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O Dever Por Tudo O Que Vai À Volta Do Ser

Realizada em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas Para O Meio Ambiente e Desenvolvimento apresentou a educação ambiental da seguinte maneira: "A educação ambiental se caracteriza por incorporar as dimensões socioeconômicas, política, cultural e histórica, não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo considerar as condições e estágio de cada país, região e comunidade, sob uma perspectiva histórica. Assim, a educação ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conformam o ambiente, com vistas a utilizar racionalmente os recursos do meio na satisfação material e espiritual da sociedade no presente e no futuro".  

Promulgada em um período bastante significativo para a redemocratização nacional, a Constituição Federal de 1988 aprecia que o meio ambiente é um bem comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de preservá-lo, o que é considerado um avanço o fato da tutela da Natureza ter se tornado mais sólida por força de leis atualmente no Brasil [Crimes Ambientais, Lei 9.605/1998; Decreto 6.514/2008; Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010; Código Florestal, Lei 12.651/2012; Biodiversidade, Lei 13.123/2015], pois quando existe a possibilidade de danos, reconhecidamente ou não, o principal sujeito passivo vem a ser a ser sociedade [prejudicada em caso de desastres ambientais ou outras perturbações do equilíbrio ecológico] e esta precisa estar sempre atenta e prevenir-se contra os efeitos indesejáveis de uma ação. 

Contudo, preservar o ambiente contemplando seus aspectos natural, artificial, cultural e do trabalho e a gestão sustentável de recursos economicamente viáveis não pode se restringir a tal condição apenas por uma questão de imposições e sanções; se a preservação do meio ambiente é o objeto jurídico do crime ambiental e a informação é um princípio disponível a toda e qualquer pessoa, antes de tudo é necessário que tal informação seja claramente absorvida pelos cidadãos e que a capacitação destes os tornem aptos para a tomada de decisões e sua consequente participação por um ambiente ecologicamente equilibrado. 

Como a educação é um processo pelo qual o indivíduo assimila um aprendizado vindo de fora para dentro, pode-se compreender naturalmente que o ser humano, por essa disposição, está inserido [meio, cercado de] em um contexto maior [ambiente, o que há ao redor], a extensão global das intenções e interações de todos os seres vivos e elementos abióticos além dos recursos naturais que garantem a subsistência das espécies. 

De tal sorte, a tradição estabelece a cultura de um povo, forma o conhecimento e a iteração de bons hábitos e costumes como o respeito à dignidade humana e ao planeta, algo que por sua natureza tende a ser mais eficiente e substancial do que qualquer dispositivo legal. Não basta obrigar a preservar, é indispensável que se compreenda porque a preservação dos bens comuns é tão importante. Sem conhecer a realidade de maneira objetiva [fazer diagnóstico da situação/relação de causa e efeito] é impossível mudá-la.

É idealizando como as coisas poderiam ser melhores amanhã que pode nos ajudar a superar os obstáculos de hoje, com máxima estima ao valor da Sustentabilidade: a conservação dos ecossistemas saudáveis e produtivos com geração de emprego e renda, bem estar social e proteção da biodiversidade para as comunidades globais contemporâneas e àquelas que irão sucedê-las.




Referências bibliográficas:
  • COIMBRA, Avila. O Outro Lado do Meio Ambiente: Uma Incursão Humanista na Questão Ambiental. Campinas: Millennium, 2002.
  • MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Malheiros Editores, 2016.
  • MILARÉ, Édis. Direito do Ambiente. São Paulo: RT, 2015.


Por: Gustavo Nobio. Sustentabilista, comunicador ambiental, articulista e administrador de conteúdo da mídia online #SenhorEco. Técnico em Meio Ambiente pela FUNCEFET (RJ).


Carne Fraca: Perguntas e Respostas Sobre a Operação da PF nos Frigoríficos

A megaoperação da Polícia Federal, em 17/03/2017, desmontou um esquema de funcionários do Ministério da Agricultura que teriam recebido propina para liberar carne para venda sem passar pela devida fiscalização. A operação aconteceu em 6 estados e no DF, com 35 pessoas presas – e há ainda dois investigados foragidos. O Ministério da Agricultura afastou 33 servidores envolvidos no esquema. 

A possibilidade de que produtos adulterados e até vencidos podem ter ido parar na mesa da população deixou o país em alerta, mas muita coisa ainda não foi explicada pelos investigadores da Operação Carne Fraca.

Veja o que já se sabe e o que ainda não foi esclarecido na operação: 

O que a operação Carne Fraca descobriu? 

Um esquema que envolvia funcionários do Ministério da Agricultura em Goiás, Minas Gerais e Paraná que receberiam propina para liberar carne para comercialização sem a fiscalização adequada. O esquema também envolvia funcionários de alguns frigoríficos. Segundo o delegado Maurício Moscardi Grillo, da PF, as irregularidades encontradas nos frigoríficos vão desde uso de produtos químicos para mascarar carne vencida a excesso de água para aumentar o peso dos produtos. 

Quais marcas cometeram irregularidades? Alguma está proibida? 

A PF fez busca e apreensão em 21 frigoríficos, mas ainda não especificou em quais deles foram flagradas irregularidades na produção. Também não há recomendação oficial para que alguma marca específica seja evitada. 

Quais empresas são investigadas? Foram alvo de busca e apreensão os seguintes frigoríficos: 

• Big Frango Indústria e Com. de Alimentos Ltda. 
• BRF - Brasil Foods S.A. (dona de marcas como Sadia e Perdigão) 
• Dagranja Agroindustrial Ltda./Dagranja S/A Agroindustrial 
• E.H. Constantino 
• Frango a Gosto 
• Frigobeto Frigoríficos e Comércio de Alimentos Ltda. 
• Frigomax Frigorífico e Comércio de Carnes Ltda. 
• Frigorífico 3D 
• Frigorífico Argus Ltda. 
• Frigorífico Larissa Ltda. 
• Frigorífico Oregon S.A. 
• Frigorífico Rainha da Paz 
• Frigorífico Souza Ramos Ltda. 
• JBS S/A (dona das marcas como Friboi, Seara e Swift) 
• Mastercarnes Novilho Nobre Indústria e Comércio de Carnes Ltda. 
• Peccin Agroindustrial Ltda. (dona da marca Italli Alimentos) 
• Primor Beef - JJZ Alimentos S.A. 
• Seara Alimentos Ltda. 
• Unifrangos Agroindustrial S.A./Companhia Internacional de Logística 
• Breyer e Cia Ltda. 
• Fábrica de Farinha de Carne Castro Ltda. EPP 

Algum frigorífico foi interditado? 

O Ministério da Agricultura interditou 3 dos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca: uma unidade da BRF em Mineiros (GO), uma unidade da Peccin, dona da marca Italli, em Curitiba (PR) e outra em Jaraguá do Sul (SC). A fábrica da BRF produz frango, chester e peru para a marca Perdigão. As da Peccin produzem salsicha e mortadela. Nesses locais, os produtos já foram recolhidos, e a produção, paralisada. O presidente, Michel Temer, afirmou que uma "força-tarefa" vai inspecionar todos os 21 frigoríficos alvos da operação

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) anunciaram em 20/03/2017 que cinco unidades de produção tiveram suas certificações suspensas de forma preventiva e não poderão operar nem no mercado interno nem no externo. As associações, porém, não informaram os nomes das empresas. 

Foi encontrado papelão na carne? 

Uma das gravações feitas pela PF durante a operação foi apresentada como indício de que haveria papelão em produtos da BRF, empresa dona de marcas como Sadia e Perdigão. Na ligação entre funcionários da empresa, um deles diz: "O problema é colocar papelão lá dentro do 'CMS' [matéria-prima para a produção de embutidos] também, né? Tem mais essa ainda. Eu vou ver se eu consigo colocar em papelão. Agora, se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter que condenar". Em nota, a empresa afirmou que a interpretação da gravação é um "claro e gravíssimo erro" e que o funcionário se referiu às embalagens do produto, e não ao seu conteúdo, como disse a PF. Ainda de acordo com o texto, isso ficaria claro quando o funcionário diz que "vai ver se consegue colocar em papelão", pois esse produto é normalmente embalado em plástico. 

Nessa mesma linha, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, também contestou a informação de que haveria papelão nos produtos. 

Estão vendendo carne vencida? 

A PF afirmou, ao anunciar a operação, que os frigoríficos estariam usando produtos químicos, entre eles o ácido ascórbico, para maquiar o aspecto de carnes vencidas que era comercializada. Segundo o delegado Maurício Moscardi Grillo, alguns desses produtos seriam cancerígenos. 

O Ministério da Agricultura afirmou que o uso do ácido ascórbico não é proibido por lei, desde que esteja dentro das normas estabelecidas. A substância só representaria algum risco se consumida em doses muito altas. Na carne, está proibido o ácido sórbico, um conservante. 

Um dos áudios da operação divulgados pela PF tem a conversa do dono do Frigorífico Larissa, de São Paulo, com um funcionário para trocar as etiquetas das datas de validade dos produtos. Contatado para comentar a operação, o frigorífico não se manifestou. 

Foi usada cabeça de porco em produtos? 

Em uma das gravações divulgadas pela PF, o dono de uma das empresas investigadas, Idair Antônio Piccin, conversa ao telefone com a mulher, Nair Klein Piccin, sobre o uso de cabeça de porco em lotes de linguiça. Segundo a PF, a prática seria ilegal. O médico veterinário Pedro Eduardo de Felício, especialista em carnes da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, afirmou ao Jornal Hoje (TV Globo) que a carne de cabeça é permitida no mundo. "É matéria-prima. Quando você industrializa, faz embutidos, é para aproveitamento em matérias-primas de menor custo", diz. 

Foi encontrada carne com a bactéria Salmonella

Segundo as investigações da PF, uma fábrica da BRF em Mineiros (GO) estaria contaminada com a bactéria salmonella e ainda assim teria exportado carne para a Europa. Em nota, a empresa afirmou que "existem cerca de 2.600 tipos de Salmonella, bactéria comum em produtos alimentícios de origem animal ou vegetal". Ainda segundo a nota, "todos os tipos são facilmente eliminados com o cozimento adequado dos alimentos”. 

A empresa afirma no texto que “a BRF não incorreu em nenhuma irregularidade”, já que “o tipo de Salmonella encontrado em alguns lotes desses quatro contêineres [de carne exportada] é o Salmonella Saint Paul, que é tolerado pela legislação europeia para carnes in natura”. 

A carne brasileira foi barrada no exterior? 

Em 20/03/2017, diante da repercussão da operação, União Europeia, China e Coreia do Sul anunciaram restrições temporárias à entrada de carne brasileira – esses países foram o destino de 27% da carne exportada pelo Brasil em 2016. O Chile também suspendeu temporariamente a exportação de carne brasileira. No fim da tarde, o ministro da Agricultura, Blario Maggi, afirmou que proibiu, preventivamente, a exportação de carnes produzidas pelos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca. A comercialização dentro do Brasil foi mantida. 

Há risco para o consumidor? 

Ainda não houve nenhuma recomendação oficial para a suspensão do consumo de carne, nem a PF nem o Ministério da Agricultura afirmaram que há risco para os consumidores. 

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) criticaram, em 20/03/2017, a maneira como a PF divulgou os resultados da Operação Carne Fraca. "Passou uma imagem generalizada de que tudo no Brasil é ruim, e não é isso", afirmou Francisco Turra, da ABPA

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) rebateu as críticas e, em nota, afirmou que "na intenção de proteger setores do mercado e do governo, há uma orquestração para descredenciar as investigações de uma categoria que já provou merecer a confiança da sociedade." 

Ao comentar a operação nesta segunda, o presidente Temer defendeu o setor, disse que os frigoríficos investigados representam um "pequeno núcleo" e que o país tem um sistema "rigorosíssimo" de avaliação sanitária.

Fonte: G1.

Febre Amarela: A Crueldade e a Ignorância Andam Juntas

O recente surto da doença desencadeou o irracional e estúpido assassinato de macacos que não tem nenhuma responsabilidade. 

Se já não bastassem as corriqueiras barbaridades cometidas contra o meio ambiente, especialmente na nossa já tão debilitada Mata Atlântica, ainda somos obrigados a assistir a essa irracional caçada e assassinato de primatas, sendo que várias dessas espécies já se encontram na lista de animais em processo de extinção, tais como, Bugio, o Macaco-Prego-de-Crista, além do Muriqui do sul e do norte. 

A situação ficou tão grave pelos diversos casos registrados nos estados de São Paulo e Minas Gerais que levou o Ministério do Meio Ambiente a emitir um alerta à sociedade sobre a gravidade desses atos de violência. Além de informar que os agressores estão cometendo um crime passível de detenção, a nota do ministério esclarece que os macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela aos humanos. 

Em recente declaração, o diretor de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercílio alertou: “É importante que a população tenha plena consciência de que os macacos não são responsáveis pela existência do vírus e nem por sua transmissão a humanos. Eles precisam ser protegidos”. 

Os macacos muitas vezes são os primeiros a serem infectados e as primeiras vítimas, contribuindo até mesmo para deixar populações em alerta. “Os primatas agem como verdadeiros anjos da guarda dos seres humanos, pois quando ocorre a morte desses animais em escala anormal, como vem ocorrendo em determinadas regiões da Mata Atlântica, isso é um indicativo da presença do vírus”, ressaltou Danilo Simonni Teixeira, presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia

Sem computar as brutalidades humanas, o Ministério da Saúde já registrou 968 mortes de primatas com suspeita de febre amarela, desde dezembro de 2016. Desses 386 já foram confirmadas como sido causadas pela doença. 

A RESPONSABILIDADE DA TRAGÉDIA DA SAMARCO 

Tão grave quanto responsabilizar animais indefesos pela febre amarela em humanos é a forte suspeita de que a doença tenha surgido em cidades mineiras próximas ao Rio Doce e que foram afetadas pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana. Só em Minas Gerais o surto atingiu 152 cidades e mais de 100 mortes de pessoas já foram confirmadas sendo que outros casos permanecem em análise.  

O desmatamento provocado pela tragédia e o forte impacto na saúde dos animais dessas localidades podem ter desencadeado o surgimento da doença. Essa suspeita foi levantada pela bióloga Márcia Chame, coordenadora dos estudos de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ela, "Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela". 

Este episódio revela mais uma vez como a ignorância acompanhada muitas vezes de suas irmãs siamesas, a irresponsabilidade e a ganância vitimam com frequência alarmante o nosso meio ambiente. 

Os primatas que habitam as nossas já escassas florestas de Mata Atlântica cumprem um papel fundamental para a preservação da biodiversidade e, portanto, merecem todo o nosso respeito. 

Mata-los de maneira estúpida e sem sentido, nos tornam menos humanos e nossa existência neste planeta ainda mais pobre. 

LEGISLAÇÃO E DENÚNCIA 

A legislação ambiental é clara: matar ou maltratar animais é crime, cuja pena pode chegar a um ano de detenção, além da aplicação de multa. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a população deve denunciar casos de violência contra animais da fauna brasileira pelo serviço Linha Verde

Fone: 0800-61-8080. E-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br 

Fone 136: informar às autoridades em saúde a ocorrência de animais mortos ou com suspeita da doença.


Por: Reinaldo Canto (Carta Capital).

IBAMA Publica Nova Norma Sobre Avaliação de Agrotóxicos em Proteção às Abelhas

Operária de Apis mellifera em flor de café.

O IBAMA publicou Instrução Normativa que estabelece diretrizes, requisitos e procedimentos para a avaliação dos riscos de ingredientes ativos de agrotóxicos para insetos polinizadores. A norma, destinada a produtos ainda não registrados no país ou em reavaliação, é a primeira a estipular critérios de decisão com base no risco, ou seja, na probabilidade de uma espécie ser afetada pela exposição a agrotóxicos. O objetivo é oferecer mais proteção a abelhas e outros polinizadores. 

Das 141 espécies de plantas cultivadas no país para alimentação, produção animal, biodiesel e fibras, aproximadamente 60% dependem da polinização animal, aponta a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A preocupação com o declínio das populações de abelhas e outros insetos é crescente em todo o mundo, o que levou governos e organizações a investigar sistematicamente o problema e suas causas. 

A Instrução Normativa (IN) n° 02/2017, publicada no Diário Oficial da União em 10/02/2017, condiciona registros de agrotóxicos à apresentação de informações que permitam o uso adequado desses produtos, sem efeitos que comprometam a sobrevivência, a reprodução e o desenvolvimento das abelhas. 

Desde 2012 o IBAMA realiza estudos para estabelecer uma metodologia de avaliação de riscos resultantes do uso de agrotóxicos para insetos polinizadores, levando em consideração as particularidades da agricultura brasileira. 

Avaliação ambiental 

A avaliação ambiental de agrotóxicos conduzida pelo IBAMA compreende: a Avaliação do Potencial de Periculosidade Ambiental (PPA) e a Avaliação de Risco Ambiental (ARA). A primeira leva em consideração a toxicidade dos agrotóxicos e seu comportamento em ambientes diversos. A segunda, além da toxicidade, considera a exposição dos organismos aos agrotóxicos, o que inclui o modo e a época de aplicação, as doses, a cultura e o clima, entre outros fatores. 

Embora específica para insetos polinizadores, a nova IN também regulamenta as bases para o procedimento de avaliação de risco ambiental para registro de agrotóxicos, que será estendido a outros organismos e ecossistemas. 

Consulta pública 

Um primeiro esboço da Instrução Normativa foi submetido a Consulta Pública no site do IBAMA em 31 de maio de 2016, com prazo de 30 dias, prorrogado até 19 de julho. Participaram representantes de instituições de ensino e pesquisa, órgãos governamentais, entidades representativas do setor apícola, entidades e empresas do setor regulado, apicultores e meliponicultores. Entre os participantes da consulta, 52% se declararam “fortemente favoráveis” à proposta de norma em discussão e 27%, “favoráveis”. As contribuições oferecidas foram analisadas e parte delas foi incorporada ao texto final da IN.


O Retrato da Qualidade da Água do Rio Doce

A Fundação SOS Mata Atlântica disponibiliza a publicação Rio Doce: O Retrato da Qualidade da Água. O relatório técnico registra os resultados da segunda expedição da Fundação para avaliar a qualidade da água na bacia do Rio Doce

A análise foi realizada de 19 a 28 de outubro de 2016 e teve seus principais resultados divulgados em novembro, obtendo grande repercussão. O relatório traz ainda informações adicionais, como a metodologia do monitoramento. 

Um ano após o rompimento da barragem na cidade de Mariana (MG), a segunda expedição constatou que a qualidade da água na bacia do Rio Doce está em desconformidade com a legislação vigente e, portanto, imprópria para consumo humano e usos múltiplos. Apenas quatro pontos de coleta apresentaram sinais de recuperação, com índices de qualidade regular e ótima, em um único ponto isolado. Essa condição ótima e regular, porém, estava associada à grave seca que atingiu a região e que isolou, entre bancos de areia, trechos do assoreado Rio Doce que deixaram de receber o arrasto continuado de lama e rejeito de minério, como nos demais 13 pontos analisados. 

“O mais grave desse retorno à bacia do Rio Doce foi constatar que, em primeiro lugar, a contaminação não cessou. Além disso, passados 12 meses ainda há arrasto de sedimentos por toda a bacia. E notamos como a presença de vegetação nativa protege a água, pois nos trechos onde existe remanescente de Mata Atlântica, nas áreas protegidas que não foram arrastadas pela lama, três pontos se recuperaram.”, disse Malu Ribeiro, coordenadora de águas da SOS Mata Atlântica


Poluição Causa Morte de Mais de 1,7 Milhão de Crianças Todos os Anos

Anualmente, 1,7 milhão de crianças com menos de 5 anos morrem no mundo devido a problemas ligados à poluição ambiental, afirmam dois estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados em 06/03/2017. O primeiro relatório, Herdando um Mundo Sustentável: Atlas Sobre a Saúde das Crianças e o Meio Ambiente [Inheriting a Sustainable World: Atlas on Children’s Health and The Environment], revela que boa parte das doenças mais comuns que matam crianças nessa faixa de idade - infecções respiratórias, malária e diarreia - pode ser prevenida com ações para reduzir os riscos ambientais, como acesso à água potável e ao saneamento básico. 

O uso de combustíveis sólidos para cozinhar, como carvão ou até mesmo estrume, utilizado em áreas pobres, poluem o ar da casa e provocam doenças respiratórias, diz a organização com sede em Genebra, na Suíça. No Brasil, as mortes de crianças com menos de 5 anos de idade caíram de 4,8% em 2005 para 3% do total de óbitos no país em 2015, segundo a pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2015, divulgada pelo IBGE em novembro de 2016. 

Um dos elementos para o declínio da mortalidade infantil no país, de acordo com o IBGE, é o aumento do número de domicílios com saneamento básico adequado (esgoto, água potável e coleta de lixo). De acordo com a OMS, 41 crianças nessa faixa etária morrem por problemas relacionados à poluição a cada 100 mil habitantes no Brasil

Desde o útero 

Exposições nocivas causadas pela poluição ambiental podem começar no útero da mãe e aumentar os riscos de nascimentos prematuros, afirma a OMS. "Além disso, quando crianças são expostas à poluição do ar dentro e fora de casa e ao tabagismo passivo, há o aumento do risco de pneumonias na infância e de doenças crônicas, como a asma", diz o relatório. 

"Exposição ao ar poluído aumenta os riscos de doenças cardíacas, de acidente vascular cerebral e de câncer", destaca o documento. As mudanças climáticas, com a elevação das temperaturas e das emissões de gases causadores do efeito estufa, favorecem o aumento do pólen, associado ao crescimento dos casos de asma em crianças, diz a OMS. As crianças também estão expostas a elementos químicos perigosos, como mercúrio, fluoreto e pesticidas, por meio da comida, água, ar e produtos manufaturados. 

Equipamentos elétricos e eletrônicos, como celulares, que não são corretamente reciclados, expõem crianças a toxinas que podem causar danos pulmonares, diminuição da inteligência e câncer, segundo a organização. "Um ambiente poluído é mortal, principalmente para crianças com pouca idade. Elas são mais vulneráveis em razão do desenvolvimento de seus órgãos e sistema imunológico e das vias respiratórias", ressalta Margaret Chan, diretora-geral da OMS. No total, 5,9 milhões de crianças com menos de 5 anos morreram no mundo em 2015 (último dado levado em conta nos dois relatórios). De acordo com a organização, 26% dessas mortes podem ser atribuídas a fatores ambientais. 

Brasil 

O estudo da OMS indica que o Brasil registra a taxa de 16,4 mortes de crianças com menos de cinco anos para cada mil nascimentos, acima do índice de países como Austrália (3,8 mortes), Argentina (12,5) ou China (10,7), mas taxa bem abaixo da registrada em países da África e outras regiões pobres do mundo. Áreas urbanas no Brasil possuem, segundo dados do estudo, um dos mais baixos índices de concentração de partículas finas entre os cerca de 190 países listados no documento. Quase a totalidade da população brasileira tem acesso a esgoto sanitário, água potável e combustível limpo para as tarefas da casa, de acordo com o relatório. 

'Não polua o meu futuro' 

O segundo estudo da OMS, Não Polua o Meu Futuro! O Impacto do Meio Ambiente na Saúde das Crianças [Don’t Pollute My Future! The Impact of The Environment on Children’s Health], detalha o impacto de fatores ambientais sobre as doenças infantis. Infecções respiratórias, como pneumonia, são a principal causa de mortalidade infantil: 15,5% das mortes de crianças até 5 anos em 2015. Cerca de 570 mil crianças com até 5 anos morrem por ano no mundo em decorrência de doenças respiratórias, atribuídas à poluição do ar em casa e externa (causada na maioria dos casos por veículos) e também ao tabagismo passivo. A poluição em casa é derivada principalmente do uso de combustíveis sólidos, como o carvão, para cozinhar. 

"Bilhões de crianças vivem em áreas onde os limites de poluição ultrapassam os fixados pela OMS", afirma a organização. A diarreia mata cerca de 10% das crianças com menos de 5 anos de idade, principalmente na Ásia e no sudeste asiático. 

Anualmente, são 361 mil mortes causadas pela diarreia devido à falta de acesso à água potável, saneamento e higiene. "Investir na eliminação de riscos ambientais à saúde, como melhorar a qualidade da água ou o uso de combustíveis limpos, resultará em benefícios maciços", diz Maria Neira, diretora do departamento de saúde pública da OMS

O exemplo de Curitiba 

A capital do Paraná teve destaque no estudo da OMS como um exemplo a ser seguido. A "ecológica Curitiba", como é chamada no texto, investiu "pesado" em modos mais limpos de transporte, em planejamento urbano integrado e na reciclagem do lixo. 

"Apesar da população de Curitiba ter quintuplicado nos últimos 50 anos, a qualidade do ar em Curitiba é melhor do que em muitas outras cidades com crescimento rápido", diz a OMS, acrescentando que os índices de poluição do ar na cidade brasileira são muito próximos aos níveis indicados pela organização.

Por: Daniela Fernandes (BBC Brasil).

Dia Mundial da Vida Selvagem

Três de março, Dia Mundial da Vida Selvagem, é muito importante que se fale sobre o que os cientistas têm alertado durante décadas: o fato de que a existência de muitas espécies está sendo pressionada pelas ações humanas na direção de uma sexta extinção em massa. 

O relatório do Planeta Vivo [Living Planet Report – LPR], divulgado no segundo semestre de 2016, aponta que, em média, a abundância das espécies de vertebrados diminuiu 58% desde 1970 e, se as atuais tendências continuarem, até 2020 esse declínio chegará a 67%. Mesmo quando as metas projetadas pelas Nações Unidas são de acabar com a perda da biodiversidade até 2020. 

Parece uma mensagem um tanto catastrófica, mas as evidências nunca foram tão fortes. A lista vermelha da IUCN ratifica essa constatação ao assinalar que mais espécies estão ameaçadas de extinção ou, então, que algumas espécies estão cada vez mais ameaçadas de extinção. 

Em termos de diversidade de fauna e flora, as florestas tropicais estão entre os ecossistemas mais ricos do planeta e que sofreram a maior perda de área. O LPR fala de 48,5% do habitat das florestas tropicais que foram convertidos para uso humano, até os anos 2000. 

A onça-pintada (Panthera onca), por exemplo, é um dos animais emblemático das florestas tropicais brasileiras. Até a década de 1960 eram numerosas na Mata Atlântica, mas com a quase extinção do bioma o maior felino das Américas corre sério risco de desaparecer. Em um estudo publicado recentemente [A Biodiversity Hotspot Losing its Top Predator: The Challenge of Jaguar Conservation in The Atlantic Forest of South America], a revista Scientific Reports revelou que menos de 300 onças estão presentes no bioma e suas populações encontram-se isoladas em apenas 3% do que resta de Mata Atlântica. Para se ter uma ideia, somente no Parque Nacional (ParNa) do Iguaçu, a quantidade da espécie caiu 90% nos últimos 20 anos. 

Já o índice do Planeta Vivo Aquático apresentado no estudo, mostra que a abundância das populações monitoradas no sistema aquático sofreu uma queda geral de cerca de 81% entre 1970 e 2012. Esses números estão baseados nos dados de 3.324 populações monitoradas de 881 espécies aquáticas. 

Os pesquisadores sugerem que são as pressões decorrentes de atividades humanas não sustentáveis, como a agricultura, a pesca, a mineração, a sobre-explotação, as mudanças climáticas e a poluição, que contribuem para a perda de habitat e a degradação do meio ambiente terrestre e aquático. E, segundo eles, os efeitos não recaem apenas sobre plantas e animais selvagens, mas, nós, seres humanos, também somos vítimas de nosso comportamento de deterioração da natureza. 

Uma maneira prática de compreender a relação entre as ações humanas e a os limites que o planeta aguenta é por meio dos cálculos da Pegada Ecológica feitos pela Global Footprint Network (GFN), organização internacional pela sustentabilidade, parceira global da Rede WWF, que indica que estamos consumindo cerca de 50% além da capacidade regenerativa anual da Terra. 

Os custos deste excesso estão se tornando cada dia mais evidentes com a seca extrema, a escassez de água doce, a erosão do solo, a perda de biodiversidade, o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera e a ameaça à forma de vida de muitos povos indígenas e populações tradicionais que dependem dos recursos naturais como meio de vida. 

Estudos recentes sugerem que os prováveis índices de extinção, atualmente, sejam de 100 à 1.000 extinções por 10.000 espécies em 100 anos, o que é muito elevado. Isso leva a crer que nós estamos mesmo à beira da sexta extinção em massa. 

Considerando toda essa trajetória e nosso papel central de fazer uma mudança para modos sustentáveis e resilientes de produção e consumo, temos motivo para ter esperança. No entanto, essa transição deve ser urgente. Uma série de mudanças significativas precisam acontecer no sistema econômico global para promover a perspectiva de que nosso planeta possui recursos finitos.Precisamos reconhecer o valor e as necessidade de nosso planeta Terra, cada vez mais frágil, e gerar consciência de que as agendas social, econômica e ambiental devem caminhar juntas. É imprescindível que protejamos a vida selvagem. 

A data foi criada em 2013 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) a fim de reafirmar o valor essencial das espécies selvagem. E o Brasil, país que possui a maior biodiversidade do planeta, precisa agir agora e tomar ações decisivas para que mecanismos sejam criados para promover o melhor aproveitamento do solo; que os serviços ambientais providos pelas florestas, por exemplo, a regulação climática e a segurança hídrica, sejam valorizados; além de incentivar o melhor ordenamento e gestão territorial; a consolidação e criação de áreas protegidas levando em conta uma paisagem mais ampla, a promoção de cadeias produtivas, entre outras ações cotidianas que podem garantir uma efetiva redução na pressão sobre os recursos naturais e a vida selvagem ao redor do mundo.

Por: Mariana Napolitano (WWF Brasil).

Microplástico: Poluição Invisível Que Ameaça Oceanos

Partículas microscópicas liberadas por roupas sintéticas e pneus passam por sistemas de tratamento de água e vão parar no mar. De pneus a roupas e cosméticos, o microplástico se encontra praticamente em todos os objetos do dia a dia. E seu impacto sobre as águas do planeta é catastrófico: calcula-se que, dos 9,5 milhões de toneladas de matéria plástica que flutuam nos mares, até 30% sejam compostos por partículas minúsculas. Invisíveis a olho nu, elas constituem uma fonte de poluição mais grave do que se pensava, como mostra o mais recente relatório da International Union for Conservation of Nature (IUCN)

"Nossas atividades diárias, como lavar roupas e andar de carro, contribuem significativamente para a poluição que sufoca os nossos oceanos, tendo efeitos potencialmente desastrosos para a rica diversidade que vive neles e para a saúde humana", afirma a diretora geral da IUCN, Inger Andersen

Segundo o estudo da organização, cerca de dois terços do microplástico encontrado nos oceanos são originados dos pneus de automóveis e das microfibras liberadas na lavagem de roupa. Outras fontes poluidoras são a poeira urbana, marcações rodoviárias e os barcos. 

Perigo invisível 

As imagens de tartarugas presas em redes de pescar e pássaros com anéis de latas de cerveja em volta do pescoço há muito correm mundo. O problema do microplástico, contudo, é invisível, só tendo sido recentemente detectado como tal. Assim, ainda se sabe relativamente pouco sobre sua escala e verdadeiro impacto ambiental. Ao contrário do lixo plástico convencional, que se degrada na água, o microplástico já é lançado no ambiente em partículas tão microscópicas que driblam os sistemas de filtragem das estações de tratamento de água. É exclusivamente nesse tipo de dejeto que o relatório da IUCN se concentra. 

A atual quantidade de microplástico nas águas é de 212 gramas por ser humano, o equivalente a se cada pessoa do planeta jogasse uma sacola plástica por semana no oceano. 

Ingeridos por peixes e outros animais marinhos, os minigrãos podem ter sério impacto sobre seus sistemas digestivos e reprodutivos, e há sérias suspeitas de que acabem chegando aos humanos, cadeia alimentar acima. 

Ao pensar em lixo nos oceanos costumamos lembrar de macroplástico, como sacolinhas. Mas o microplástico, liberado quando lavamos roupas sintéticas também prejudica o meio ambiente 

Maus hábitos de consumo 

Como lembra João de Sousa, diretor do Programa Marinho Global do IUCN, as estratégias globais de combate à poluição marítima se concentram em reduzir o tamanho dos fragmentos do lixo plástico convencional. No entanto essa concepção precisa ser revista. 

"As soluções devem incluir design de produtos e de infraestrutura, assim como o comportamento do consumidor. Pode-se projetar roupas sintéticas que liberem menos fibras, por exemplo, e os consumidores também podem agir, optando por tecidos naturais, em vez de sintéticos." 

Segundo outros especialistas, contudo, essa estratégia não tem o alcance necessário, e se precisa também abordar outros hábitos de consumo. Para Alexandra Perschau, da campanha Detox da organização ambiental Greenpeace na Alemanha, o real problema não é o tipo de casaco que se compra, mas sim quantos. 

"O sistema de moda como um todo é o problema, é excesso de consumo", comentou à DW. "Em diversos levantamentos, seja na Ásia ou na Europa, grande parte dos consumidores admite possuir mais roupas no armário do que precisam, mas continua comprando mais e mais." 

A produção mundial de vestuário dobrou a partir do ano 2000, excedendo os 100 bilhões de peças em 2014, de acordo com uma sondagem da Greenpeace. Além disso, atualmente as peças de vestuário tendem a ser de difícil reciclagem. 

"Temos cada vez mais peças confeccionadas com fibras mistas de poliéster e algodão, portanto nem temos como reciclá-las devidamente. No momento a tecnologia não está tão avançada que possamos separar esses tipos de fibras", explica Perschau

Entre a moda e meio ambiente 

O relatório da IUCN saúda os esforços para banir as microesferas de plástico dos produtos cosméticos, inspirados por relatórios recentes. Trata-se de uma "iniciativa bem-vinda", porém com impacto restrito, uma vez que esse tipo de material só responde por 2% da poluição com microplástico. 

Em vez disso, seria necessária uma investida mais ampla e de impacto real contra as atividades geradoras das minúsculas partículas, segundo Maria Westerbos, diretora da Plastic Soup Foundation, que luta para que se pare de despejar matéria plástica no oceano. 

"Somos todos responsáveis: é a ciência, a indústria, são os legisladores – e os consumidores. Todos nós precisamos fazer algo. Todos estamos usando plástico e todos o jogamos fora", pleiteia Westerbos, sugerindo o desenvolvimento de tecidos que não desfiem e a adoção de novos filtros nas máquinas de lavar roupa – que só devem ser usadas com carga completa e de preferência com sabão líquido. 

Perschau, da Greenpeace, acrescenta a importância de aumentar a vida útil das roupas. Em vez de jogar fora as que não se deseja mais, faria mais sentido trocá-las por outras ou entregá-las nas lojas de segunda mão. "Não estamos dizendo que não se deva usar roupa da moda, mas sim ser mais inteligente, vivendo de acordo com os próprios desejos sem comprometer os recursos do planeta." 

Com 7 bilhões de seres humanos e uma população crescente, será preciso mudar nossas atitudes em relação ao plástico, se quisermos salvar os oceanos, observa Westerbos: "Não compre maçãs embaladas em plástico, não use sacolas plásticas descartáveis, nem canudinhos para descarte imediato. Há um monte de modos de evitar usar plástico, vamos começar por aí."

Por: Louise Osborne (Deutsche Welle).

Cientistas Detectam Sistema Estelar Próximo com 7 Planetas Similares à Terra

A apenas 40 anos-luz da Terra há um sistema estelar com sete planetas de massa similar ao nosso, três dos quais se encontram na área habitável e poderiam abrigar oceanos de água na superfície, o que aumenta a possibilidade de que esse sistema possa abrigar vida. 

O sistema, localizado por um grupo internacional de astrônomos e cujo estudo foi publicado pela revista Nature, tem tanto o maior número de planetas do tamanho da Terra como o maior número de mundos que poderiam ter água em estado líquido na superfície. 

Os seis planetas mais próximos à estrela, provavelmente rochosos, podem ter uma temperatura na superfície de entre 0 e 100 graus, a faixa na qual pode haver água em estado líquido, e três deles estão na chamada "área habitável", razão pela qual são candidatos especialmente promissores para abrigar vida. 

Os corpos recém-descobertos giram em órbitas planas e ordenadas ao redor de TRAPPIST-1, uma estrela anã ultrafria com um brilho cerca de mil vezes menor que o do nosso sol. 

O autor principal do estudo, Michaël Gillon, do Instituto STAR na Universidade de Liège (Bélgica), se mostrou animado com os resultados. 

"Trata-se de um sistema planetário surpreendente, não só por termos encontrado tantos planetas, mas porque são todos assombrosamente similares em tamanho à Terra!", afirmou Gillon, segundo um comunicado. 

O novo sistema é relevante para os cientistas por sua proximidade à Terra em termos astronômicos e porque é o primeiro que conta com sete planetas de um tamanho similar ao nosso, assim como pelo reduzido tamanho de sua estrela, uma particularidade que simplificará o estudo do clima e da atmosfera desses mundos. 

Os sete planetas são 80 vezes maiores em relação à TRAPPIST-1 que a Terra em relação ao sol, motivo pelo qual bloqueiam uma grande quantidade de luz quando transitam na frente da estrela. 

Isso facilita para os pesquisadores a tarefa de identificar seus componentes químicos por meio de técnicas de fotometria. 

"Buscamos uma estrela muito pequena, ao contrário de outros grupos de astrônomos. Isso faz com que os planetas apareçam magnificados", explicou Amaury Triaud, pesquisador da Universidade de Cambridge (Reino Unido). 

Após uma primeira fase de "reconhecimento", os cientistas planejam agora iniciar "observações detalhadas para estudar o clima e a composição química dos corpos, com o objetivo de determinar se há vida nele". 

"Em alguns anos saberemos muito mais sobre estes planetas e esperamos saber se há vida no prazo de uma década", previu Triaud

Em 2010, o grupo de pesquisadores liderado por Gillon começou a esquadrinhar a vizinhança do sistema solar com o TRAPPIST (Telescópio Pequeno para Planetas em Trânsito e Planetesimais), situado no Chile

A promissora descoberta inicial da estrela TRAPPIST-1 permitiu aos pesquisadores focar o telescópio espacial Spitzer da NASA em direção a esse ponto durante 20 dias sem interrupção. 

A partir dessas observações e das de outros telescópios terrestres recolhidas durante anos, foram recopiladas evidências de 34 trânsitos de corpos em frente à estrela, que os cientistas atribuem às órbitas de sete planetas. 

O sistema estelar, no qual os seis corpos interiores têm períodos orbitais de entre 1,5 e 13 dias, fez os astrônomos se lembrarem do que formam Júpiter e suas luas, tanto por suas proporções relativas como pelas órbitas compactas e próximas. 

Nos últimos anos, os cientistas acumularam provas que os planetas do tamanho da Terra são comuns na galáxia, mas o trabalho de Gillon e seus colegas indica que são ainda mais abundantes do que se pensava. 

Calcula-se que, por cada planeta que se detecta quando transita em frente a sua estrela, há uma multidão de outros corpos similares (entre 20 e 100 vezes mais) que permanecem inobserváveis porque da perspectiva terrestre não cruzam na frente do astro.

Fonte: Agência EFE.

Aumento das Temperaturas Globais Ameaça “Sufocar” os Oceanos

Nível de oxigênio oceânico diminuiu mais de dois por cento nos últimos 50 anos.
(PlanctonVideo/Thinkstock)

O oxigênio é essencial para a vida no planeta, seja em terra ou mar. No entanto, o fornecimento desse gás para os seres marinhos está ameaçado pelo aquecimento global. 

O alerta vem do estudo mais abrangente já realizado sobre a perda de oxigênio nos oceanos e publicado em 16/02/2017 na revista científica Nature

De acordo com a pesquisa, o conteúdo de oxigênio oceânico diminuiu mais de dois por cento nos últimos 50 anos. 

O fornecimento de oxigênio nos oceanos é ameaçado pelo aquecimento global de duas maneiras. A primeira é que águas de superfície mais quentes retêm menos oxigênio do que as águas mais frias. 

Além disso, a água mais quente influencia a estratificação do oceano, tornando praticamente estanque a separação entre líquido quente, no topo, e frio, nas profundezas. 

Isso enfraquece a circulação que liga a superfície com o oceano profundo e menos oxigênio é transportado para baixo. Por tabela, a redução da oferta de oxigênio oceânico tem consequências importantes para os organismos marinhos. 

“Como os peixes grandes, em particular, evitam ou não sobrevivem em áreas com baixo teor de oxigênio, essas mudanças podem ter conseqüências biológicas de longo alcance”, diz em nota à imprensa Sunke Schmidtko, o principal autor do estudo, do Geomar Helmholtz Centro de Pesquisa Oceanográfica, em Kiel, na Alemanha

O estudo reconhece que processos naturais ao longo de décadas também podem ter contribuído para a diminuição observada do oxigênio. 

No entanto, os resultados da pesquisa são consistentes com a maioria dos cálculos de modelos que preveem diminuição do oxigênio nos oceanos devido a maiores concentrações de dióxido de carbono atmosférico e consequentemente maiores temperaturas globais. 

Além dos efeitos sobre a biodiversidade, essa perda também pode ter consequências prejudiciais para pescas e economias costeiras.

Por: Vanessa Barbosa (Exame).

'Onda de Calor' no Inverno Reduz Cobertura de Gelo no Ártico

Região já registrou três picos de temperatura só neste ano; em um deles, termômetros subiram para quase 0ºC, temperatura anormal para a época do ano. A cobertura de gelo do Ártico registra seu menor tamanho para os meses de inverno, em um sinal de que o período mais frio do ano no hemisfério Norte não tem sido suficiente para permitir que o continente recupere sua camada de gelo. 

Os dados foram publicados em 17/02/2017 pela Organização Meteorológica Mundial, um braço da ONU, e em um momento em que diplomatas e cientistas temem que o Acordo de Paris seja minado por uma revisão dos Estados Unidos em relação aos seus compromissos de emissões de CO2. 

Em 2016, a entidade já havia alertado que o ano havia sido o mais quente da história. Mas dados sobre janeiro de 2017 e o início de fevereiro revelam que a cobertura de gelo no Polo Norte não conseguiu se recuperar, nem durante o inverno. "O Ártico está vivenciando um calor excepcional", indicou o organismo. 

Os dados, coletados pela Agência Espacial Norte-Americana (NASA), apontam que, em média, a temperatura do mês de janeiro no planeta foi a terceira mais elevada para essa época do ano, superada apenas por janeiro de 2016 e janeiro de 2007. Em média, as temperaturas ficaram 0,88°C acima da média do século XX. "As altas temperaturas persistem na primeira parte de fevereiro", constata o organismo da ONU

Segundo os cientistas, a elevação ocorre no mesmo momento em que as concentrações de CO2 atingem novos recordes, mesmo depois de anos de políticas ambientais para reduzir as emissões. 

De acordo com os dados, o Ártico registrou apenas em 2017 três "ondas de calor". Em uma delas, os termômetros subiram para quase zero grau, uma anomalia no Polo Norte durante o inverno. 

No arquipélago de Svalbard, no norte da Noruega, os termômetros registraram 4,1°C no dia 7 de fevereiro. No posto de observação mais ao norte do mundo, em Kap Jessup (Groenlândia) as temperaturas passaram de -22°C para 2°C em apenas doze horas entre os dias 9 e 10 de fevereiro. 

"Essas temperaturas são muito alarmantes", disse David Carlson, diretor de pesquisas da entidade mundial. "A taxa de mudanças no Ártico está empurrando as ciências climáticas para seus limites", admitiu. Parte do fenômeno de calor no Polo Norte acabou gerando, pela Europa, um dos invernos mais duros dos últimos cinco anos. 

Gelo

Mas o resultado foi a menor cobertura de gelo no Ártico para os meses de inverno desde que as medidas começaram a ser coletadas há 38 anos. Outro recorde foi registrado no mesmo período na Antártica que, por sua vez, vive seu verão. Segundo os cientistas, o tamanho da cobertura no Sul também foi a menor já registrada. 

No total, a cobertura de gelo chegou a apenas 13,3 milhões de quilômetros quadrados para o Polo Norte. A taxa representa a menor cobertura já registrada no inverno. Isso também representa uma área 260 mil quilômetros quadrados menor que o recorde anterior, registrado em janeiro de 2016. 

Em um ano, o que se perdeu em gelo no Ártico é o equivalente a todo o território do Reino Unido. Além disso, o território hoje sob a camada de gelo é 1,2 milhão de quilômetros quadrados menor do que existia em média entre 1981 e 2010 para essa época do ano. 

"O período de recuperação do gelo no Ártico é normalmente no inverno, quando ele ganha tanto em volume como em extensão", indicou Carlson. "Mas a recuperação neste inverno tem sido frágil e, em alguns dias de janeiro, as temperaturas ficaram acima do ponto do derretimento", disse. "Isso terá sérias implicações para a extensão do gelo no verão e para todo o sistema climático global", alertou. "O que ocorre nos polos não fica apenas nos polos", concluiu.

Por: Jamil Chade (Estadão).

Construções em Madeira e Mudanças Climáticas

Limnologen em Växjö, Suíça. Foto: © Midroc Property Development.
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Há alguns anos, setores da política, da economia e da ciência mundial vêm se debruçando sobre a questão das severas alterações ambientais que ocorrem na Terra e acenam para um desastre ecológico nos próximos anos. 

Já não se pode discutir se as mudanças climáticas geradas pela emissão de gás carbônico na atmosfera vão ou não acontecer, mas sim quais as providências que teremos de tomar para reduzir os efeitos do aquecimento global provocados por essas emissões sobre o nosso planeta. 

A construção civil é uma das atividades humanas que mais consome recursos naturais. Estima-se que entre 40% e 75% dos recursos existentes são consumidos por esse setor no mundo. Só no Brasil, a construção gera cerca de 25% do total de resíduos da indústria e 60% do lixo sólido das cidades. 

Em relação às emissões de carbono, a cadeia produtiva da construção também tem grande peso. Segundo a UNEP (United Nations Environment Programme), as edificações respondem por 40% do consumo global de energia e por até 30% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs) relacionadas ao consumo de energia. 

Por outro lado, temos no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um déficit habitacional de 6,198 milhões de famílias vivendo em residências precárias ou improvisadas. E estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) estimam que são necessários investimentos da ordem de R$ 76 bilhões ao ano para promover políticas públicas sérias que ofereçam moradias dignas para a população. 

Dessa forma, a construção civil terá que colocar em sua agenda as mudanças tanto no processo de concepção e implementação de edifícios, bem como na operação desses empreendimentos. A era do desperdício se encerrou. 

Precisamos evoluir para construções mais limpas, que utilizem matérias-primas renováveis e materiais atóxicos e que, ao mesmo tempo, levem em consideração a gestão de resíduos e a eficiência no uso dos recursos naturais, água e energia, além da urgente redução de emissões de CO2

A opção por sistemas construtivos em madeira, com destaque para aqueles com alta tecnologia embarcada, é a opção que mais responde a essas necessidades. 

Além dessa capacidade de armazenar o carbono absorvido pela árvore, a madeira é o material com menor energia embutida. Segundo a pesquisadora Christine Laroca, a madeira serrada traz embutida em cada metro cúbico produzido, 350 KWH, ao passo que o cimento embute 1750 KWH por cada metro cúbico. 

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O gráfico que pode ser visto ao lado, produzido pela empresa Tecverde, apresenta o comparativo de conservação de recursos naturais na comparação entre uma obra em woodframe e uma construção em aço. 

Dessa forma, é preciso romper o preconceito que foi criado em torno das construções de madeira e efetivamente especificar e pedir que seja especificada a madeira em obras públicas e privadas. 

O WWF-Brasil produziu, no último ano, uma série de cinco vídeos curtos que respondem, de forma geral, as principais questões sobre o uso da madeira na construção. Eles se encontram disponíveis em wwf.org.br/madeiraelegal

O governo brasileiro apresentou, em dezembro de 2008, o Plano Nacional sobre Mudança do Clima - que visa incentivar o desenvolvimento e aprimoramento de ações de mitigação no Brasil, colaborando com o esforço mundial de redução das emissões de gases de efeito estufa, bem como a criação de condições internas para lidar com os impactos das mudanças climáticas globais. 

Assumimos compromissos de redução de emissões nas últimas COP’s. A construção civil está no foco e pode dar mais soluções do que imagina; e a adoção de sistemas em madeira pode ser uma das respostas.

Por: Ricardo Russo; formado em Agronomia e Mestre em Engenharia Florestal. Fonte: WWF Brasil.

Poluição Produzida Pelo Homem Chega às Zonas Abissais do Oceano

A contaminação produzida pelo ser humano alcança o fundo dos oceanos, revelou um estudo publicado em 13/02/2017, que detalha o achado de componentes químicos proibidos em amostras de anfípodes, pequenos crustáceos que residem nas zonas abissais. 

“As zonas abissais são vistas ainda como reinos distantes e imaculados, preservadas da ação humana, mas nosso trabalho mostra que, infelizmente, essa ideia está longe de ser verdade”, destaca Alan Jamieson, pesquisador da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, e coautor deste estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution

Para examinar estes crustáceos, um dos poucos organismos capazes de sobreviver a tais profundidades e níveis de pressão, os pesquisadores usaram ferramentas especiais capazes de chegar a duas enormes fossas do Oceano Pacífico: a das Marianas, a mais profunda conhecida (cerca de 11 km), perto da ilha Guam, e a fossa de Kermadec (mais de 10 km), ao norte da Nova Zelândia

O que descobriram foi que, inclusive no mais profundo da crosta terrestre, os anfípodes apresentam níveis “extraordinários” de contaminação química. 

Os cientistas puderam testar a presençaa de PCB [bifenilos policlorados], proibidos há 40 anos, e de PBDE [éteres difenílicos polibromados], utilizados durante muito tempo para tornar materiais têxteis e plásticos resistentes ao fogo. 

Ambos os componentes estavam presentes em todas as amostras recolhidas nas zonas abissais em diferentes profundidades. 

“Encontrar estas substâncias contaminantes em um dos locais mais escondidos e inacessíveis da Terra nos faz perceber o impacto devastador a longo prazo do ser humano sobre o planeta”, destaca Alan Jamieson

Entre os anos 1930 e 1970, foram produzidas 1,3 milhões de toneladas de PCB no mundo. Desde então, em torno de 35% acabou chegando ao oceano e aos sedimentos terrestres.


Os Perigos de Cortar o Glúten da Alimentação

Quem segue esse tipo de dieta está mais exposto a metais pesados. Pesquisa acredita que o problema está no substituto: a farinha de arroz. 

Um estudo da Universidade de Illinois, em Chicago, alerta para os perigos de cortar o glúten da alimentação. Os pesquisadores descobriram que quem segue esse tipo de dieta está mais exposto a metais pesados, como o arsênico e o mercúrio. Eles acreditam que o problema está no principal substituto ao glúten – a farinha de arroz. 

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, na cevada e no centeio. Tudo o que é feito com farinha desses grãos contém glúten, como pães e massas. Nos Estados Unidos, existe uma febre contra o glúten – 25% dos americanos dizem que consomem produtos sem glúten, um aumento de quase 70% em dois anos. 

Esse estudo - que foi publicado na revista científica americana Epidemiology - alerta para os efeitos não intencionais de uma dieta sem glúten. A pesquisa usou uma base de dados de mais de sete mil pessoas nos Estados Unidos. Os pesquisadores analisaram os exames de urina e de sangue e concluíram que a concentração de arsênico na urina de quem não comia glúten era duas vezes maior do que na de quem comia. Os níveis de mercúrio inorgânico no sangue também eram bem mais altos. 

É que o arroz absorve metais da água e do solo. Segundo a doutora Maria Argos, uma das autoras da pesquisa, as pessoas que seguem uma dieta livre de glúten tendem a aumentar o consumo diário de arroz ao comer o grão e também produtos sem glúten que contém farinha de arroz. Segundo a pesquisa, ainda não se sabe ao certo os efeitos da exposição maior ao mercúrio e ao arsênico, mas acredita-se que eles podem aumentar os riscos de câncer e doenças crônicas.

Por: Fábio Turci (De Nova York - EUA - para o Jornal Hoje).

O 'Ecocídio' Como Crime Contra a Humanidade

Com o novo dispositivo legal, em caso de ecocídio comprovado, como desmatamento em larga escala, as vítimas poderão entrar com um recurso internacional para obrigar os autores do crime – sejam empresas ou autoridades - a pagar por danos morais ou econômicos. 

O Tribunal Penal Internacional (TPI) decidiu, no final de 2016, reconhecer o “ecocídio' [termo que designa a destruição em larga escala do meio ambiente] como 'crime contra a Humanidade'. O novo delito, de âmbito mundial, vem ganhando adeptos na seara do Direito Penal Internacional e entre advogados e especialistas interessados em criminalizar as agressões contra o meio ambiente. 

As informações são da Radio France Internationale. Com o novo dispositivo, em caso de ecocídio comprovado, as vítimas terão a possibilidade de entrar com um recurso internacional para obrigar os autores do crime – sejam empresas ou chefes de Estado e autoridades - a pagar por danos morais ou econômicos. A responsabilidade direta e penas de prisão podem ser emitidas, no caso de países signatários do TPI, mas a sentença que caracteriza o ecocídio deve ser votada por, no mínimo, um terço dos seus membros. 

O advogado brasileiro Édis Milaré, especialista em Direito Ambiental, saúda a medida, dizendo que “ninguém quer se envolver num processo-crime, porque o processo-crime estigmatiza. Nenhuma empresa quer responder por um crime ambiental, porque sabe que está em jogo a sua imagem, a sua reputação, a sua credibilidade, e isso diz respeito à sua sobrevivência. A questão penal é importante, mas em termos de gestão ambiental o assunto do dia no Brasil é dotar o país de um marco regulatório à altura da grandeza do nosso meio ambiente, que devemos proteger”, afirmou. 

Em setembro de 2016, a Procuradoria do TPI publicou um documento de trabalho onde explica que, a partir de agora, o tribunal interpretará os crimes contra a humanidade de maneira mais ampla, para incluir também crimes contra o meio ambiente que destruam as condições de existência de uma população porque o ecossistema foi destruído, como no caso de desmatamento, mineração irresponsável, grilagem de terras e exploração ilícita de recursos naturais, entre outros. 

Evolução 

Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), realizada em Paris, em 2015, os tribunais internacionais de Direitos da Natureza tentam qualificar o ecocídio, dentro do pressuposto jurídico, como o quinto crime internacional. Os outros quatro crimes internacionais, reconhecidos e punidos pelo Tribunal Penal Internacional, são o genocídio, os crimes de guerra, os crimes de agressão e os crimes contra a humanidade. 

A jurista em Direito Internacional, Valérie Cabanes, porta-voz do movimento End Ecocide On Earth (Pelo fim do ecocídio na Terra), explica a origem do termo. “A ideia de ecocídio existe há 50 anos e foi evocada pela primeira vez quando os americanos usaram dioxina nas florestas durante a Guerra do Vietnã. Agora queremos reviver essa ideia que considera que atentar gravemente contra ciclos vitais para a vida na Terra e ecossistemas deve ser considerado um crime internacional", disse. 

“Trabalhamos em 2014 e 2015 num projeto de alteração do estatuto do TPI, onde definimos o crime do ecocídio, explicando que como hoje vivemos uma grave crise ambiental - com extinção de espécies, acidificação dos oceanos, desmatamento massivo e mudanças climáticas - atingimos vários limites planetários. Daí ser necessário regular o direito internacional em torno de um novo valor, o ecossistema da terra, e nós defendemos esta causa junto aos 124 países signatários do Tribunal Penal Internacional”, explicou a especialista. 

“Será um longo trabalho, porque reconhecer os direitos da natureza e do ecossistema implica em reconhecer que o homem não é o 'dono' da vida sobre a Terra, o que pressupõe uma nova concepção do Direito, baseada numa realidade onde o homem é interdependente de outras espécies e do ecossistema. E isso implica também em reconhecer nossos deveres em relação às gerações futuras”, enfatizou Valérie.


Campus Party: A Tecnologia Digital a Favor dos ODS

Com um público ligado no que há de mais moderno no universo digital, o festival Campus Party trouxe soluções tecnológicas para a sustentabilidade. 

Em sua décima edição, o Campus Party se uniu ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para propor um grande desafio a seu público: desenvolver soluções tecnológicas para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU, e também fomentar o empreendedorismo inovador. 

Conhecida como a maior experiência tecnológica do mundo que reúne jovens geeks em um festival de inovação, criatividade, ciência e empreendedorismo, a Campus Party é um universo digital. Entre os dias 31 de janeiro e 5 de fevereiro no Pavilhão de Exposições Anhembi, em São Paulo, o festival recebeu cerca de 80 mil pessoas e proporcionou 700 horas de conteúdo em nove palcos temáticos, além das 100 horas dedicadas ao desafio do PNUD para os ODS, chamado The Big Hackathon

A partir de uma palestra de abertura, realizada por Haroldo Machado Filho, assessor sênior do PNUD, 1.300 pessoas se organizaram em equipes para desenvolver soluções até o estágio de plataforma ou aplicativo minimamente funcional. Todos os projetos foram submetidos ao site Hackdash, que reúne todos os projetos do The Big Hackathon. No sábado 4 de fevereiro, as demos foram apresentadas a cinco bancas avaliadoras que escolheram os 20 finalistas. 


Foram também concedidas menções honrosas a soluções que fossem mais transversais e atingissem mais ODS: BestB4, Health4U e Teto de Verde. A Health4U embora não estivesse entre as 20 melhores avaliadas pelos júri, conseguiu integrar de forma transversal os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e, por isso, recebeu a menção honrosa. 

Os critérios considerados pela comissão formada por especialistas do PNUD foram a integração entre os ODS, a viabilidade financeira, a criatividade da solução, a escala que ela pode gerar, seu impacto social e uma avaliação sobre a tecnologia escolhida. 

Foto: Natália Torres / PNUD Brasil.
Mas, além de selecionar os melhores projetos, outra intenção do PNUD em realizar essa parceria é empoderar os jovens com a agenda dos ODS, considerando que eles são parte da solução. “O mais importante nesse momento é fazer a juventude pensar nessas soluções e também como a tecnologia pode servir para impulsionar o alcance dos ODS. Só de mil jovens terem ouvido falar em ODS já é um avanço para a gente. E o fato de estarem pensando como cada ODS se integra a outro, pensar até o nível de metas dos ODS e como tudo isso se reflete em uma solução tecnológica, é muito interessante”, comenta Beatriz Abreu, assistente em desenvolvimento sustentável do PNUD

As equipes reúnem em média jovens de 16 a 35 anos, mas há pessoas mais experientes participando do desafio também. Ícaro Sousa, 21 anos, da equipe HealthKeeper focou no ODS 3, de bem-estar e saúde, para desenvolver a solução junto com seu time. Trata-se de uma plataforma de big data onde as ONGs que atuam na área de reabilitação cadastram seus pacientes e, por meio desses dados, é gerada uma plataforma de informações que será compartilhada por todas as organizações que trabalham nesse tema, facilitando o acompanhamento dos pacientes, economizando tempo no atendimento e gerando também um mapa da cidade com base nessas informações. “Esses dados que vão circular pelas ONGs podem servir também para o governo, porque vamos fazer um mapeamento por big data que poderá descrever, por exemplo, uma região da cidade em que há maior consumo de um tipo de droga. E essas informações podem ser usadas na política pública”, comenta Sousa

Edileusa de Andrade, da equipe que desenvolveu o Teto de Verde, trouxe com ela a inspiração inicial. Ela atuava no polígono das secas, entre o Piauí e a Bahia, para uma mineradora, e lá começou a trabalhar hortas para geração de renda. Nos debates com o grupo, percebeu que havia um grande potencial de aumentar o impacto social desta ideia. Decidiram então propor uma solução voltada para a construção de telhados verdes constituídos por hortas orgânicas. Em parceria com catadores e agricultura familiar, a cada horta vendida para o setor privado, metade da metragem seria replicada em uma comunidade de baixa renda, abrigo ou escola pública, para democratizar a alimentação saudável e orgânica a pessoas que não têm esse acesso. 

Beatriz diz que alguns parceiros como incubadoras já estão procurando o PNUD para pensar o que pode ser feito como continuidade a este desafio tecnológico junto aos finalistas. Por enquanto, essa iniciativa dos ODS na Campus Party é uma experiência apenas no Brasil, mas Beatriz espera que seja algo replicável na ONU em outros locais. 

“O engajamento das pessoas e as ideias que surgiram com o The Big Hackathon nos impressionaram muito e nos ajudou a ver que estamos no caminho certo ao aproximar mundos que teoricamente são tão distantes, como o do Terceiro Setor e o da tecnologia. Esperamos que os projetos que surgiram na Campus Party possam ganhar escala e ajudar a tornar o mundo mais justo e sustentável”, finaliza Tonico Novaes, diretor geral da Campus Party Brasil

Confira abaixo um breve resumo dos três projetos que receberam a menção honrosa do PNUD e para mais informações sobre os outros 48 projetos acesse: https://hackdash.org/dashboards/bighack10 

BestB4 – Um aplicativo que pretende conectar produtos mais baratos e de qualidade próximos ao vencimento a consumidores que buscam economia, consumo consciente e responsável. 

Health 4U – Primeira plataforma de cooperação médica e atendimento especializado de saúde para suporte ao sistema público de saúde. O objetivo é conectar médicos de todo Brasil que se cadastrarão no app e oferecerão uma hora da sua semana para um atendimento voluntário em seu consultório, na sua clínica ou até na casa do paciente visando diminuir o fluxo de atendimento ao SUS e ajudando o Sistema a se manter ativo nesse período de crise econômica. 

Teto de Verde – Construção de hortas orgânicas para espaços corporativos, com a intenção de harmonizar ambientes coletivos, incentivar o consumo de produtos orgânicos e uma relação solidária na produção do alimento. A solução traz também a replicação social, representada da seguinte forma: a cada horta vendida, outra idêntica é doada a um espaço social escolhido pelo cliente. Este processo envolve 14 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU porque é criado a partir de uma cadeia que estimula a geração de renda solidária, uma vez que os fornecedores serão cooperativas de catadores (que fornecerão o material a ser usado para montagem das estruturas), grupos de agricultura familiar (fornecedores de material orgânico, mudas, adubo e terra), além do olhar cuidadoso e profissional de mulheres refugiadas que trabalham na manutenção dos espaços.

Por: Fernanda Macedo (Página 22).