-se a fazenda de Arinaldo Ribeiro de Oliveira, mais conhecido como Seu Arinaldo. A propriedade situa-se no chamado Cerrado mineiro, região conhecida como uma das maiores produtoras de café no Brasil e que abrange um total de 210 mil hectares de área de produção. 

O fazendeiro, natural do município de Patrocínio, Minas Gerais, vive em sua pequena fazenda de 15 hectares, sendo 11 exclusivos para a plantação de café. Há mais de 40 anos, ele sustenta sua família com o dinheiro que obtém da venda de sua produção, sendo um de seus principais clientes a Nespresso, do Grupo Nestlé

A fazenda do Seu Arinaldo ainda não é certificada, mas para que estivesse apta a produzir café para a Nespresso, teve de começar a seguir o Programa de Qualidade Sustentável AAA – mais conhecido como Triple A, uma série de critérios básicos de produção exigidos pela própria Nespresso, e que atestam a sustentabilidade tanto ambiental quanto social da propriedade. 

No momento, ele está fazendo todo possível para adequar sua fazenda e torná-la apta a receber o selo de certificação da Rainforest Alliance, um tipo de certificação socioambiental internacional que tem como objetivo garantir a diversidade, qualidade do produto e meios de vida sustentáveis da propriedade. Mas por que a obtenção da certificação é tão importante para o Seu Arinaldo?

A certificação socioambiental é um instrumento criado a fim de testar e garantir boas práticas dentro de empreendimentos. A demanda por esse tipo de instrumento veio diretamente do consumidor, em busca da certeza de que, ao comprar determinado produto, não estaria incentivando indiretamente danos ambientais ou sociais. 

Em outras palavras, o consumidor queria a garantia de que não estaria poluindo rios e solos ao comprar um produto de limpeza vindo de uma indústria que não descarta corretamente o esgoto, por exemplo, ou de que, ao renovar seu guarda-roupa, não estaria comprando roupas de uma fábrica que incentiva o trabalho infantil ou análogo à escravidão. Foi a partir dessa preocupação que surgiram os selos de certificação. 

Grandes empresas como a Nespresso e a Natura, preocupadas em manter seus valores e em não fazer parte de uma cadeia de produção que possui fornecedores com práticas duvidosas, resolveram adotar critérios mais rígidos para com seus fornecedores, criando os próprios padrões de produção (caso do Triple A da Nespresso) ou só comprando produtos de empreendimentos que possuem certificações socioambientais. Assim, mesmo que Seu Arinaldo consiga fornecer café para a Nespresso, a obtenção do selo de certificação Rainforest abriria ainda mais portas para o fazendeiro, garantindo o reconhecimento internacional da qualidade de seu produto e, principalmente, a sustentabilidade socioambiental de sua propriedade. 

No caso da cadeia de produção do café, as certificações mais reconhecidas no Brasil são a UTZ e a Rainforest Alliance, segundo Guilherme Amado, gerente de projeto do café verde na Nespresso Brasil. Esses selos surgiram no país em 2002, época em que as fazendas começaram a se adequar às diversas demandas que surgiam entre os consumidores e têm se tornando cada vez mais requisitadas

Para manter o controle e manutenção das certificações, as propriedades passam por processos de auditoria. Segundo Amado, existem dois tipos de auditoria: as individuais, feitas em uma só propriedade, e as que são realizadas em grupo, entre várias propriedades. 

No que se refere às individuais, são realizadas duas auditorias por ano: uma interna, aplicada por um agrônomo de uma cooperativa ou exportadora (comercializadora) do produto em questão; e outra externa, que é realizada pelo próprio Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), representante no Brasil da Rainforest Alliance e dos principais selos de certificação. Ambos os processos têm como objetivo verificar se a fazenda em questão continua seguindo os critérios estabelecidos pelo selo na qual ela é certificada. 

Já as auditorias coletivas passam por um processo que, apesar de semelhante em alguns aspectos, possui a diferença de que são realizadas a partir de uma amostra, além de haver uma corresponsabilidade entre os membros pertencentes àquele conjunto: uma ou mais fazendas que fazem parte do grupo são escolhidas de forma aleatória para que a auditoria presencial seja realizada. Caso haja alguma inconformidade em alguma das fazendas-membro, todas as demais também saem prejudicadas. Mas também existem vantagens, como a redução do preço do processo de auditoria e a existência de um conhecimento colaborativo criado pelo grupo. 

Para que as auditorias sejam realizadas, é preciso que as propriedades sigam corretamente os processos de rastreabilidade que, por definição, é a manutenção de registros de um processo, seja ele físico, seja financeiro. Entretanto, independentemente do tipo de rastreabilidade a que se está referindo, faz-se necessária a anotação de todos os processos e circunstâncias de produção. 

Na fazenda de Seu Arinaldo, por exemplo, existe uma determinada quantidade de talhões de café. Antes da colheita, é necessário anotar tudo o que acontece em cada talhão, desde os níveis de umidade da terra até a presença de defensivos químicos. Assim que esse produto vai para a secagem, ele é novamente controlado, agora com medidas de peso e tamanho. A rastreabilidade da cadeia de custódia continua ao longo de todo o processo, acompanhando todos os passos e mudanças que eventualmente ocorram com o produto em questão. Todas essas informações são anotadas, compiladas e compartilhadas com o auditor anualmente, permitindo-o avaliar o desempenho de suas sacas. 

Uma das grandes questões colocadas é justamente que o processo de rastreabilidade é feito manualmente, caracterizando-se como uma etapa demorada e pouco eficiente. César Júnior, funcionário da exportadora e comercializadora de café Stockler, afirma que o processo poderia ser muito mais fácil, caso fosse integrado a um aplicativo, e talvez seja este o maior gargalo do processo produtivo certificado. 

Um grande desafio é a obtenção de certificação para pequenos produtores como Seu Arinaldo, mesmo quando a auditoria é feita em grupo. Por conta do rigor dos critérios, torna-se bastante custoso manter os padrões exigidos e, ao mesmo tempo, arcar com o valor da certificação por auditoria. Dado esse cenário, produtores passam a procurar novos meios para obter o reconhecimento de origem dos seus produtos. 

A produção de produtos agroecológicos e orgânicos exige uma série de prerrogativas, que observam desde os produtos utilizados no solo, como fertilizantes e defensivos naturais, a até uma relação sustentável não apenas com o meio ambiente, mas sobretudo com a sociedade. A necessidade de garantir que os produtos estejam de acordo com os padrões exigidos impulsiona a criação de diferentes formas de certificação desses processos. 

Para os produtores, a certificação é vista como forma de agregar valor ao produto, tornando-o mais atrativo no mercado e proporcionando uma maior rentabilidade na venda. A partir dos selos, os produtos passam a ter mais credibilidade nas prateleiras, permitindo uma maior comercialização. 

"Com a certificação poderíamos vender nossos produtos em Manaus e aumentar a produção, trazendo mais gente para trabalhar com a gente", aponta Maria de Jesus Pascoal, produtora de alimentos orgânicos de Manaus

Maria de Jesus é uma agricultora de alimentos orgânicos que ainda não possui certificado para seus produtos. Segundo ela, o processo de certificação é difícil, uma vez que há uma série de exigências às quais os pequenos produtores devem se adequar. Segundo a Lei nº 10.831, de 2003, mais conhecida como Lei dos Orgânicos, para que um produto possa ser comercializado como orgânico é necessário que tenha um certificado concedido por uma instituição reconhecida legalmente. 

Entretanto, em casos de comercialização direta entre produtores familiares e consumidores, é possível que a certificação seja facultativa. Para que isso seja viável, é necessário que esses produtores estejam "inseridos em processos próprios de organização e controle social, previamente cadastrados junto ao órgão fiscalizador", segundo o inciso primeiro do artigo terceiro. 

Isso possibilitou a existência de outra forma de certificação, o Sistema Participativo de Garantia (SPG). Tal sistema é formado por Organizações de Controle Social (OCS), sendo que cada uma possui seus grupos de base, estes por sua vez são formados por pequenos grupos de produtores de agricultura familiar que exercerão o monitoramento conjunto dos processos de produção. Cada grupo assume uma responsabilidade coletiva, na qual todos os membros são responsáveis por garantir o cumprimento das etapas de produção conforme as normas preestabelecidas por lei. Esse sistema consiste na concessão de um certificado coletivo para os membros do grupo. Mais que isso, trata-se de um instrumento de empoderamento dos pequenos produtores. 

Nesse sistema de certificação, há um mecanismo de visita de pares, em que os próprios membros acompanhados de dois ou mais técnicos, realizam visitas anuais nas propriedades dos integrantes do grupo. Essas visitas funcionam como uma verificação das propriedades. Além disso, todos os produtores devem apresentar um Plano de Manejo do Orgânico, especificando quais serão as áreas produtivas, quais serão as culturas desenvolvidas, entre outras especificidades. 

O Sistema Participativo de Garantia é auditado a partir da amostragem pelo Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento (MAPA), com o objetivo de verificar se o sistema está seguindo a legislação. O SPG segue a mesma lógica das auditorias coletivas, se um dos membros da OCS não estiver em conformidade com os padrões, todo o grupo perde o certificado. Como mencionado, são observadas não apenas questões ambientais e do uso de agroquímicos, como também questões sociais nos processos produtivos. 

José Rodrigues Pinto, pequeno produtor membro do sistema de OCS da Associação de Produtores Orgânicos do Amazonas (Apoam) e membro da SPG da Associação Maniva de Certificação Participativa, conta quais são os itens observados na visita de pares. Ele destaca alguns: se há lixo espalhado na propriedade com risco de contaminar a produção; se há cães, principalmente nas áreas de plantio de folhagens; se é feita a higienização dessa produção para que ela possa ser comercializada; se a mão de obra é terceirizada ou familiar; e se há crianças deixando de ir para a escola para ajudar os pais. 

Esse sistema alternativo de certificação enfatiza as relações de confiança entre os membros das OCS. Por ser um sistema de corresponsabilidade, o SPG promove uma lógica inversa à das certificadoras, pois não há uma relação de hierarquia, mas de cooperação entre os membros. 

Segundo Mariana Gama Semeghini, da Rede Maniva, os grandes méritos do SPG são a participação e o processo de formação, integração e empoderamento de todos os membros (agricultores, técnicos, estudantes, gestores, consumidores), especialmente dos agricultores. Além disso, destaca como um dos principais desafios do sistema o reconhecimento internacional, pois o SPG, que surgiu no Brasil, embora permita o uso do selo de produto orgânico, não é reconhecido em outros países.

Por: Camila Cordeiro e Isabella Pileggi (Página 22).

Estudo Avalia Viabilidade Econômica de Sistemas Conservacionistas

Com o objetivo de conhecer a eficiência econômica da produção conservacionista na região do Juruá, interior do Acre, a Embrapa estuda diferentes modalidades destes sistemas, considerando distintas variáveis de impacto financeiro, através da pesquisa realizada no âmbito do projeto Manejo conservacionista do solo na produção familiar para a agricultura de baixa emissão de carbono no oeste do Estado do Acre - Juruaproduz. A coleta de informações é realizada por meio de entrevistas com diferentes atores dos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves

As pesquisas com sistemas conservacionistas no Juruá acontecem desde 2006, por meio de diferentes projetos executados pela Embrapa, em parceria com agricultores familiares e com apoio de outras instituições, com o objetivo de disseminar o uso dessas tecnologias entre agricultores familiares. Atualmente, os estudos buscam medir a eficiência do uso de práticas conservacionistas no aumento da produção em culturas de importância econômica para a região, como mandioca e milho. A etapa final envolve a validação também da viabilidade econômica dos sistemas pesquisados. 

De acordo com o pesquisador Claudenor Pinho, responsável pelos estudos econômicos, a avaliação da viabilidade dos sistemas conservacionistas envolve modelos produtivos com níveis tecnológicos distintos, comparando com o sistema de cultivo tradicional. Esta fase do estudo busca atualizar informações relacionadas a diferentes aspectos da produção agrícola. 

Além de dados da produtividade dos cultivos de milho e mandioca, obtidos em mais de uma década de pesquisa, as análises envolvem indicadores econômicos relacionados ao custo da produção, como gastos com insumos na atividade produtiva, receita líquida obtida pelo produtor, renda familiar e retorno financeiro da atividade agrícola, assim como informações de mercado como os preços dos produtos praticados no atacado e varejo. 

"Buscamos ouvir agricultores, gestores de cooperativas e comerciantes, entre outros atores envolvidos com o setor produtivo do Juruá. A previsão é que os resultados finais do estudo sejam validados até março de 2019 e o intuito é recomendar alternativas de sistemas de produção conservacionista economicamente viáveis para propriedades rurais com diferentes perfis. O produtor rural poderá escolher o modelo mais adequado à sua realidade socioeconômica", afirma. 

Primeiros resultados 

Os sistemas de produção conservacionista são reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como alternativa para uma agricultura sustentável, por proporcionar cuidados essenciais para a manutenção da qualidade do solo e, ao mesmo tempo, intensificar as atividades produtivas e gerar renda e alimento. Essa modalidade produtiva preconiza o uso de técnicas agrícolas de baixo impacto como o plantio direto, que evita revolver a terra e auxilia no controle da erosão, o cultivo de gramíneas e leguminosas associado a plantios agrícolas, para proteger o solo, e a rotação e consórcio de culturas, que possibilita produzir durante todo o ano. 

De acordo com Claudenor Pinho, resultados preliminares da avaliação econômica indicam que os sistemas de produção conservacionista apresentam maior retorno financeiro, em relação a sistemas agrícolas convencionais. Além de melhorar o desempenho produtivo das culturas, dispensam o uso de maquinários e reduzem a demanda por insumos agrícolas. 

"Estes aspectos evitam gastos com combustíveis e mão de obra e reduzem despesas com fertilizantes, contribuindo para baratear os custos da produção e para aumentar os índices de retorno financeiro na atividade agrícola, confirmando a viabilidade econômica do sistema. Há uma tendência de crescimento da rentabilidade destes sistemas, relacionada ao uso de tecnologias. Quanto mais elevado o nível tecnológico da propriedade, mais positivo será o retorno econômico", diz o pesquisador. 

Os primeiros resultados do estudo econômico revelaram ainda que, quando bem adotadas, as tecnologias conservacionistas ajudam a manter a fertilidade do solo, o que possibilita ao produtor diversificar os cultivos e gerar mais renda na propriedade, sem a necessidade de abrir novas áreas, com benefícios também para o meio ambiente.

Por: Diva Gonçalves (Embrapa).

Brasil Conseguirá Equilibrar Agronegócio e Sustentabilidade?

Diante das mudanças climáticas, país terá um desafio que também é uma oportunidade: adaptar seu modelo de agropecuária e, de quebra, cuidar do meio ambiente.

Brasil, temos uma excelente oportunidade de negócios pela frente. Poderemos multiplicar a produtividade de nossa principal fonte de renda e ainda proteger a natureza. É a chance de lucrar mais enquanto regeneramos florestas, cuidamos da água, melhoramos a fertilidade do solo e, de quebra, ajudamos a salvar milhares de vidas. E acredite: tal perspectiva não é um mero golpe de publicidade. Porém, para entender essa oferta imperdível é preciso voltar um pouco no tempo. 

Muito antes de a Floresta Amazônica ter esse nome, ela não era um bioma intocado. Havia muita gente na região, milhões de pessoas que viviam em comunidades permeadas pela mata. Para não precisar caminhar quilômetros em busca de alimento, elas começaram a plantar perto das aldeias. Terminaram cercadas por florestas cheias de cacau, batata-doce, abacaxi, mandioca, açaí, cupuaçu, castanha. Bateu a fome, era só dar um pulo ao supermercado orgânico pré-histórico mais próximo. 

Por meio de tentativa e erro, os indígenas que habitavam o que seria o Brasil desenvolveram a agricultura utilizando as plantas e o ambiente ao redor. 

Com os portugueses veio outra agricultura, de outra região, com outros vegetais. Quando boa parte do pau-brasil tinha virado tinta para tecido na Europa, foi a vez de a cana-de-açúcar dominar a paisagem da Mata Atlântica, com gigantescos monocultivos movidos a mãos escravizadas para adoçar os países mais desenvolvidos. Café, algodão, milho e muita soja depois, esse modelo tornou-se convencional em todo canto. 

Trocar floresta por plantas exóticas tem suas consequências. O solo perde fertilidade, as plantas ficam doentes, as pragas são cada vez mais frequentes e a produção cai. Por séculos, o problema foi resolvido com a abertura de novas áreas. Até que, no final da década de 1960, a ciência pôs fim à questão com o pacote de fertilizantes químicos, pesticidas e maquinários pesados. 

Com a chamada Revolução Verde, a produtividade explodiu. E o Brasil se deu bem nesse processo. Com terra e clima bons, o país virou uma potência mundial do agronegócio, com a pecuária também entrando em cena. 

Da América do Sul para o mundo, o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities agrícolas — vendas que representaram 23,5% do PIB nacional em 2017. Temos 158 milhões de hectares de pastos, segundo o mais recente Censo Agropecuário do IBGE. São três territórios que compreendem a Espanha dedicados para os bois. Outros 63 milhões de hectares para plantações, pouco menos de uma França, sendo mais da metade (36 milhões de hectares) para grãos. Uma Suíça de milho e soja. Um processo que levou 20% da Amazônia brasileira e 50% do Cerrado, trocados por capim e grãos de outros cantos do mundo. 

Saldo negativo

Cedo ou tarde, a conta chega. A vegetação retém água no solo, auxilia o líquido a infiltrar-se no lençol freático para o abastecimento de nascentes e rios. As plantas ainda bombeiam a água de volta para a atmosfera, ciclo essencial para que o ambiente fique fresco e úmido. "Uma parte bastante desmatada no setor sul do Cerrado mostrou redução de 10% nas chuvas. A vegetação nativa é importante para manter o clima mais estável, aumentar as chuvas e reduzir as temperaturas", afirma Carlos Nobre, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e especialista em mudanças climáticas. 

A influência, porém, vai além dos limites de cada bioma. "A chuva que cai no inverno ao sul da Bacia do Prata tem muita relação com o fluxo de vapor d’água que sai da Amazônia e abastece o sistema de chuvas na região". É a floresta que envia chuva ao Sul do Brasil e a boa parte do Sudeste, da Argentina e do Uruguai

O resto do mundo também sente. "Não existe melhor tecnologia para remoção de carbono na atmosfera do que a fotossíntese. Ela absorve esse carbono da atmosfera e conserva na biomassa", explica Paulo Artaxo, físico da Universidade de São Paulo e membro do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU

Enquanto a queima de carvão mineral — principalmente por China e Estados Unidos — para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui, com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras. 

Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO2 equivalente (o cálculo de CO2 equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990. 

Isso ocorre enquanto o mundo precisa tomar medidas drásticas para reduzir a emissão de carbono na atmosfera. Com a colaboração de milhares de cientistas, inclusive Nobre e Artaxo, um relatório lançado em outubro pelo IPCC alertou sobre os riscos que a humanidade corre se a temperatura subir além de 1,5°C em comparação com o início da Era Industrial. O Acordo de Paris já é pouco: mesmo se todos os países cumprirem-no, segundo as novas projeções, a temperatura aumentará 3°C até o ano de 2100. Nós e o resto do mundo precisamos então reduzir drasticamente a emissão de CO2 e de outros gases, como o metano, até zerá-las por volta de 2050. Assim, talvez consigamos impedir que a temperatura ultrapasse 1,5°C. Para isso, calculam os cientistas, pelo menos 45% desse corte deve ser feito já em 2030. 

O aquecimento atual, de pouco mais de 1°C, serve como amostra grátis do que está por vir. "Tempestades severas estão aumentando em todo o Brasil, mas também a seca. Tivemos essa seca histórica no Nordeste, de 2012 até 2017, que continua em algumas partes, e a seca no Sudeste em 2014 e 2015", lembra Carlos Nobre

"O impacto foi muito maior do que o de uma seca semelhante 50 anos atrás. O Sudeste já está 1,5°C mais quente. A evaporação é muito maior, assim como a perda de água no solo. É menos água no reservatório, na agricultura, no abastecimento humano", destaca.

Por: Felipe Floresti / Edição: Eduardo Geraque e Giuliana de Toledo (Revista Galileu).