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Como as Reações Químicas Ajudam Seu Carro a Poluir Menos?

Catalisador é fundamental na transformação de gases tóxicos em substâncias inofensivas ao meio ambiente.

Você sabia que a química auxilia na redução da poluição produzida pelos veículos automotores? Isso acontece graças à ação do catalisador automotivo, um componente capaz de transformar até 98% dos gases tóxicos provenientes da combustão em substâncias inofensivas à saúde humana e à qualidade do ar. 

De acordo com a Umicore, principal fabricante de catalisadores no país, isso acontece porque a peça possui uma combinação de óxidos e metais preciosos, como platina, paládio e ródio que, incorporados a uma estrutura porosa, entram em contato direto com os gases de exaustão. As reações químicas, que têm origem com esse contato, convertem os poluentes em compostos não tóxicos. 

Os catalisadores automotivos mais utilizados atualmente em veículos leves movidos à gasolina e etanol são conhecidos como catalisadores de três vias, pois convertem os três principais poluentes simultaneamente. Através de reações de oxidação, o componente transforma os hidrocarbonetos (HC) e o monóxido de carbono (CO) em gás carbônico (CO2) e água. Já por meio de reações de redução, os óxidos de nitrogênio (NOx) são convertidos em nitrogênio (N2). 

Na prática, como isso contribui para a saúde e qualidade do ar? 

Durante sua vida útil (entre 10 e 15 anos), o catalisador tem por missão reduzir de cinco a dez vezes a poluição emitida pelos veículos automotores. Se o produto não existisse, o meio ambiente receberia cerca de uma tonelada de poluentes, por veículo, ao longo do referido período. Ou seja, cada carro deixa de emitir 300 gramas de gases por dia e 110 quilos por ano. 

Porém, para seu perfeito funcionamento, é importante que os motoristas mantenham as revisões do veículo em dia. Cabe salientar que falhas em outras peças e uso de combustível de má qualidade afetam diretamente o catalisador, fazendo com que o componente não entregue 100% de sua eficiência.

Fonte: RMAI.

Governo Desenha Plano Nacional de Eletromobilidade

Documento prometido para novembro de 2018 trará diretrizes para a expansão do segmento no Brasil

Depois de anunciar o Rota 2030 e definir a redução do IPI para carros híbridos e elétricos, o governo trabalha agora na elaboração do Plano Nacional de Eletromobilidade, proposta de diretrizes para estimular o mercado do segmento no Brasil, reduzindo o abismo que separa a frota brasileira da presente em países desenvolvidos. 

O projeto foi anunciado pelo ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge de Lima. No dia 1º de agosto de 2018 ele participou da abertura do Simea, evento promovido pela AEA, Associação de Engenharia Automotiva. A promessa dele é apresentar o programa em novembro de 2018 com visão para os próximos quatro anos. 

A pasta identificou a demanda por estruturar um plano durante as discussões do grupo de trabalho de veículos híbridos e elétricos, o GT7, formado para desenhar as medidas para o Rota 2030. Entre os integrantes do time estavam montadoras, entidades ligadas ao setor de energia, além de fornecedores de tecnologia e componentes. "Percebemos esta necessidade e decidimos trabalhar em uma proposta dentro do governo", contou Ricardo Zomer, analista da secretaria de desenvolvimento e competitividade industrial do MDIC, que também participou do Simea. Segundo ele, o ministério é o órgão que capitaneia a iniciativa. 

Política públicas e visão de longo prazo 

Zomer conta que o documento pretende unificar o debate sobre eletromobilidade, que hoje está disperso entre os vários elos que podem ser impactados pela expansão do setor. Além disso, o plano pretende desenhar estratégias de longo prazo e propor políticas públicas que viabilizem a expansão deste mercado. 

"Nenhum país maduro conseguiu desenvolver um mercado interessante de veículos elétricos sem oferecer incentivos. Vamos ter de resolver isso no nosso contexto de restrição fiscal", diz. Além de reunir empresas e entidades envolvidas no tema, a iniciativa engloba também o Promob-e, projeto de coordenação técnica entre Brasil e Alemanha desenhado para que o país europeu transfira a sua experiência no setor e contribua para o surgimento de um mercado nacional de carros elétricos. A ideia é entender assim aspectos como quais incentivos são mais efetivos e quem deve assumir a responsabilidade de desenvolver a infraestrutura de recarga. 

As respostas para cada problema serão esboçadas por subgrupos de trabalho, cada um deles focados em um assunto: viabilidade econômica da tecnologia, baterias, regulamentação da energia e do produto, desenvolvimento da cadeia produtiva e capacitação e o desenho de um segmento de veículos elétricos levíssimos, para um ou dois ocupantes. "É algo muito positivo para a mobilidade urbana, mas que ainda não tem presença no Brasil", diz Zomer. Ele acredita que é justamente nas grandes cidades onde que a eletrificação vai avançar de forma consistente. 

Brasil combinará elétricos com tecnologia flex 

A Anfavea, entidade que representa as montadoras, calcula que foram vendidos 3,2 mil veículos eletrificados no Brasil em 2017, volume pífio, que responde a apenas 0,2% do mercado total do ano. Segundo Zomer, para aumentar esta participação será preciso desenhar atuação ampla e conjunta. 

"Precisamos trabalhar para que o Brasil não seja expectador dos avanços globais, mas assuma papel de protagonista com o desenvolvimento de soluções interessantes localmente", avalia. 

O analista entende que o Brasil terá fórmulas próprias para a eletromobilidade, combinando a propulsão com energia elétrica ao carro flex, que já é uma matriz mais limpa do que os combustíveis fósseis que dominam a maior parte do mundo. 

"A eletrificação será gradual, com o avanço dos sistemas elétricos nos veículos e a coexistência entre a nova tecnologia e os veículos bicombustíveis tão presentes na nossa frota", resume.

Por: Giovanna Riato (Automotive Business).

Rota 2030: Como o Programa Vai Funcionar na Prática e Influenciar os Carros Vendidos no Brasil?

Linha de montagem da fábrica da FCA em Goiânia (GO). Programa ainda está vago, mas presidente da Anfavea afirma que consumidor brasileiro terá acesso a carros mais modernos e eficientes.

No dia 05/07/2018 foi anunciado o programa Rota 2030, que estabelece as bases de uma política industrial do setor automobilístico pelos próximos 15 anos. O objetivo de um programa como esse é estimular a modernização do setor a longo prazo e também estabelecer as regras para isenção de impostos. Para conseguirem benefícios fiscais, as montadoras deverão se comprometer a investir em pesquisa e desenvolvimento de veículos mais eficientes e seguros. Mas como essas regras vão funcionar na prática e beneficiar os consumidores? 

Quais são as metas a serem atingidas pelo Rota 2030? 

Para ganharem incentivos fiscais de até R$ 1,5 bilhão por ano, as fabricantes de veículos deverão investir até R$ 5 bilhões na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) por ano e melhorar a eficiência energética de seus veículos em 11% até 2022. Ou seja, as montadoras habilitadas serão obrigadas a reduzir o consumo de combustível de seus veículos nos próximos três anos. 

Se a redução no consumo de combustível e emissões for maior do que a meta de 11%, as empresas poderão ganhar benefícios adicionais. "As empresas que se habilitarem poderão ganhar um desconto adicional no IPI, que vai de 1% a 2%, se elas superarem as metas obrigatórias", afirma Antonio Megale, presidente da Anfavea

Mas para esse benefício valer, os veículos também deverão possuir uma etiquetagem, que trará todas as informações sobre a eficiência energética e os itens obrigatórios de segurança, o que é bom para o cliente, de acordo com Megale

Mas de que forma o Rota 2030 vai beneficiar o consumidor? 

Os carros vão ficar mais baratos no Brasil? Não necessariamente. "O foco do programa não é esse. O foco é assegurar que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento sejam feitos no Brasil", explica o presidente da Anfavea. O discurso do porta-voz do setor é que o consumidor brasileiro terá acesso a carros mais tecnológicos, no mesmo padrão de mercados desenvolvidos. 

Megale, no entanto, afirma que o Rota 2030 pode sim favorecer a queda nos preços de veículos híbridos e elétricos, produtos hoje pouco acessíveis. O programa determina a redução de impostos para os veículos equipados com essas tecnologias. A alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para esses produtos que hoje é de 25% deverá cair para patamares entre 7% e 20%. Para veículos híbridos que combinarem à tecnologia flex, algo ainda em desenvolvimento, haverá um bônus de 2% de desconto no IPI. Mas esta implementação está prevista para começar apenas em novembro de 2018, segundo Megale

Megale ainda afirma que o avanço tecnológico e nos equipamentos de segurança vêm para o bem do consumidor. As informações sobre esses itens também constarão na rotulagem do veículo, o que garante ainda mais que este esteja dentro das exigências do programa. 

O Rota 2030 exige a produção de carros mais seguros?

Sim, mas apenas no médio prazo. O programa ainda está vago em vários aspectos, mas deve ser complementados nos próximos meses. Por enquanto, o texto prevê um cronograma para a indústria oferecer novos itens de segurança obrigatórios em seus automóveis. Mas a previsão de inclusão desses novos equipamentos está sendo verificada pelo Contran, juntamente com o Denatran, e deve ser determinada nos próximos meses. "Estamos trabalhando junto com os órgãos governamentais na implementação de legislações obrigatórias para esses novos itens e as empresas terão que cumprir", afirmou Megale.

Por: Tabatha Benjamin (Revista Auto Esporte).

Terra Corre O Risco De Entrar Em Efeito Estufa Irreversível, diz estudo

Especialistas também estão preocupados com outros fenômenos, como incêndios florestais, que se propagarão à medida que o planeta se tornar mais quente e seco. Foto: Patrick Hertzog / AFP.

O planeta precisa urgentemente de uma transição para uma economia verde, pois a contaminação por combustíveis fósseis ameaça empurrar a Terra para um duradouro e perigoso estado de efeito estufa, alertaram pesquisadores 06/08/2018. 

Se o gelo polar continuar derretendo, as florestas encolhendo e os gases de efeito estufa aumentando - como acontece a cada ano -, a Terra chegará a um "ponto de inflexão", isto é, de dano irreversível. 

Cruzar este limiar "garante um clima de 4º a 5º Celsius superior à era pré-industrial, e níveis do mar entre 10 e 60 metros mais altos do que os de hoje", advertiram cientistas no jornal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos [Trajectories of the Earth System in the Anthropocene]. E isso "poderia acontecer em apenas algumas décadas", alertaram eles. 

O que é 'Terra estufa'?

"É provável que uma 'Terra estufa' seja incontrolável e perigosa para muitos", afirma o artigo escrito por cientistas da Universidade de Copenhague, da Universidade Nacional da Austrália e do Instituto de Pesquisas de Efeitos Climáticos de Potsdam, na Alemanha

Ao final do século ou até mesmo antes, os rios transbordariam, as tempestades causariam estragos nas comunidades costeiras e os recifes de coral desapareceriam. 

A média das temperaturas globais poderia exceder a de qualquer período interglacial - isto é, nas épocas mais quentes entre as Eras do Gelo - do último 1,2 milhão de anos. 

O degelo polar levaria a níveis do mar dramaticamente mais altos, inundando as terras costeiras onde vivem centenas de milhões de pessoas. "Lugares na Terra se tornarão inabitáveis se a 'Terra estufa' virar realidade", disse o coautor do estudo Johan Rockstrom, diretor-executivo do Stockholm Resilience Center

Onde está o ponto de inflexão?

Os pesquisadores sugerem que o ponto de inflexão poderia acontecer quando o aquecimento da Terra se situar 2°C acima dos níveis pré-industriais. O planeta já aqueceu 1°C em relação à era pré-industrial e continua esquentando à velocidade de 0,17°C por década. 

"Um aquecimento de 2°C poderia ativar elementos de inflexão importantes, elevando ainda mais a temperatura para ativar outros elementos de inflexão em um efeito dominó, que poderia fazer a temperatura do sistema da Terra aumentar", destaca o relatório. 

Essa cascata "poderia inclinar todo o sistema da Terra para um novo modo de operação", disse o coautor Hans Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto de Pesquisas de Efeitos Climáticos de Potsdam

Os especialistas também estão preocupados com outros fenômenos, como incêndios florestais, que se propagarão à medida que o planeta se tornar mais quente e seco e têm o potencial de acelerar o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera e o aquecimento global. 

Cálculo

O artigo se baseia em estudos publicados previamente sobre pontos de inflexão da Terra. Os cientistas também examinaram condições que o planeta experimentou no passado remoto, como no Plioceno, há 5 milhões de anos, quando o gás carbônico (CO²) estava em 400 partes por milhão (ppm), como hoje. 

No Cretáceo, era dos dinossauros há 100 milhões de anos, os níveis de CO² eram ainda mais elevados, atingindo as 1.000 ppm, em grande parte em razão da atividade vulcânica. 

Afirmar que 2°C é um ponto sem retorno "é novo", disse Martin Siegert, codiretor do Instituto Gratham no Imperial College de Londres, que não participou do estudo. 

Os autores do relatório "coletaram ideias e teorias previamente publicadas para apresentar uma narração sobre como aconteceria o cruzamento do limiar", disse. "É bastante seletivo, mas não absurdo." 

Como evitar

Segundo os cientistas, as pessoas devem mudar imediatamente seus estilos de vida. Os combustíveis fósseis precisam ser substituídos por fontes de energia com emissões baixas ou nulas, e devem ser criadas mais estratégias para absorver as emissões de carbono, como acabar com o desmatamento e plantar árvores para absorver o dióxido de carbono. Na lista de ações está a gestão do solo, melhoria das práticas agrícolas, conservação de terras e costas, e implementação de tecnologias de captura de carbono. 

No entanto, se os humanos deixassem agora de emitir gases de efeito estufa, a tendência atual de aquecimento poderia desencadear outros processos do sistema Terra, chamados de retroalimentações, que levariam a um aquecimento ainda maior. Isto inclui o degelo do permafrost (tipo de solo encontrado na região do Ártico), o desmatamento, a perda da camada de neve do hemisfério norte, do gelo marinho e do gelo polar.

Os cientistas dizem que não é certo que a Terra possa permanecer estável. "O que ainda não sabemos é se o sistema climático pode 'estacionar' de forma segura cerca de 2°C acima dos níveis pré-industriais, como prevê o Acordo de Paris", disse Schellnhuber


Seca Que Pode Ter Levado Ao Colapso Da Civilização Maia Provocou Queda De Até 70% Nas Chuvas

Eles dominavam a arquitetura e a matemática. Eles conheciam a astronomia. Eles tinham um sistema de escrita tão eficiente quanto os que existiam, no mesmo período, na Europa

A civilização maia, uma das mais proeminentes culturas americanas pré-colombianas, deixou marcas que denotam o seu alto grau de desenvolvimento. Mas, quando os europeus chegaram ao continente americano, pouco havia restado. 

O mistério sobre o desaparecimento dessa civilização ganha mais uma explicação em estudo publicado pela revista Science [Quantification of drought during the collapse of the classic Maya civilization]. Se muitos já acreditavam que teria sido uma forte estiagem a responsável pelo declínio dos maias, uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade de Cambridge e da Universidade da Flórida demonstrou qual o tamanho dessa seca. 

"Descobrimos que a precipitação média anual diminuiu em cerca de 41 a 54% em relação a hoje ao longo de várias décadas de seca. Períodos com até 70% de redução da precipitação podem ter ocorrido em períodos de tempo mais curtos dentro das secas", afirma o geoquímico Nicholas Evans, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge, em entrevista à BBC News Brasil

Segundo ele, a pesquisa demonstrou que a umidade relativa diminuiu de 2 a 7% no período. "Nossos resultados podem agora ser usados para prever melhor como essas condições de seca podem ter afetado a agricultura, incluindo os rendimentos das culturas básicas dos maias, como o milho." 

Como a seca afetou os maias?

Os primeiros indícios físicos de uma correlação temporal entre a seca e uma transformação sociopolítica da civilização maia foram encontrados mais de vinte anos atrás, em um sedimento do Lago Chichancanab, na península de Yucatán, no México

A atual análise da presença de camadas de sulfato de cálcio e o concomitante aumento dos isótopos de oxigênio nas conchas de alguns moluscos indicam que a época conhecida como período clássico terminal foi uma das mais secas da história da região. 

A teoria de que uma mudança climática por volta do ano 1000 teria levado a civilização ao colapso já havia sido apresentada anteriormente. Essa, entretanto, é a primeira vez que uma pesquisa mostra o quão seca foi essa longa estiagem. 

Isso porque os estudos paleoclimáticos anteriores eram baseados em reconstruções qualitativas. Ou seja, por comparação, apenas se sabia que um período era mais seco que o outro. 

No novo estudo, os pesquisadores reconstruíram a composição isotópica da água do lago Chichancanab, no México, a partir de núcleos de sedimentos de sulfato de cálcio hidratado. Eles mediram a presença de oxigênio e hidrogênio - ou seja, as moléculas da água - nesse material decantado há séculos, depositado como camadas no fundo do lago. Com isso, conseguiram um retrato meteorológico da época do declínio dos maias, entre os anos 800 e 1000. 

Os cientistas descobriram que, no período, a precipitação anual nas planícies maias foi reduzida em quase 50% em média - chegando a picos de 70%. 

A região de Yucatán é rica em rochas calcárias, que acabam dissolvidas pela chuva. Um cenário perfeito para os cientistas analisarem as mudanças climáticas a partir desse material. 

Hoje, a água do lago está próxima da saturação para o sulfato de cálcio. Durante épocas passadas, com clima mais seco, quando o lago encolheu, esse material acabou preservado como camadas distintas dentro dos sedimentos acumulados. Esse processo registra a composição isotópica, de forma fracionada. 

Teorias sobre o declínio dos maias 

O auge civilizatório do povo maia ocorreu entre os anos 250 e 950, período chamado de Clássico. Em 750, acredita-se, a população total tenha chegado a 13 milhões de habitantes. Daí em diante, entretanto, houve um declínio rápido e cheio de mistérios. 

Várias hipóteses já foram aventadas e pululam em livros de história. De surtos de doenças a problemas decorrentes da dependência da monocultura, passando por guerras internas, invasão de algum povo estrangeiro e mudanças climáticas. 

Nos últimos anos, a versão climática tem ganhado força, sobretudo por conta de indícios encontrados por cientistas no solo e no fundo de lagos mexicanos. "Outros estudos em toda a região das planícies maias também fornecem pistas de sincronicidade da seca, com apenas pequenas variações temporais em toda a região. Não podemos dizer se essa seca foi experimentada em outras áreas do planeta", ressalta o cientista Nicholas Evans

Essa hipótese já era apresentada pelo menos desde 1994, quando o arqueólogo Richardson Benedict Gill publicou o livro The Great Maya Droughts ('As grandes secas maias', em tradução livre). Na obra, ele afirma que a escassez de água teria sido o fator principal no colapso do povo maia. Para isso, ele utilizou o registro histórico de estiagens. 

Mais recentemente, estudos de geólogos e geógrafos da Universidade da Flórida concluíram que, na América Central, o intervalo mais seco dos últimos 7 mil anos ocorreu justamente entre os anos 800 e 1000 – coincidindo com o ocaso maia. 

Uma longa seca não significa que a população maia morreu de sede - ou de fome, considerando a decadência da atividade agrícola devido ao clima complicado. A estiagem não dizimou os maias, mas dispersou a civilização. Os centros populacionais foram sendo abandonados. Cada grupo tratou de buscar algum outro meio de vida. Foi um retrocesso do ponto de vista social. 

Em 2012, outro estudo publicado pela Science apontou que, no caso dos maias, as secas tiveram um papel crucial porque eles dependiam das chuvas de verão para encher seus reservatórios e garantir a atividade agrícola - já que não há rios nas planícies de Yucatán

E por que essa seca teria ocorrido? De acordo com Nicholas Evans, é impossível chegar a uma única explicação. 

"Existem várias teorias, mas os dados não sustentam qualquer causa singular. Possíveis teorias incluem o desmatamento, mudanças na frequência dos ciclones tropicais, mudanças na frequência dos eventos El Niño e mudanças na posição da Zona de Convergência Intertropical, entre outros." 

Novas catástrofes no futuro?

Para o pesquisador, não há razão para olharmos para o passado da civilização maia imaginando que algo semelhante possa ocorrer no futuro, em tempos de aquecimento global e outros descontroles. Pelo menos não pelas mesmas razões. 

"Não há ligações diretas entre a seca estudada e os períodos futuros de seca, já que a globalização hoje significa que os seres humanos são capazes de movimentar recursos hídricos e alimentares em todo o planeta, enquanto os maias eram dependentes de chuvas e viviam como uma sociedade agrícola local", afirma. 

"Recursos hídricos, no entanto, são críticos para a sociedade humana, e sem água o mundo não seria capaz de funcionar. Outros cientistas preveem que a severidade da seca em regiões que já são suscetíveis a baixos níveis de chuva e altos níveis de evaporação provavelmente aumentará à medida que os humanos continuarem a influenciar o sistema climático", alerta.

Por: Edison Veiga (BBC).

Desmatamento e Ocupação Desordenada Ameaçam Conservação do Cerrado

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil.

Com mais da metade de sua área degradada, o Cerrado ainda aguarda o título de Patrimônio Nacional pela Constituição Federal, como já obtido por outros ecossistemas do Brasil. Depois da Amazônia, o Cerrado é o maior bioma da América do Sul. Especialistas alertam para os danos irreversíveis que o intenso processo de degradação pode trazer não só para o bioma, mas também para a sociedade, ao pôr em risco a disponibilidade de água e a regulação do clima. 

O Cerrado se estende por mais de 2 milhões de quilômetros quadrados (Km2) do território brasileiro, o que equivale a quase 24% do país. Contudo, a área com vegetação íntegra do bioma já foi reduzida a cerca de 20% de sua cobertura original. 

Um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) mostra que em 15 anos o desmatamento no Cerrado foi mais intenso que na Amazônia. De 2000 a 2015, o Cerrado perdeu 236 mil quilômetros quadrados, enquanto a perda na Amazônia, bioma duas vezes maior, foi de 208 mil quilômetros quadrados. Só no ano de 2015, o volume desmatado do Cerrado correspondeu a mais da metade da área devastada da floresta amazônica. 

"A gente vê a expansão do agronegócio de maneira desenfreada no Cerrado, como se isso fosse totalmente natural. Esse é um dos motivos de tentar chamar a atenção para essa situação do Cerrado, que é um bioma que está se esvaindo rapidamente, sendo convertido em pastagens e áreas agrícolas de uma maneira desordenada", alerta a bióloga Nurit Bensusan, coordenadora adjunta do Programa de Política e Direito do Instituto Socioambiental (ISA). 

Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Cerrado é o bioma mais afetado nas Américas pelas queimadas e pela produção de culturas como a soja e a cana-de-açúcar. O processo de expansão da fronteira agrícola, com a exploração predatória, como a produção de carvão vegetal e a pecuária, vem reduzindo gradativamente a extensão do bioma nas últimas décadas. 

Patrimônio nacional

Para especialistas, o reconhecimento do Cerrado como Patrimônio Nacional é fundamental para a conservação do bioma. A Constituição de 1988 concedeu o título à Floresta Amazônica brasileira, Mata Atlântica, Serra do Mar, ao Pantanal Mato-Grossense e à Zona Costeira e estabelece que essas áreas e seus recursos naturais devem ser usados "dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente". 

Tramita desde 2003 no Congresso Nacional uma proposta de emenda à Constituição que pretende incluir o Cerrado e a Caatinga ente os biomas considerados patrimônio nacional. A PEC já foi aprovada no Senado e aguarda, desde 2010, apreciação do plenário da Câmara dos Deputados

"Não faltam elementos para reconhecer a importância do Cerrado como um ambiente fundamental para garantir a qualidade de vida dos brasileiros, por outro lado, ele está sempre em desvantagem, as políticas de conservação do Cerrado não são implementadas ou faltam políticas", avalia a bióloga Nurit

"Ainda há um grande desconhecimento por parte da população brasileira do que é a realidade de ocupação do Cerrado e como este processo nos afeta. O reconhecimento como patrimônio nacional tem um peso importante para sua proteção, não é uma questão local. A conservação do Cerrado tem repercussões e benefícios para o Brasil inteiro", completou a professora Mercedes Maria da Cunha Bustamante, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB). 

Fragmentos

As consequências da degradação poderão, no futuro, inviabilizar o próprio agronegócio. A mudança no ambiente alterou o regime de chuvas e de produção de alimentos no ecossistema que tem a maior produção agrícola e pecuária do país. 

"Metade do Cerrado foi destruída, mas o que sobra dos outros 50% não são áreas inteiras, são áreas fragmentadas, pequenas ilhazinhas de cerrado. E as áreas fragmentadas não conservam aquela diversidade biológica, a mesma flora e fauna das áreas inteiras, mesmo que essa área esteja protegida por uma unidade de conservação", explica a bióloga Nurit

"Essas áreas muito fragmentadas não têm condições de sustentabilidade ou de continuar mantendo as funções ecológicas que geram serviços importantes para o ser humano, como a disponibilidade de água e regulação do clima", completou a professora Mercedes

As áreas desmatadas do Cerrado são responsáveis ainda pela elevada emissão de gases de efeito estufa. Segundo estudo recente do Observatório do Clima, em 2016, o desmatamento do Cerrado emitiu 248 milhões de toneladas brutas de gases de efeito estufa, volume que corresponde a mais que o dobro da emissão da indústria e equivale a 11% de todo o carbono que o Brasil lançou no ar no mesmo ano. 

Meta de redução

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que a área desmatada no Cerrado entre 2013 e 2015 foi de quase 19 mil quilômetros quadrados, uma média atual de 9,4 mil quilômetros quadrados por ano. Antes de 2008, essa média era de 15,7 quilômetros quadrados. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, que coordena o Programa de Monitoramento Ambiental dos Biomas Brasileiros, o resultado mostra redução de 37% no ritmo de desmatamento. 

O ministério ressaltou que o percentual se aproxima da meta de redução em 40% do desmatamento do Cerrado estabelecida pela Política Nacional de Mudança do Clima até 2020. Mesmo com a redução, a pasta informou que "o governo continuará atuando até conter todo o desmatamento ilegal no bioma". 

Diferentemente da Amazônia, o monitoramento da degradação do Cerrado não é avaliado anualmente, mas, segundo o Ministério do Meio Ambiente, ainda em 2018 serão lançados os dados referentes a 2016 e 2017, e o Cerrado passará a contar com dados anuais. Também está em fase de testes o chamado Deter Cerrado, que fará monitoramento em tempo quase real do desmatamento, além de auxiliar nas ações de fiscalização. 

O governo federal aprovou, em dezembro de 2016, a 3ª fase do chamado PPCerrado, plano de prevenção e controle do desmatamento. O programa, que será implementado até 2020, prevê o ordenamento fundiário e territorial, monitoramento e controle, promoção de cadeias produtivas sustentáveis e instrumentos normativos e econômicos. 

No âmbito da fiscalização, o Ministério do Meio Ambiente informou que nos últimos 5 anos foram instaurados cerca de 2,3 mil processos de infração contra a flora. Foram feitas ainda ações de prevenção e controle de incêndios florestais e foi implantado um sistema de monitoramento da cobertura vegetal e outro de alerta de detecção do desmatamento. 

Sobre a captação de recursos, o ministério esclarece que em breve o Brasil poderá pleitear pagamento por resultados alcançados na redução do desmatamento no Cerrado, assim como já é feito para a Amazônia. O Fundo Amazônia dispõe de R$ 2,5 bilhões em pagamentos e já investiu cerca de R$ 1,7 bilhão em projetos de combate ao desmatamento. 

Alta biodiversidade

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Cerrado abriga 5% da biodiversidade do mundo. É a savana com a maior diversidade de árvores e onde vivem 12 mil espécies de plantas nativas, além de mais de 2,5 mil espécies de animais, entre mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis, e cerca de 67 mil espécies de invertebrados. No entanto, 20% das espécies nativas e endêmicas já não são encontradas nas áreas protegidas do Cerrado, onde pelo menos 137 espécies de animas estão ameaçadas de extinção. 

O ecossistema tem cerca de 60 unidades de conservação, que protegem cerca de 8% da área total do bioma. Ele também é considerado o berço das águas, pois concentra as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul e a cabeceira de importantes rios, lagos e córregos responsáveis pela distribuição de água no Brasil

Apesar do grande volume de água, alguns estados e o Distrito Federal estão enfrentando grave crise hídrica. "Se não tiver de fato uma política de conservação voltada para manutenção de recursos hídricos, a gente vai sofrer. Não se trata de inventar a roda, tem soluções que poderiam ser feitas a curto prazo e com efeitos positivos. Uma delas é evitar desperdício, pensar num uso mais sustentável da água na agricultura, em outro modelo de agronegócio que combine conservação e produção, além de usar menos agrotóxicos que poluem a água", explica a especialista Bensusan

Importância social

A vegetação do Cerrado está presente nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo, Distrito Federal, além de ocorrências no Amapá, Roraima e Amazonas. Na área de Cerrado, vive cerca de 40% da população brasileira e diferentes comunidades tradicionais, como indígenas, ribeirinhos, os chamados geraizeiros (do Cerrado do norte de Minas Gerais), quebradores de babaçu e quilombolas. 

"Os povos do Cerrado são muito importantes, porque têm formas de vida tradicionais ligadas à natureza e que mantêm essa vegetação e essa fauna. À medida que os modos de vida dessas populações colapsam, a ameaça ao Cerrado duplica, porque essas pessoas têm que migrar para outras formas de uso da terra e dos recursos naturais que são mais predatórias, além da própria ameaça ao modo de vida dessas pessoas", analisa a bióloga Bensusan

Estudos

Os pesquisadores estão trabalhando em conjunto com a Universidade de Brasília (UnB), que começou a desenvolver este ano um projeto de sensoreamento remoto para estabelecer conexões entre informações de segurança hídrica, energética e alimentar e as comunidades tradicionais que vivem no Cerrado

O projeto vai consolidar na forma de mapas diferentes informações do bioma, por exemplo a variabilidade do clima nos últimos anos e as projeções futuras de mudanças climáticas com os possíveis impactos sobre a cadeia produtiva. Os primeiros resultados devem sair até o fim deste ano e serão levados pelos cientistas aos gestores públicos para basear as decisões sobre o tema. 

"Hoje, a questão central do Cerrado é fazer uma boa gestão territorial que permita você ter o desenvolvimento da agricultura sem ocupar novos espaços e ao mesmo tempo garantir a segurança de fornecimento de água, alimentos e a utilização racional dos recursos energéticos nessa ocupação", explica a professora Mercedes Bustamante, coordenadora do projeto.

Por: Débora Brito / Edição: Talita Cavalcante (Agência Brasil).

Brasil Vai na Contramão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mostra relatório

Relatório produzido por um grupo de trabalho que reúne 38 entidades da sociedade civil analisa como o Brasil está situado em relação a cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O quadro é preocupante. Seguem abaixo informações divulgadas pela Artigo 19, uma das organizações participantes do GT.

O Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GTSC A2030), composto por 38 entidades, lança o Relatório Luz da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável – Síntese II. Elaborada pelas entidades que compõem o GT e por organizações e especialistas convidados, a publicação analisa, a partir de dados oficiais, a situação do Brasil à luz de 121 das 169 metas que compõem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Cada um dos 17 ODS é tema de um capítulo no relatório, que traz recomendações específicas. 

Adotados em 2015 pelos 193 Estados-membros da ONU, os ODS abarcam metas de caráter social, econômico e ambiental, agregadas em 17 objetivos, a serem cumpridas por todos seus signatários até 2030. O conjunto desses objetivos é chamado de Agenda 2030

Assim como na primeira versão do relatório, lançado no ano passado, o GTSC A2030 demonstra preocupação com o cenário brasileiro. De acordo com a publicação , “o caminho trilhado nos últimos três anos pelo Brasil é incoerente com a Agenda 2030”. 

O relatório conclui que “os orçamentos de políticas e programas importantes para a sociedade e para o meio ambiente estão menores ou zerados”. Lembra também que “os abismos sociais entre ricos e pobres se aprofundam”, enquanto “consolida-se a exclusão histórica baseada em raças, etnias, identidade de gênero e orientação sexual.” 

No ODS 5 (Igualdade de Gênero), o relatório traz uma série de estatísticas que demonstram que a situação da vida das mulheres no Brasil nos últimos anos ainda está longe do ideal. Entre elas, está o dado de que as brasileiras recebem 76,5% dos rendimentos dos homens e ocupam apenas 36,8% dos cargos públicos. Além disso, em fevereiro de 2017, uma em cada três brasileiras relatou ter sido vítima de violência nos últimos 12 meses. 

Outro ponto importante que diz respeito ao ODS 5 é que ainda não foram criados indicadores que possibilitem mensurar a aplicação das metas contidas no objetivo. Por isso, a publicação recomenda a implementação de políticas baseadas na “coleta, publicação e divulgação proativa de dados sobre a situação das mulheres, com dados desagregados por sexo, gênero, classe, raça/cor, status de deficiência, migratórios e outras categorias relevantes” 

Já o capítulo destinado ao ODS 6 (Água Limpa e Saneamento) aponta que os índices brasileiros de atendimento de água e esgoto estão estagnados ou pioraram. Apenas 44,9% de todo o esgoto produzido no país é coletado, 34 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada e mais de 100 milhões não possuem o serviço de coleta de esgoto em seus domicílios. Para piorar, o investimento no setor tem sido cada vez menor nos últimos anos. 

O direito de acesso à informação é um dos temas que constam no ODS 16 (Paz e Justiça). A principal crítica nessa questão, segundo o relatório, diz respeito à ausência de uma instituição nacional independente e específica para lidar com as políticas de transparência. Outro alvo de questionamento diz respeito à decisão de rebaixar a posição institucional da Controladoria-Geral da União, bem como a dificuldade da implementação da Lei de Acesso à Informação nos Estados e municípios brasileiros. 

A análise do ODS 16 ainda destaca os preocupantes índices relacionados à violência, que colocam o Brasil entre os cinco países com maiores taxas de homicídios de jovens entre 10 e 19 anos. A violência policial e o racismo institucional, revelado no sistema penitenciário, são apontados pelo relatório como grandes desafios que precisam ser enfrentados. 

Apesar de alguns avanços, os diversos retrocessos registrados no último período representam uma grande preocupação para o cumprimento da Agenda 2030 por parte do Brasil. Ainda assim, a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável deve ser alvo de esforços permanentes por parte do Estado brasileiro, em um processo que se assente em mecanismos estruturantes de transparência e de acesso à informação e que possibilite a participação efetiva da sociedade civil.

Fonte: Página 22.

Comunicação Ambiental — Ferramenta Útil Para Uma Gestão Eficaz

Em o que se refere ao contexto empresarial para auditoria e certificação, a nora NBR ISO 14063 define a comunicação ambiental como "o processo que uma organização conduz para fornecer e obter informação e para estabelecer um diálogo transparente com seu público interno e externo, a fim de encorajar um entendimento compartilhado sobre questões, aspectos e desempenho ambientais" (ABNT, 2009, p. 1); também levando em consideração o ponto de vista legal, a Política Nacional do Meio Ambiente prevê a "divulgação de dados e informações ambientais para a formação da consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico" (Resolução CONAMA nº 6.938/1981, artigo 4º, parágrafo V).

Para efeitos práticos, a comunicação ambiental nas empresas abrange todo o conjunto de estratégias e ações de informe empenhado em promover a divulgação da temática "meio ambiente" - que pode ser exercida por profissionais de diversas áreas - através de folders, palestras, campanhas publicitárias , livros, vídeos, filmes, internet, artigos ou relatórios, tendo como objetivo oferecer uma visão integradora de um futuro sustentável para capacitar grupos sociais em defesa da diversidade biológica, a fim de evitar ou remediar problemas ambientais por meio da concepção operações que sejam bem estabelecidas, empregando instrumentos, técnicas e métodos já definidos na comunicação social para o desenvolvimento, dentre eles o marketing social, a educação de adultos, a sensibilização cultural, etc.

De maneira universal, pessoas e demais seres vivos estão expostos a riscos [probabilidade ou chance de lesão ou morte] no ambiente em que trabalham ou em que vivem; desprezíveis ou altamente significativos, tais riscos podem ser:

1) Naturais 

• Biológicos: vírus, doenças e epidemias;
• Físicos: atmosféricos, geológicos e hidrológicos.

2) Antrópicos 

• Sociais: desigualdades socioeconômicas, assaltos e guerras;
• Tecnológicos: rompimento de barragens contendo rejeitos de mineração, explosão de reatores nucleares, vazamento de óleo e gás e refinarias, etc.

Sendo assim, diante dos fenômenos da natureza e dos impactos produzidos pelas atividades humanas é que faz-se necessária a percepção dos encadeamentos e relações de causa e efeito que condicionam a vida no espaço e no tempo para que se possa ter uma visão crítica e acurada de tudo o que vai à volta do ser, seja no ambiente organizacional ou no ambiente sociocultural, para uma gestão eficaz nos setores primário (atividades agropecuárias), secundário (atividades industriais) e terciário (atividades comerciais e de serviços).

Com a finalidade de nortear uma estratégia de comunicação ambiental, a organização precisa, antes de tudo, definir quais são seus objetivos ambientais por meio das seguintes perguntas, conforme orienta a NBR ISO 14.063 (ABNT, 2009, p. 4):

1) Por que a organização está se engajando em comunicação ambiental e quais são seus propósitos?

2) Quais as questões e impactos ambientais pertinentes da organização?

3) Quais são as principais questões a serem abordadas, mensagens a serem transmitidas e técnicas de comunicação, abordagens, ferramentas e canais a serem usados?

4) Quanto tempo é necessário para implantar a estratégia?

5) Como a estratégia envolverá e coordenará os gerentes ambientais, partes interessadas, indivíduos responsáveis pelas questões ambientais e os indivíduos responsáveis pela comunicação interna e externa da organização?

6) Quais as fronteiras locais, regionais, nacionais e internacionais para a estratégia?

Em coerência com o tipo de negócio e seus possíveis impactos, respostas bem elaboradas irão gerar informações importantes que transformadas em dados confiáveis devem ser documentados e armazenados em papel ou eletronicamente por um Sistema de Gestão Ambiental já desenvolvido pela empresa - seguindo determinação da NBR ISO 14.001 - para atender aos compromissos da política ambiental, expondo minuciosamente as responsabilidades, as funções desempenhadas e definição de autoridades em um conjunto de documentos como o Manual do SGA [descreve o SGA de acordo com a política, os objetivos e as metas estabelecidas]; Procedimentos em Nível de Sistema [descreve os processos inter-relacionados e as atividades necessárias para implantar o SGA]; Instruções [documentos de trabalho detalhados]; Registros, Formulários e Relatórios [documentos sobre resultados, comunicações feitas e recebidas e atividades realizadas no âmbito do SGA].

O referido sistema normativo elaborado pela Organização Internacional Para a Padronização (ISO) na década de 1990 é inspirado no ciclo de gerenciamento de atividades chamado de P.D.C.A. (Plan-Do-Check-Act) cuja metodologia consiste em planejar - estabelece os objetivos e processos necessários para atingir os resultados e concordância com a política ambiental da organização; executar - implementa os processos, momento em que o planejamento será executado; verificar - monitora e mede os processos em conformidade com a política ambiental, objetivos, metas, requisitos legais e relata os resultados; e agir - trabalha continuamente para melhorar o desempenho do Sistema de Gestão Ambiental com análise pela alta administração.

Na maioria das vezes as preocupações com o meio ambiente por parte das iniciativas privadas não costumam aparecer espontaneamente, são suscitadas por pressões de segmentos da sociedade para o cumprimento de obrigações legais e por consumidores cada vez mais exigentes em relação a produtos e serviços ambientalmente corretos. Interessante perceber que a postura reativa do empresariado recebe bastante influência do Poder Público que aprova leis ambientais sensibilizado pela legitimidade do clamor e das reivindicações sociais (baseando-se no artigo 225 da Constituição Federal de 1988) e das demandas de mercado por mais transparência e qualidade total.

A Câmara de Comércio Internacional (CCI), no sentido de prestar auxílio às empresas do mundo inteiro e contribuir para melhores práticas e desempenhos ambientais, criou o Business Charter For Sustainable Development que contém 16 princípios para a Gestão Ambiental - orientando o setor empresarial para alcançar o desenvolvimento sustentável - os quais são:

1 - Prioridade Organizacional - Estabelecer políticas, programas e práticas no desenvolvimento das operações voltadas para a questão ambiental. Reconhecer que ela é a questão-chave e prioridade da empresa.

2 - Gestão Integrada – Integrar as políticas, programas e práticas ambientais em todos os negócios como elementos indispensáveis de administração em todas suas funções.

3 - Processos de Melhoria – Continuar melhorando as políticas corporativas, os programas e performance ambiental, tanto no mercado interno quanto externo, levando em conta o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento científico, as necessidades dos consumidores e os anseios da comunidade, como ponto de partida das regulamentações ambientais.

4 - Educação Ambiental – Educar, treinar e motivar pessoas no sentido de que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável com relação ao ambiente.

5 - Prioridade de Enfoque – Considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto e antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de abandonar alguma unidade produtiva.

6 - Produtos e Serviços – Desenvolver e produzir produtos e serviços que não sejam agressivos ao ambiente e que sejam seguros em sua utilização e consumo, que sejam eficientes no consumo de energia e de recursos naturais e que possam ser reciclados, reutilizados e armazenados de forma segura.

7 - Orientação ao Consumidor – Orientar e, se necessário, educar consumidores, distribuidores e o público em geral sobre o correto e seguro uso, transporte, armazenagem e descarte dos produtos produzidos.

8 - Equipamentos e Operacionalização – Desenvolver, desenhar e operar máquinas e equipamentos levando em conta o eficiente uso da água, energia e matérias-primas, o uso sustentável dos recursos renováveis, a minimização dos impactos negativos ao ambiente e a geração de poluição e o uso responsável e seguro dos resíduos existentes.

9 - Pesquisa – Conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os impactos ambientais das matérias-primas, produtos, processos, emissões e resíduos associados ao processo produtivo da empresa, visando à minimização de seus efeitos.

10 - Enfoque Preventivo – Modificar a manufatura e o uso de produtos ou serviços e mesmo os processos produtivos, de forma consistente com os mais modernos conhecimentos técnicos e científicos, no sentido de prevenir as sérias e irreversíveis degradações do meio ambiente.

11 - Fornecedores e Subcontratados – Promover a adoção dos princípios ambientais da empresa junto aos subcontratados e fornecedores encorajando e assegurando, sempre que possível, melhoramentos em suas atividades, de modo que elas sejam uma extensão das normas utilizadas pela empresa.

12 - Planos de Emergência – Desenvolver e manter, nas áreas de risco potencial, planos de emergência idealizados em conjunto entre os setores da empresa envolvidos, os órgãos governamentais e a comunidade local, reconhecendo a repercussão de eventuais acidentes.

13 - Transferência de Tecnologia – Contribuir na disseminação e transferência das tecnologias e métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente junto aos setores privado e público.

14 - Contribuição ao Esforço Comum – Contribuir no desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacionais que visem à preservação do meio ambiente.

15 - Transparência de Atitude – Propiciar transparência e diálogo com a comunidade interna e externa, antecipando e respondendo a suas preocupações em relação aos riscos potenciais e impacto das operações, produtos e resíduos.

16 - Atendimento e Divulgação – Medir a performance ambiental. Conduzir auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na legislação. Prover periodicamente informações apropriadas para a alta administração, acionistas, empregados, autoridades e o público em geral.

Stakeholders / Partes Interessadas: investidores, clientes, consumidores, funcionários, fornecedores, governo, órgãos fiscalizadores, ONGs e comunidade local.

Fica evidente então que identificar os stakeholders; manter diálogo constante; atender com excelência; produzir com eficiência sem agredir o meio ambiente; estar atento à situação político-econômica para enfrentar desafios e criar oportunidades; e conduzir uma governança acertada com foco em inovação e criatividade podem convergir em um modelo diferencial e de competitividade no mundo corporativo e também podem ajudar nos processos decisórios da empresa.

As iniciativas de comunicar ao público externo e a disponibilização de relatórios de sustentabilidade impressos ou digitais [com informações sobre desempenho ambiental, econômico e social] são feitas de modo voluntário pelas organizações - independentemente do ramo e do tamanho do empreendimento - e um dos tipos de relatório mais importantes e influentes em âmbito mundial é o elaborado pela Global Reporting Initiative, multi-stakeholder holandesa que promove e dissemina a prática de medir desempenhos organizacionais.

Ao tratar especificamente da política de comunicação ambiental, a NBR ISO 14.063 (ABNT, 2009, p. 2-3) fundamenta cinco princípios que devem ser seguidos:

Transparência: fazer com que os processos, métodos, fontes de informação e suposições usadas na comunicação ambiental estejam à disposição das partes interessadas;

Propriedade: fazer com que a informação fornecida na comunicação ambiental seja pertinente para as partes interessadas;

Credibilidade: Conduzir a comunicação ambiental de forma honesta e justa e fornecer informações que sejam verdadeiras, precisas, substanciais e que não induzam as partes interessadas ao engano;

Receptividade: Assegurar que a comunicação ambiental seja aberta às necessidades das partes interessadas;

Clareza: Assegurar que as abordagens e a linguagem da comunicação ambiental sejam compreensíveis às partes interessadas [evitando ambiguidades].

Em suma, é oportuno enfatizar que a comunicação ambiental contribui para a consolidação do conceito de sustentabilidade, a qual deve incorporar aspectos ambientais, socioculturais, políticos e econômicos, com o objetivo de se preservar as condições ideais de qualidade de vida presente e futura; promove a conscientização da sociedade para os riscos do consumo desenfreado, buscando reduzir o desperdício das riquezas naturais e a desigualdade social; exerce a comunicação sustentável com coragem e determinação, não temendo denunciar os desvios e abusos cometidos por indivíduos ou organizações de qualquer natureza.




Referências

• ANDELMAN, M. La Comunicación Ambiental en las estrategias de biodiversidad. Revista Ciclos Comunicación Ambiental, v. 5, p. 20-23. Valladolid, España: Ed. Gea, 1999.

• BARBIERI, J.C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

• BUENO, W.C. Jornalismo Ambiental: explorando além do conceito. Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 15, p. 33-44. Editora UFPR, 2007.

Por: Gustavo Nobio. O autor é graduado em Gestão Ambiental pela Universidade Estácio de Sá (RJ), técnico em Meio Ambiente formado pela FUNCEFET (RJ) e voluntarioso promotor da Sustentabilidade; articulista, comunicador ambiental e fundador do site SenhorEco.org.



Governança Ambiental Brasileira é 'Retrocesso Gradual', dizem especialistas

As estimativas para 2025 não são positivas: até lá, haverá uma perda anual de 27 mil quilômetros quadrados de matas na AmazôniaEstudo publicado na Nature Climate Change aponta preocupação com a descontinuidade de políticas de preservação do meio ambiente e, consequentemente, o descumprimento do Acordo de Paris

"Retrocesso gradual". É dessa forma que seis estudiosos do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) definem a governança ambiental brasileira para cumprir as metas do Acordo de Paris — tratado das Nações Unidas sobre a mudança do clima, que rege medidas para reduzir a emissão do dióxido de carbono a partir de 2020, e lutar contra o aquecimento global. As conclusões foram publicadas em 08/07/2018 na revista internacional Nature Climate Change [The threat of political bargaining to climate mitigation in Brazil]. Os autores mostram como a descontinuidade de políticas públicas pode prejudicar o cumprimento do tratado além de promover "barganhas políticas" para uso do solo. 

Dois aspectos são apontados como fundamentais para o retrocesso: a aprovação do novo Código Florestal, em 2012, e a pressão da bancada ruralista, desde 2016, para a aprovação de projetos, assinatura de medidas provisórias e a publicação de decretos. Essas intervenções diminuíram as exigências para o licenciamento ambiental, suspenderam a demarcação de terras indígenas e facilitaram o benefício de grileiros em relação a recursos de áreas desmatadas ilegalmente. 

As estimativas para 2025 não são positivas. Até lá, haverá perdas anuais de 27 mil quilômetros quadrados de matas na Amazônia e 18 mil quilômetros quadrados no Cerrado, o que aumenta o acúmulo de gases de efeito estufa. Segundo os especialistas, isso pode comprometer a política de redução das emissões de CO2 pelo controle de desmatamento, promovida na última década, o que atrapalha ainda mais o cumprimento do acordo. 

Alexandre Szklo, do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ e um dos autores do artigo, explica que o desmatamento atual não tem valor econômico. Tem mais justificativa política do que micro ou macro econômica. Ou seja, não gera lucros, mas sim atendem a outros interesses. "Se a tendência dos últimos três anos se preservar, o Brasil não será capaz de atender às metas do acordo climático. Isso não significa que o mundo não é capaz, mas que o Brasil não contribuirá. Outros países teriam de assumir a parcela do Brasil", explica. Para atender às metas, o setor industrial brasileiro pagaria a conta do uso do solo por conta das opções feitas pelo governo. "Desmatar menos é mais barato do que usar tecnologias que sequer estão disponíveis no país", pondera Szklo

A governança ambiental brasileira, segundo o artigo, se divide em três períodos: pré-2005, de governança fraca e altas taxas de desmatamento; de 2005 a 2011, período de aprimoramento na governança e resultados efetivos na redução do desmatamento; e 2012 a 2017, quando a governança foi gradualmente fragmentada pela anistia ao desmatamento ilegal. Entre 2005 e 2012, o Brasil, 7º maior emissor de gases de efeito estufa, reduziu em 54%, sobretudo pela redução do desmatamento. 

Anulação de ganhos 

"Na prática, até 2025, este cenário representa a anulação dos ganhos alcançados desde 2005. Isso representa o pior cenário possível e deve ser entendido como uma desconstrução completa das políticas públicas, com impactos severos nas taxas de desmatamento, que poderiam retornar aos níveis pré-2005", destaca o artigo. 

Paulo Barreto, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), é categórico ao afirmar que o desmatamento está acima do que era esperado. "A meta era chegar em 2020 com 3,8 quilômetros quadrados. No último ano, foram quase 7 mil. Em 2012, foram 4,8 mil. Os números mostram que avançamos, mas depois regredimos", critica. Ele destaca que a situação atual é de instabilidade. "Temos o vai-vem de políticas públicas, com dependência de quem será eleito e das intenções do Congresso, continuará tendo uma alta presença ruralista", explica. 

O Acordo de Paris foi aprovado em dezembro de 2015, durante a 21ª Conferência das Partes (COP21), pelos 195 países da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). A intenção é reduzir emissões de gases de efeito estufa para manter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C. 

O Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025, com uma contribuição de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Para isso, o país se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e aumentar a participação em 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030. 

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente, apresentou outro panorama. "Em 2017 atingimos uma redução de 75% do desmatamento em relação a 2004, quando o governo criou uma política para combater o desmatamento. A redução no Cerrado em 2016 foi de 43% e, em 2017, foi de 38% em relação a 2015, último dado divulgado. Foram os menores índices registrados. Ultrapassamos a meta interna de redução do desmatamento no Cerrado prevista na Política de Mudança sobre o Clima atingindo 53% em 2017 (meta de redução de 40% em 2020). Mata Atlântica: em 2017 o desmatamento reduziu 57% em relação a 2016”, destaca o texto.

Por: Otávio Augusto (Correio Braziliense).

Pesquisadores Brasileiros Fabricam Fogão Solar Para Substituir Botijão de Gás

Produzido com sucata, o fogão transforma radiação solar em casa criando efeito estufa para esquentar os alimentos.

Num dos corredores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), um equipamento cheio de espelhos reflete a luz do sol. O objeto, que lembra uma antena parabólica, é um fogão solar. 

Além dele, existem outras peças semelhantes espalhadas no ambiente. São protótipos de fornos, fogões e secadores desenvolvidos no laboratório de máquinas hidráulicas do curso de Engenharia Mecânica, coordenado pelo professor Luiz Guilherme Meira de Souza, que pesquisa a energia solar há 40 anos - 37 deles, na UFRN

Os equipamentos, construídos com sucata, espelhos e outros materiais de baixo custo, podem ser alternativas viáveis para substituir o botijão de gás, assegura o pesquisador. Nos últimos 12 meses, o preço do botijão de gás aumentou muito acima da inflação e já consome até 40% das rendas das famílias mais pobres. 

A ideia do fogão é simples: transformar a radiação solar em calor, criar um efeito estufa e usar esse calor para aquecer água, cozinhar, secar ou assar os alimentos. 

Um dos experimentos, por exemplo, é um forno que teve um custo total de R$ 150 reais - valor equivalente a cerca de duas recargas de botijões de gás. O equipamento assou nove bolos ao mesmo tempo em uma hora e meia, somente com a energia captada da luz solar. Um forno convencional seria vinte minutos mais rápido, mas não teria capacidade para tantas assadeiras. 

Idealizado pelo engenheiro Mário César de Oliveira Spinelli, 31 anos, o forno foi feito com MDF - uma chapa com fibras de madeira - espelhos e uma placa de metal, combinação de resina sintética com malha de ferro. 

"A grande questão era: com essa área tão grande será que a gente vai conseguir assar todos os alimentos? Porque a carga também era muito grande. E a gente colocou e foi perfeito. Vimos que era viável", pontuou Spinelli, que fez da experiência seu objeto de mestrado na UFRN em 2016. 

Sustentabilidade 

Há cinco anos, o engenheiro Pedro Henrique de Almeida Varela também defendeu o tema Viabilidade Térmica de Um Forno Solar Fabricado Com Sucatas de Pneus em sua dissertação de mestrado na universidade potiguar. Além dos pneus, Varela também utilizou latinhas vazias de cerveja e uma urupema, espécie de peneira indígena, para fazer o protótipo solar. 

Durante os testes, foram assados vários alimentos: pizza, bolo, lasanha e até empanados. O resultado foi satisfatório.



Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte conseguiram cozinhar uma série de alimentos no fogão com energia solar.

"Quando eu fiz o primeiro bolo, eu comi e fiquei realizado. Porém, é uma decepção ser mais um projeto que ficou na prateleira da universidade. Mas só em saber que dá certo, deixa a pessoa com a sensação de que é uma alternativa viável feita com produtos que estavam sendo descartados." 

Varela destacou na pesquisa que em países da África e da Ásia o governo tem incentivado o uso de fogões solares pela população para diminuir o consumo de lenha e os impactos ambientais. 

Viabilidade 

De acordo com o professor Luiz Guilherme, no Brasil, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) conseguiu levar essa ideia para algumas comunidades pobres. 

Afinal de contas, se há viabilidade econômica, técnica e ambiental, se o país possui condições climáticas favoráveis, por que os experimentos feitos na UFRN não saem das salas acadêmicas e ganham visibilidade e uso doméstico? 

"A energia solar é uma energia social porque está disponível para todos, mas é a que menos tem investimentos porque o modelo de sociedade que nós temos sempre busca concentrar a energia e produzir pra vender e nosso trabalho não está na geração de energia pra vender", justifica o professor Luiz Guilherme

Para o pesquisador, o produto poderia ser fabricado em escala se o Brasil investisse em pesquisas de tecnologia social. Mas os estudos que são realizados esbarram, na opinião dele, no desinteresse político, industrial e até acadêmico.



Pesquisadores enfrentam dificuldade financeira para manter estudos em energia solar.

Sem investimentos 

"As bolsas e pesquisas financiadas não existem para tecnologia social. No departamento de Engenharia Mecânica, por exemplo, como chefe do laboratório, eu não recebo verba pra sustentar esse trabalho", diz o professor Luiz Guilherme

O dinheiro para custear os projetos, garante, é tirado do próprio salário e das bolsas de pesquisa dos alunos. 

Há outra sobrecarga no setor. Desencantados com a falta de incentivo, muitos pesquisadores de energia solar redirecionaram seus estudos para outras áreas onde havia incentivo financeiro, como o petróleo. 

Foi o que aconteceu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que era a maior referência de energia solar no Brasil. "Lá tem pesquisadores de grande nome, de grande potencial nessa linha. Muitos deles migraram para outras áreas. Fazer pesquisa para pobre não dá dinheiro". 

Apesar disso, as pesquisas no setor gerido pelo professor Luiz Guilherme continuam. Uma das últimas criações do laboratório de máquinas hidráulicas é um fogão com quatro focos construído com resíduos industriais e com fibras de juta, fibra têxtil vegetal utilizada nos sacos de estopa. 

O pesquisador garante que é o único no mundo. "Esse fogão é inédito. A literatura não mostra outro. É uma criação nossa, de um aluno de pós graduação. Esse fogão permite cozinhar quatro tipos de alimentos ao mesmo tempo", assegura Guilherme

É importante ressaltar que o fogão ou forno só funcionam satisfatoriamente em boas condições solares, das 09h da manhã às 14h. Alguns cuidados fundamentais também são necessários durante o manuseio, como o uso de óculos escuros para que a luz não reflita nos olhos. 

Nenhum dos pesquisadores tem forno ou fogão solar em casa. Mas todos eles afirmam categoricamente que os produtos são efetivos e se predispõem a implantar projetos-pilotos em comunidades socialmente desassistidas. 

"Um trabalho, um estudo existe. Está aqui a comprovação da viabilidade. Ela existe, está catalogada. A vontade de repassar estas tecnologias também existe. Eu nunca patenteei nada, nunca produzi pra ganhar nada, não é meu interesse. Eu não sou um empresário. Eu sou um professor", finaliza o pesquisador da UFRN.

Por: Josi Gonçalves (BBC).

Brasil Precisa Aumentar em 62% Investimentos em Saneamento Para Universalizar o Serviço até 2033

Segundo números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 57% da população nacional dispõe de serviço de coleta e de esgoto, mas somente 50% do esgoto gerado é tratado.

Estudo da CNI revela que serviço das companhias privadas tem mais qualidade que das públicas e que cada R$ 1 investido dá retorno de R$ 2,50 ao setor produtivo. Ampliação das redes vai melhorar a saúde da população. 

O investimento insuficiente continua sendo o maior vilão para a ampliação da cobertura por redes de esgoto no Brasil. Nos últimos oito anos, a média de recursos aportados no setor foi de R$ 13,6 bilhões. Para alcançar a universalização em 2033, conforme estabelece o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), seria necessário ampliar em 62% o volume de investimentos para um patamar de R$ 21,6 bilhões anuais. É o que mostra o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Saneamento Básico: Uma Agenda Regulatória e Institucional, que integra uma série de 43 trabalhos sobre temas estratégicos que a CNI entregará aos candidatos à Presidência da República

Na avaliação da CNI, a meta do Plansab – que a cada ano tem se tornado mais distante – só se tornará possível caso o próximo governo priorize a agenda de saneamento básico. "Caso sejam mantidos os níveis recentes de investimento, a universalização dos serviços será atingida apenas após 2050, com cerca de 20 anos de atraso", alerta a diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg

De acordo com o estudo, a experiência internacional sugere que a parceria com o setor privado tem sido fator fundamental para a expansão e aumento da qualidade dos serviços de saneamento. As concessões e as parcerias público-privadas (PPPs) no setor, no entanto, ainda esbarram em uma série de resistências, a maior parte relacionada aos mitos de que o setor privado só atua em grandes municípios e de que as tarifas privadas são significativamente superiores. 

"A ideia de que o setor privado atua somente em cidades de grande porte é absolutamente equivocada. Cerca de 72% dos municípios em que há participação privada são compostos por até 50 mil habitantes. Assim como também é mito a ideia de que a participação privada gera aumento significativo das tarifas: o setor privado pratica tarifas de cerca de 11 centavos acima das tarifas observadas nas companhias estaduais", destaca o trabalho da CNI

QUALIDADE DA ÁGUA – O estudo revela que as companhias privadas apresentam indicadores de produtividade 5,4% superiores à média nacional e que a qualidade da água é maior que do que a das empresas públicas. Segundo os dados levantados pela CNI, a incidência de coliformes fecais observada na água fornecida pelas companhias privadas é seis vezes menor do que a média nacional. A incidência nas empresas privadas é de 0,27% enquanto a média do país é de 1,76%. 

A reversão do quadro do setor de saneamento no Brasil passa, necessariamente, pela maior participação do capital privado na gestão das companhias de saneamento. Atualmente, as empresas privadas respondem por apenas 6% das empresas do setor e atendem a 9% da população, embora sejam responsáveis por 20% dos investimentos realizados em municípios de diferentes portes. "Essas diferenças no volume de investimentos são refletidas nos níveis de atendimento das localidades atendidas por prestadores de serviços privados, onde tanto o fornecimento de água como a coleta e tratamento de esgoto apresentam indicadores acima da média nacional", diz o estudo da CNI

Segundo números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 57% da população nacional dispõe de serviço de coleta e de esgoto, mas somente 50% do esgoto gerado é tratado. "A expansão das redes de saneamento é urgente e um dos principais desafios do país. O aumento da participação privada, assim como um melhor mapeamento de onde a participação do Estado é realmente necessária, precisa ser o foco do desenvolvimento do saneamento brasileiro para os próximos quatro anos", afirma Mônica Messenberg

"É preciso que haja o reconhecimento da prestação dos serviços de água e esgoto não somente como um serviço de alto impacto social, mas também como um mercado dentro de uma lógica econômica, que precisa ter a eficiência e a atratividade como premissas relevantes para a prestação de serviços de qualidade", acrescenta a diretora da CNI

DISPARIDADES REGIONAIS – O levantamento da CNI revela ainda que há grande distorção entre as regiões brasileiras no quesito tratamento de esgoto. Enquanto no Norte apenas 18% do esgoto gerado é tratado, no Centro-Oeste o índice chega a 53%. Em uma análise estadual, foi observado que, com exceção do Rio Grande do Sul, os estados com piores índices de atendimento (pessoas sem acesso à rede de esgoto) são aqueles que menos investem na relação R$/habitante. 

De acordo com os dados, os cinco estados com melhor nível de atendimento estão entre os seis com maior investimento por habitante sem acesso à rede. Para se ter ideia da disparidade, cerca de 60% do total investido em água e esgoto no Brasil são alocados em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Na outra ponta do ranking, os cinco piores estados em termos de acesso à rede coletora de esgoto estão entre os oito piores que investem proporcionalmente à população sem acesso.

 Os benefícios do investimento na qualidade da água e na coleta/tratamento de esgoto impactam também na redução da transmissão de doenças causadas pelo mosquito Aedes Aegypti.

SAÚDE – Nesse sentido mercadológico, os números do estudo apontam que a cada R$ 1 investido em saneamento haveria retorno de R$ 2,50 ao setor produtivo. A ampliação das redes de esgoto impactaria também na valorização de imóveis, no aumento da produtividade dos trabalhadores e nos ganhos diretos na saúde da população. Entre eles podem ser listados à queda da mortalidade infantil, redução da incidência de doenças como diarreia e vômitos, e diminuição dos gastos com médicos, internações e medicamentos. Os benefícios do investimento na qualidade da água e na coleta/tratamento de esgoto impactam também na redução da transmissão de doenças causadas pelo mosquito Aedes Aegypti, como dengue, zika vírus, chikungunya e febre amarela. 

RECOMENDAÇÕES DA CNI 

1 - Definir diretrizes regulatórias claras e efetivas e realizar convênios entre os titulares dos serviços e agências reguladoras para reduzir a pulverização da regulação do setor. 

2 - Regulamentar o reuso da água para segurança jurídica dos produtores e consumidores. 

3 - Revisar o Plano Nacional de Saneamento Básico com projeções mais realistas que considerem o atual contexto fiscal e a heterogeneidade dos municípios brasileiros. 

4 - Avaliar a efetividade, definir prazos realistas e recusar o adiamento generalizado da conclusão dos planos municipais. 

5 - Criar meios para que o planejamento do setor seja realizado com qualidade (com fiscalização, capacitação e definição de parâmetros). 

6 - Criar um Conselho Nacional de Política de Saneamento sob a Presidência da Casa Civil, com participação paritária dos setores regulados e da sociedade civil. 

7 - Criar um sistema de verificação dos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS. 

8 - Expandir o programa de concessões do BNDES, com a análise dos mercados do setor para mais estados e municípios. 

9 - Simplificar o processo de licenciamento ambiental para o setor de água e esgoto. 

10 - Simplificar o processo de liberação dos recursos do FGTS para o saneamento. 

11 - Regulamentar o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento do Saneamento Básico - REISB. 

AÇÕES PARA O BRASIL CRESCER MAIS E MELHOR - Os 43 documentos com propostas da Confederação Nacional da Indústria CNI para o novo governo foram elaborados com base no Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, que aponta os caminhos para o Brasil construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional. Os estudos sugerem ações em áreas como eficiência do estado, segurança jurídica, infraestrutura, tributação, educação, meio ambiente, inovação, financiamento e segurança pública. 

As propostas serão discutidas com os presidenciáveis durante o Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República, que reunirá cerca de 1.500 líderes empresariais em 4 de julho, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. A CNI apresenta as propostas da indústria aos presidenciáveis desde a eleição de 1994.

Por: Diego Abreu (CNI).