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O Que São e Como Surgem as Zoonoses?

Muitas espécies de morcegos são responsáveis por carregar patógenos. 

Atualmente, sabe-se da existência de cerca de 200 zoonoses, doenças transmitidas de animais para seres humanos. E o número vem aumentando devido à influência do homem sobre o meio ambiente. 

Entre 60% e 70% de todas as doenças infecciosas são originárias de animais. "O sarampo também é uma delas", explica Isabella Eckerle, diretora do centro de novas doenças virais dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG). "Acredita-se que a domesticação de animais vários milhares de anos atrás tenha feito com que o vírus do sarampo passasse para os seres humanos". Segundo Eckerle, é provável que muitos vírus tenham um passado como esse. 

Atualmente, sabe-se da existência de cerca de 200 zoonoses, mas o número vem aumentando. Vírus, bactérias, parasitas ou príons desencadeiam zoonoses. Raiva e tuberculose estão entre elas, mas também o HIV e a toxoplasmose, que é transmitida por gatos, ou a peste, uma das piores zoonoses do mundo. 

No século 14, a peste, que é transmitida por pulga de ratos, matou mais de 50 milhões de pessoas. Apesar de erradicada na Europa, esta doença infecciosa ainda é devastadora em algumas regiões da África, Ásia e Américas. Madagascar, por exemplo, registrou 120 mortes por peste em 2017. 

Várias vias de transmissão 

Uma zoonose pode se espalhar não só através do contato direto dos animais com os seres humanos, mas também ao ser transportada pelo ar ou por alimentos contaminados. Tais patógenos podem ser encontrados em produtos de origem animal, como leite, carne ou ovos. Se os alimentos não são suficientemente aquecidos ou caso sejam preparados em condições insalubres, podem se tornar uma fonte perigosa de infecção. É assim que doenças como Salmonela se propagam com facilidade. 

Outra variante são os chamados vetores. Eles transportam o patógeno do hospedeiro para os humanos, mas não adoecem. Carrapatos são um exemplo típico. Ao morderem, pode acontecer de eles transmitirem os patógenos da chamada encefalite do carrapato e da doença de Lyme para os seres humanos. Mosquitos também são vetores. Alguns deles transmitem malária, outros, por exemplo, doença do sono. 

Animais selvagens 

Desde a Sars, em 2003, pelo menos, que pesquisadores vêm estudando animais selvagens responsáveis pela difusão de várias doenças. Roedores e morcegos se tornaram o foco dos cientistas. 

"Existem muitas espécies de morcegos e mais de mil espécies de roedores que carregam patógenos. É claro que sempre existem aqueles que permanecem em seu hospedeiro original, mas também existem os que infectam seres humanos", aponta Eckerle. 

Produto do homem 

A globalização, o comércio global e o desejo de viajar aproximaram pessoas de diferentes culturas e continentes. E precisamos de mais e mais espaço e matérias-primas. Nós devastamos florestas tropicais, destruímos ecossistemas e, assim, privamos muitos animais selvagens de seus habitats. "A antiga fronteira natural que havia entre humanos e animais exóticos já não existe mais", afirma Eckerle. 

Muitas novas zoonoses surgem devido a um desequilíbrio no ecossistema. "Quando há um ecossistema intacto com muitas espécies diferentes de animais, um vírus tem pouca oportunidade de mudar de hospedeiro e saltar diretamente para os seres humanos", explica a cientista. 

Animais de exploração e animais de estimação 

Nem mesmo em nossos entornos estamos imunes a patógenos perigosos. O gado, por exemplo, é hospedeiro intermediário. Uma vez que um patógeno tenha conseguido penetrar num rebanho, é provável que também dê o próximo passo, entre no corpo dos seres humanos e possibilite assim a infecção de humano para humano.

 O gado é o hospedeiro intermediário ideal.

Mas não só os animais de fazendas, como também os animais de estimação, como cães e gatos, podem ser uma fonte de zoonoses. A toxoplasmose, uma doença perigosa transmitida por gatos, é um exemplo. "Existem várias bactérias e parasitas que podemos adquirir de animais de estimação. Essas zoonoses, no entanto, nós conhecemos muito bem, pois estudamos animais de estimação há muito tempo", disse Eckerle. 

A virologista enfatiza que o risco é controlável. Bastaria, por exemplo, não deixar que os animais durmam na cama com seus donos e lavar as mãos com frequência. 

Perigos em particular 

"Acho que as zoonoses mais comuns são aquelas sobre as quais não ouvimos falar muito, porque não passam de pessoa para pessoa. Para a pessoa infectada, geralmente é trágico ou grave, mas para a população como um todo, não é um grande risco ", explica Eckerle. 

Afinal, muitos patógenos têm pouco potencial de passarem de uma pessoa para outra. Tais zoonoses podem ser contidas de maneira muito eficaz, pois os médicos podem testar as pessoas com relativa facilidade. A situação é diferente quando ocorre uma pandemia, como no caso da covid-19. "Agora é o coronavírus, mas talvez, dentro de alguns anos, seja um outro vírus. O problema é muito mais o que fazemos com isso", resume. 

É preciso esclarecer a população sobre como se manter longe de animais selvagens ou patógenos. "Precisamos garantir que os ecossistemas sejam preservados", salienta. "É uma situação semelhante à mudança climática. Sabemos que não podemos continuar assim e que precisamos tomar medidas urgentes. Mas, por alguma razão, não conseguimos e não levamos isso a sério até que seja tarde demais".

Por: Gudrun Heise (Deutsche Welle).

Efeitos das Mudanças no Clima Global e a Ocorrência do Novo Coronavírus: Teria Uma Coisa a Ver Com a Outra?

Os últimos 5 anos foram os mais quentes do registro histórico. O volume de gelo no Ártico no verão é, hoje em dia, 70% menor do que há apenas 4 décadas. Tempestades, como furacões e chuvas extremas, têm se intensificado, em paralelo com ondas de calor, secas e incêndios florestais, como o que transformou a Austrália recentemente num inferno, ceifando a vida não apenas de seres humanos, mas de cerca de um bilhão de animais. O avanço do nível do mar também já produz efeitos visíveis na linha de costa em vários locais do mundo. Corais estão sofrendo com eventos de branqueamento cada vez mais frequentes e a acidificação dos oceanos avança, ameaçando a biota marinha. 

Sabe-se, pelo menos desde o final do século passado, que o aumento incessante das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera do nosso planeta iriam produzir esses efeitos, e que os mesmos se agravam ano após ano, especialmente se nada for feito. Os cientistas alertaram sucessivamente, através dos relatórios produzidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) que a única saída seria reduzir as emissões de gases de efeito estufa, especialmente o CO₂ proveniente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento. 

Há pelo menos 3 décadas, no esforço construído em torno do IPCC, a comunidade científica internacional vem somando esforços para entender as bases físicas das alterações climáticas, identificar potenciais impactos e vulnerabilidades de sistemas naturais e humanos, propor soluções para conter o aumento da temperatura média global, e reduzir os seus efeitos negativos sobre o meio ambiente e o modo de vida das pessoas. Em 8 de outubro de 2018, na Coréia do Sul, o IPCC divulgou um relatório, considerado o mais importante já publicado abordando as mudanças climáticas, no qual avalia as perspectivas globais de limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação ao Período Pré-Industrial. No referido documento, o IPCC ressalta o aprimoramento e a urgência nas tomadas de decisões dos governos em relação ao Acordo de Paris, deixando claro que um cenário de 1,5°C é mais seguro que 2°C no que diz respeito à impactos climáticos. De fato, as estimativas científicas apontam que caso as temperaturas globais aumentem 2°C acima dos níveis pré-industriais, as consequências serão ainda mais catastróficas, incluindo a escassez de alimento e de água, e desastres naturais potencializados pela ação humana, por exemplo, aqueles que causam impactos diretos na saúde. Em suma, todas essas questões, no fim das contas, envolvem saúde pública. 

Projeções científicas apontam ainda que as mudanças no clima devem implicar no aumento tanto na quantidade quanto na diversidade dessas epidemias, principalmente de doenças infecciosas transmitidas por vetores, como a malária, dengue e Zika. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia publicado um relatório Investing to overcome the global impact of neglected tropical diseases, o qual alertava para o perigo da relação entre o aquecimento global e doenças tropicais negligenciadas. Segundo esse documento, com o aumento da temperatura, a zona de clima tropical do planeta deverá se expandir paulatinamente, ampliando também as áreas acometidas por doenças. Esse relatório conclui que as mudanças climáticas constituem a maior ameaça à saúde mundial do século XXI, cujas estimativas apontam 250 mil mortes por ano até 2030. 

Estudos diversos apontam que ecossistemas modificados pela intervenção humana, além de potencializarem a disseminação de doenças emergentes, podem também contribuir para a propagação de outras doenças associadas, que podem afetar o sistema imunológico e atingir a saúde humana como um todo. Além disso, sabe-se que os impactos antrópicos associados à crise climática também levam à insegurança alimentar, e como resposta à nova realidade ambiental, as pessoas tendem a buscar fontes alternativas de alimento, tais como a inserção de animais silvestres na sua dieta. É exatamente em cenários como estes que emergem as chamadas pandemias, doenças infecciosas cuja ocorrência extrapola fronteiras geográficas, atingindo pessoas ao redor do mundo. Entre 1918 e 1920, por exemplo, estima-se que de 50 a 100 milhões de pessoas tenham morrido na pandemia da Gripe Espanhola, um número superior a quantidade de civis e militares que morreram durante a 1ª Guerra Mundial (aproximadamente 17 milhões de vítimas); e em 2009, especialistas apontam que milhões de pessoas ao redor do mundo tenham sido infectadas – e centenas delas tenham sido mortas – pela Gripe Suína, pandemia causada pelo vírus Influenza H1N1. 

De acordo o último Relatório Anual sobre Preparação Global para Emergências em Saúde (2019), “doenças propensas a epidemias, como gripe, doenças respiratórias agudas graves (SARS), Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), Ebola, Zika, febre amarela e outros, são precursores de uma nova era de alto impacto, surtos potencialmente de rápida disseminação que são mais frequentemente detectados e cada vez mais difícil de gerenciar”. A passagem desses vírus para o ser humano é facilitada quando travamos contato mais frequente com espécies silvestres por conta do desmatamento e degradação ambiental em associação principalmente com a expansão da fronteira agrícola e quando mantemos bilhões de animais geneticamente similares em confinamento (“gripe suína”, “gripe aviária” etc.). Além disso, a rápida disseminação de vírus perigosos só é possível graças à hipermobilidade produzida por nosso modo de vida intensivo em carbono. 

Atualmente, enfrentamos o preocupante novo coronavírus (SARS-COV-2), pandemia que já soma mais de 1 milhão mortes em todo o mundo. Para este caso, há indícios de que o vírus pode ter “saltado” de determinados grupos de animais silvestres para as pessoas, a partir do momento que estes foram inseridos como alimentação alternativa para alguns grupos humanos, bem como os locais insalubres onde tais animais eram mantidos para venda e posterior abate. Em se confirmando tais indícios, ficará evidenciado, mais uma vez, que determinadas atitudes humanas – tais como invadir ambientes habitados por milhares de outros organismos, bem como utilizá-los como alternativa a mudanças provocadas por nós mesmos – têm efeitos nocivos à natureza em geral, com implicações diretas a nossa própria saúde. 

Esse cenário de pandemia do SARS-COV-2 está imprimindo à sociedade uma mudança emergencial introduzindo novos hábitos, que poderão constituir a longo prazo para minimizar a crise climática, como trabalhar de casa, videoconferências, jornadas semanais mais breves ou horários de escritório alternados para reduzir o tráfego. Mostra também que boa parcela da produção e circulação de bens materiais é supérflua, predatória e perfeitamente dispensável e revela que mecanismos de proteção social como a renda universal pode proteger trabalhadores de setores cujas atividades precisam ser ou drasticamente reduzida ou encerrada (petróleo, mineração de carvão, etc). Mas estamos longe de resolver a crise climática, tendo em vista que para isso somente uma mudança de atitude global poderia resolver o problema. Mesmo considerando uma projeção de queda de 8% nas emissões ao final deste ano, o aumento da concentração de CO2 na atmosfera seria apenas ligeiramente freado, sendo necessários cortes da ordem dessa porcentagem por anos a fio para mantermos chances de conter o aquecimento global. 

Que legado deixaremos às futuras gerações? Um mundo ingovernável, com eventos extremos, milhões de refugiados climáticos e pandemias frequentes? Em que não saberemos se devemos dizer “fique em casa” (para evitar contágio numa pandemia) ou “evacuem suas casas” (diante de um furacão ou incêndio florestal)? É preciso afirmar com todas as letras: como solução consistente e de longo prazo para essas duas crises – climática e sanitária – não há outro “medicamento” ou “vacina” senão mudanças de atitudes, o que exige uma autocrítica profunda acerca do nosso papel enquanto “seres pensantes” na manutenção do equilíbrio ecológico-social-econômico do nosso Planeta, cuja dinâmica sistêmica é limitada – atuando à base de fluxos (de matéria e energia) e de ciclos (carbono, nitrogênio, etc.) – em um sistema capitalista expansionista, cuja lógica é baseada na geração, concentração e acumulação de bens e riqueza a curto prazo. Nossa percepção no que diz respeito à centralidade do colapso ecológico tem que ser ampliada e a mudança no nosso modo de nos relacionarmos com a natureza, radicalmente alterada. Já! 

Por: Henrique Fernandes de Magalhães; biólogo, professor substituto do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e doutorando em Etnobiologia e Conservação da Natureza pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Regina Célia da Silva Oliveira: bióloga e doutora em Etnobiologia e Conservação da Natureza pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Alexandre Araújo Costa: físico, doutor em Ciências Atmosféricas pela Colorado State University System e professor titular do Centro de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Fonte: EcoDebate.

Pandemia e Saneamento Básico Escancaram As Desigualdades no Brasil

O vírus Covid-19 é democrático apenas na transmissão, pois, no tratamento e no número de óbitos, acabará escancarando a desigualdade social estrutural do Brasil. Os mais afetados serão os mais pobres. Foto: favela no Rio de Janeiro. Imagem de NakNakNak / Pixabay.

Uma das medidas mais eficazes de combate à Covid-19 é a higienização das mãos com água e sabão. Mas como podemos exigir isso de toda a população, sendo que grande parte dela não possui acesso ao saneamento básico? E mais, geralmente onde há problemas de saneamento há também trabalho precário, acesso restrito à água e dificuldades nos setores de saúde e moradia. 

Esse é um problema mundial. Dados mais recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que duas em cada cinco pessoas em todo o mundo não têm instalações básicas para nem sequer lavar as mãos, e 40% da população mundial não tem lavatório com água e sabão em casa. 

No Brasil, de acordo com a Lei n° 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, é definido como o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Além disso, o abastecimento regular de água potável, o tratamento de esgoto e o manejo de resíduos sólidos são direitos assegurados pela Constituição Federal

Mesmo assim, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério do Desenvolvimento Regional, na média brasileira 83,5% da população possui rede de água e apenas 52,4% tem o esgoto coletado, do qual apenas 46% é tratado. De acordo com o Instituto Trata Brasil, a situação é pior na região Norte, onde apenas 10,24% da população tem acesso a rede de esgoto. No Nordeste são 26,87%; no Sudeste, 78,54%; no Sul, 43,93% e no Centro-Oeste, 53,88%. 

Para piorar ainda mais esse cenário, um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) previu que quatro em cada dez litros de água são perdidos no Brasil antes de chegar à população. E quase 40% dos recursos hídricos se perdem por desvios e infraestrutura deteriorada. 

Somada à falta de saneamento básico e água, estima-se que aproximadamente 13 milhões de pessoas vivam em favelas em todo o Brasil. Isso significa alta densidade populacional e casas muito próximas umas das outras. 

Todos estes fatores facilitam a existência e a proliferação de diversos tipos de doenças, como a filariose, a esquistossomose, a hepatite infecciosa, a poliomielite, a febre amarela e também a dengue. E claro, a Covid-19. Ainda não sabemos o nível de impacto dessa pandemia nessa parcela significativa da população. Só sabemos que vai atingi-la de forma muito séria e quem sabe catastrófica, porque simplesmente as medidas mais básicas estão fora de alcance dessas pessoas. 

O álcool em gel 70% poderia ser uma saída simples e eficiente para substituir a falta de água. Entretanto, não é acessível em termos financeiros para grande parte dessa população mais vulnerável e requer cuidado porque é inflamável. 

Agora imagina o que significa você ter que decidir a quantidade de água para beber, tomar banho e cozinhar todos os dias e também ter que lavar a mão constantemente para evitar a contaminação pelo coronavírus? Ou ainda, pense como é ter que ficar em isolamento social em uma casa de um ou dois cômodos onde vivem mais de dez pessoas, com saneamento básico precário e quase sem nenhum equipamento de saúde na comunidade? 

Diante desse cenário, acredito que o novo coronavírus seja democrático apenas na transmissão, porque no tratamento e no número de óbitos acabará escancarando a desigualdade social estrutural do Brasil. Sem acesso às medidas básicas de higienização, e tendo historicamente grupos que estão em desvantagem em relação à saúde pública quando comparados ao restante da população, em breve os mais afetados pela Covid-19 será a população de baixa renda. 

Apesar de já ter sido solicitado para o Ministério da Saúde apresentar o planejamento para enfrentar a epidemia de coronavírus nas favelas e nas periferias, ainda não há ações voltadas especificamente para estas populações. O que existe até o momento são iniciativas das próprias comunidades. E isso será insuficiente diante do que está por vir. 

O coronavírus é um problema complexo que exige ações em várias frentes para ser combatido. E uma delas é o saneamento básico. Este tema já está em pauta no Senado sob a proposta do Novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, cujo principal objetivo é abrir o mercado para a iniciativa privada, de modo a garantir recursos para a universalização do abastecimento de água e da coleta e tratamento do esgoto. 

Não sabemos se essa será a melhor solução para um problema histórico no Brasil como é o do saneamento básico. Mas, se há uma estratégia que poderia ser adotada desde já para tentar evitar uma tragédia maior, é o Poder Público assumir o protagonismo para ajudar as populações mais vulneráveis, distribuindo, por exemplo, galões de água mineral para a população e kits de higienização e limpeza, contendo álcool em gel 70% e sabonete. 

Por: Deivison Pedroza; empreendedor, youtuber, escritor, palestrante e diretor executivo do Grupo Verde Ghaia.