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Florestas Tropicais Estão Demonstrando Resistência Surpreendente ao Aumento das Temperaturas


Um futuro mais quente para florestas como a Amazônia, mostrada na imagem, não significa necessariamente o fim das árvores, segundo novas pesquisas. FOTO DE MALTE JAEGER, LAIF/REDUX. 

A floresta tropical mais quente do mundo não está localizada na Amazônia nem em nenhum outro local previsível, mas dentro da Biosfera 2, instalação experimental de pesquisa científica no deserto perto de Tucson, no Arizona. Um estudo recente de árvores tropicais plantadas nesse local no início da década de 1990 gerou um resultado surpreendente: as árvores resistiram a temperaturas mais elevadas do que qualquer temperatura prevista para as florestas tropicais neste século. 

O estudo se soma a um número crescente de descobertas que estão proporcionando aos cientistas especializados em florestas algo que está em falta ultimamente: esperança. As plantas podem dispor de recursos inesperados que facilitam sua sobrevivência — e talvez até lhes assegure um bom desenvolvimento — em um futuro mais quente e repleto de carbono. E embora as florestas tropicais ainda enfrentem ameaças humanas e naturais, alguns pesquisadores acreditam que as conclusões assustadoras de seu declínio iminente devido às mudanças climáticas podem ter sido exageradas. 

“A vida é engenhosa”, afirma Scott Saleska, ecologista da Universidade do Arizona em Tucson e um dos líderes do estudo da Biosfera 2. “É muito mais engenhosa do que as representações de nossos atuais modelos.” 

Nos últimos anos, foi publicada uma infinidade de relatórios alarmantes sobre florestas e os efeitos das mudanças climáticas sobre elas. Os cientistas anunciaram que a floresta amazônica não é mais um sumidouro de carbono confiável; a floresta amazônica pode estar se aproximando de um ponto crítico; florestas tropicais em todo o mundo já se aproximam das temperaturas mais altas toleradas por elas e as mudanças climáticas está matando árvores antigas. 

Um ponto é incontestável: nossas emissões de combustíveis fósseis estão criando um clima inédito à humanidade e não vivenciado pelas árvores há muito tempo. “Estamos aquecendo as florestas tropicais a temperaturas inexistentes desde o Cretáceo — desde a época dos dinossauros”, afirma Abigail Swann, ecologista e cientista climática da Universidade de Washington em Seattle. 

Mas é difícil prever qual será a reação das árvores. Submeter florestas inteiras a um experimento de simulação de um futuro mais quente é uma tarefa dispendiosa e logisticamente complexa. A maioria dos cientistas foi obrigada a traçar extrapolações a partir de experimentos em pequena escala ou observações de campo, muitas vezes recorrendo a modelos de computador para realizar projeções sobre as próximas décadas. 

Uma instalação singular

A Biosfera 2 ofereceu uma rara oportunidade para testar o clima em uma floresta em tamanho real. Embora mais conhecida pelas equipes que ficaram isoladas no local entre 1991 e 1994, a instalação também abriga ecossistemas artificiais. Entre eles está uma floresta tropical com cerca de dois mil metros quadrados dentro de uma estrutura feita de vidro em formato de pirâmide cujo ponto mais elevado ergue-se a uma altura de 30 metros do solo do deserto. As copas das árvores plantadas no local no início da década de 1990 atualmente tocam o teto. 

As temperaturas no interior da estrutura ultrapassam as temperaturas previstas até mesmo para a Amazônia — a floresta tropical mais quente do mundo — neste século. Sob essas condições sufocantes, as plantas de estudos anteriores ao ar livre quase interromperam a fotossíntese, o processo bioquímico utilizado pelas plantas para transformar o dióxido de carbono em açúcares simples para obter energia. 


A Biosfera 2 em Oracle, no Arizona, possui uma floresta tropical em miniatura na qual as árvores crescem a 37,8 graus Celsius, muito mais quente do que o normal para essa vegetação. FOTO DE JESSICA LEHRMAN, THE NEW YORK TIMES/REDUX. 

Os dados sobre o crescimento das árvores sob diferentes condições ambientais foram registrados no início da década de 2000 e armazenados em servidores e discos rígidos. Marielle Smith, ecologista e pós-doutoranda na Universidade Estadual de Michigan, considerou esses registros uma rara oportunidade de estudar uma floresta em um clima futuro. 

Seu objetivo era analisar os efeitos de duas variáveis relacionadas: a temperatura e o déficit de pressão de vapor ou VPD (na sigla em inglês) — ou seja, a diferença entre a quantidade de água que o ar pode reter e quanto de fato retém em um determinado local e período. Quando o VPD é alto, as plantas perdem água mais rápido. 

Normalmente, o aumento do VPD acompanha a temperatura porque o ar quente retém mais umidade. Contudo, na Biosfera, os pulverizadores mantinham o ar úmido, criando uma rara combinação de calor intenso e VPD baixo. O teor de CO2 se manteve estável em pouco mais de 400 partes por milhão, apenas discretamente acima do que no ar exterior naquela ocasião. 

O ritmo de fotossíntese das árvores da Biosfera permaneceu igual até as temperaturas atingirem cerca de 38 graus Celsius, conforme publicado por Smith e seus colegas no mês passado no periódico Nature Plant. Por outro lado, em florestas naturais no Brasil e no México, o ritmo de fotossíntese despencou a partir de apenas 28 graus Celsius. 

Segundo Smith e outros especialistas, o resultado é um grande golpe na teoria difundida de que o calor intenso interrompe a fotossíntese — a noção de que o processo seria diretamente desativado. 

No entanto tudo indica que as altas temperaturas prejudicam a vegetação indiretamente com o aumento do VPD e, em seguida com a elevação da aridez do ar. As folhas das plantas absorvem dióxido de carbono por meio de células foliares com uma cavidade, denominadas estômatos, mas essas células também liberam água — até 300 moléculas de água para cada molécula de CO2 que entra. Quando o VPD aumenta em resposta a uma elevação na temperatura, as plantas fecham os estômatos para reter a água que lhes é vital, ainda que essa ação lhes obrigue a renunciar a seu alimento. 

No mundo real, não são apenas as temperaturas que estão aumentando, o dióxido de carbono também está subindo rapidamente. Isso pode ajudar a proteger as plantas do calor: no futuro quente e com alto teor de CO2, os estômatos podem absorver dióxido de carbono e, em seguida, fechar-se para conservar água, afirma Smith. 

“É um resultado de certa forma animador, e não é sempre que obtemos resultados desse tipo”, conta Laura Meredith, ecologista da Universidade do Arizona que lidera pesquisas sobre a floresta tropical da Biosfera 2, mas que não participou do estudo. “É uma ótima notícia a existência de estratégias de adaptação e manutenção da eficiência das florestas.” 

Smith admite, entretanto, que ainda há “um grande porém”: o experimento da Biosfera 2 não incluiu altos teores de CO2, portanto, não foi possível provar que de fato o gás será utilizado pelas plantas para conservar água. “Ainda não se sabe se esse mecanismo poderia realmente existir”, ressalta ela. 

Mais CO2? Ótimo

Pesquisadores no Panamá estão avançando nos estudos e testando se elevados teores de dióxido de carbono de fato protegem as plantas do calor. Até o momento, a resposta parece ser um sim com algumas ressalvas. 

O botânico Klaus Winter construiu seis cúpulas geodésicas na estação de pesquisa do Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical perto do Canal do Panamá. As cúpulas de Winter são muito menores do que as da Biosfera 2 e abrigam apenas árvores pequenas, porém dispõem de controle de temperatura e de dióxido de carbono. No estudo apresentado em encontros científicos, mas ainda não publicado, ele concluiu que, sob temperaturas acima das previstas para este século, plantas com bastante irrigação e abundância de dióxido de carbono apresentam um bom desenvolvimento. O crescimento de uma espécie, o pau-de-balsa, até disparou. 


No Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical em Gamboa, no Panamá, a vegetação é cultivada em estufas na forma de cúpulas, onde é possível controlar a temperatura e a umidade. No interior das cúpulas, as árvores bem irrigadas e expostas a um grande volume de CO2 apresentam um bom desenvolvimento sob temperaturas acima do previsto para este século. FOTO DE LUIS ACOSTA, AFP/GETTY IMAGES. 

O experimento não testa diretamente o mecanismo proposto por Smith, mas confirma que algumas árvores podem suportar altas temperaturas se receberem um grande volume de CO2 — e água, afirma Winter. “As árvores são menos suscetíveis do que esperado.” 

Martijn Slot, colega de Winter, investigou uma questão paralela: seriam as plantas capazes de se adaptar a temperaturas maiores? Cada planta possui uma faixa de temperatura ideal, identificada pelos pesquisadores por meio de sensores de gás para medir a fotossíntese na folha conforme é aumentada a temperatura. 

Slot constatou que é alcançada a fotossíntese ideal quando as mudas são cultivadas a 25 graus Celsius. Mas quando foi aumentada a temperatura para 35 graus Celsius, esse ponto ideal passou para cerca de 30 graus Celsius. A capacidade das plantas de adaptar sua fisiologia interna é um exemplo de “plasticidade”, cada vez mais observada como uma defesa botânica contra a mudança das condições. 

“Considerar a reação das plantas às condições ambientais como sendo estática e rígida leva a previsões imprecisas ou provavelmente equivocadas”, esclarece Slot. “A plasticidade deve ser considerada” em modelos de computador que geram as previsões climáticas. 

Outro indício recente de resistência oculta vem do campo. Flavia Costa, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia em Manaus, no Brasil, analisou 20 anos de dados obtidos em lotes das florestas brasileiras monitoradas. Foram incluídas florestas em planícies com acesso fácil a lençóis freáticos, o que lhes proporcionava plena irrigação, assim como as plantas de Winter. A equipe de Costa constatou que essas florestas com “lençóis freáticos superficiais”, que compõem, segundo estimativas, mais de um terço de toda a Amazônia, se desenvolveram sem alterações e continuaram absorvendo carbono durante estiagens severas em 2005, 2010 e 2015. 

Artigos anteriores alertaram que as secas provocadas pelo clima e as taxas de crescimento e mortalidade acelerados das árvores estavam eliminando a vegetação e prejudicando a capacidade da floresta amazônica de continuar atuando como sumidouro de carbono. Se as florestas úmidas em toda a Amazônia são tão resistentes quanto as dos lotes pesquisados, “a perda de produtividade e o aumento da mortalidade estão provavelmente superestimados”, presume Costa. 

Oliver Phillips, cientista ambiental da Universidade de Leeds que lidera uma das principais redes de pesquisa da Amazônia, concorda que florestas úmidas e de planícies parecem ser mais resistentes à seca do que as demais. Mas seus estudos analisam apenas essas florestas e ele não sabe se adicionar outras mudaria drasticamente as conclusões. Atualmente, ele e Costa estão conduzindo uma análise conjunta dos dados dos lotes a fim de obter maior representatividade das florestas amazônicas. 

Mas há um problema

Todos esses estudos possuem ressalvas e advertências. 

Futuramente, as florestas podem enfrentar secas ainda mais severas do que qualquer outra já existente, o que pode afetar até mesmo as florestas úmidas em planícies que resistiram até hoje, afirma Costa. Por outro lado, os estudos que simulam florestas procuram reproduzir a diversidade impressionante de florestas tropicais reais, que poderiam abrigar tanto árvores especialmente vulneráveis quanto mecanismos de resistência ainda não descobertos, acrescenta ela. Apenas a Amazônia contém cerca de 16 mil espécies de árvores, muito mais do que as representadas na Biosfera 2, nas cúpulas de Winter e em qualquer modelo de computador. 

Além disso, as plantas de Winter ainda são novas e ele as mantém com irrigação constante. É possível que seu desenvolvimento não seja o mesmo durante estiagens — algo que Winter planeja estudar em suas cúpulas assim que forem suspensas as restrições devido ao coronavírus. 

Para Nate McDowell, cientista da Terra no Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico em Richland, Washington, que alertou, no início deste ano, na revista científica Science que as mudanças climáticas já estão reduzindo o crescimento das árvores e o armazenamento de carbono, os resultados de Smith são “animadores”, mas uma pergunta importante permanece sem resposta: o dióxido de carbono elevado poderá mesmo ajudar as plantas a suportar o ar mais seco previsto futuramente? “É uma ótima questão científica”, afirma McDowell — “uma questão científica urgente”. 

Ainda que um alto teor de CO2 mantenha as plantas vivas, é possível que sua reação ao calor reduza a altura das plantas, mas deixe-as mais resistentes, acrescenta Smith, tornando os estudos dela e de McDowell possivelmente complementares e não contraditórios. Aliás, a floresta da Biosfera 2 passou por alterações ao longo de suas três décadas, talvez devido às condições extremas enfrentadas. As árvores nessa instalação que produzem uma substância química denominada isopreno, que parece contribuir com a fotossíntese sob altas temperaturas, sobreviveram mais do que aquelas que não produziram a substância: uma mudança que envolve implicações ainda desconhecidas. 

“Podemos estar inadvertidamente construindo uma Amazônia mais resistente”, afirma Smith, “mas que talvez não seja capaz de armazenar a mesma quantidade de carbono”.

Por: Gabriel Popkin (National Geographic Brasil).



Como as Soluções Baseadas na Natureza Podem Integrar um Novo Pacto Social e Econômico


O Brasil precisa lidar com o declínio das atividades econômicas e, ao mesmo tempo, resolver os problemas ocasionados pela emergência climática. A solução para essas crises é a conservação da natureza que proporcione uma retomada verde e socialmente inclusiva. 

A humanidade enfrenta uma de suas piores crises. Em meio à pandemia da Covid-19, que já ceifou mais de 160 mil vidas de brasileiros e brasileiras, o Brasil precisa lidar com o declínio das atividades econômicas e, ao mesmo tempo, debater como atuar de forma eficiente para resolver os problemas ocasionados pela emergência climática. A solução para todas essas crises é a conservação da natureza. Novas pandemias poderão surgir na medida em que a destruição dos ambientes naturais avança, por isso, precisamos preservar. 

Uma retomada econômica sem considerar os limites da natureza e o uso sustentável dos recursos naturais, certamente agravará as crises. A retomada verde será ao mesmo tempo a solução para nossa economia e para o enfrentamento da crise climática. Entretanto, para que as soluções sejam de fato efetivas, a retomada não deve somente ser verde, mas também inclusiva. 

Precisamos estimular e ajudar a construir um novo contrato ou pacto social, no qual a equidade de gênero, o combate ao racismo e a proteção da natureza estejam inseridos como questões centrais e inegociáveis. Essa nova economia precisa reafirmar alguns valores: democracia, respeito aos direitos humanos, respeito à diversidade, respeito às minorias, respeito à vida e à biodiversidade, busca da inovação e respeito às futuras gerações. Lembrando dos vários aspectos da ética, do cuidado, do respeito, da responsabilidade e da solidariedade. 

Para isso, precisamos integrar as Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que têm a ver com o redesenho e o planejamento das paisagens. Pensar o território com olhar de drone e visão de libélula: do alto, com a complexidade exigida e onde cabem todos os atores e setores existentes em um território, mas cabe também a natureza. 

É necessário buscar a integração de todas as iniciativas sustentáveis existentes, considerando a necessidade de alimentos (qualidade e segurança alimentar), a proteção, restauração e regeneração de ecossistemas, a proteção da biodiversidade, a proteção e uso racional dos recursos hídricos e o desenvolvimento e implementação de energias limpas e renováveis. 

Já existem diversos exemplos de projetos e Soluções Baseadas na Natureza em diferentes áreas. Os desafios são como manter, consolidar e ampliar esses projetos, replicá-los e adaptá-los em outras regiões. 

Há várias ações que podem atrair os aportes necessários para essa mudança. Entre elas: 

• Buscar e direcionar investimentos públicos já existentes para iniciativas sustentáveis; 
• Repensar as políticas públicas – atrelando a concessão e liberação de créditos (agrícolas, imobiliários, infraestrutura, etc.) ao novo pacto social verde; 
• Incentivar e fomentar o cumprimento da legislação ambiental e a implantação de paisagens sustentáveis (Cadastro Ambiental Rural – CAR, Programa de Regularização Ambiental – PRA, Bolsa Restauração); 
• Ter um sistema de financiamento e crédito voltado para o desenvolvimento sustentável para que os imóveis rurais/propriedades se tornem sustentáveis, desinvestindo em atividades e equipamentos altamente emissores de carbono e 
• Remodelar a assistência técnica para que esta tenha um olhar integrado e considere a paisagem, a biodiversidade, os recursos hídricos e a proteção do solo como essenciais para a atividade agrossilvopastoril. 

Em relação aos investimentos sociais privados, também já existem projetos bem sucedidos que podem e devem ser replicados. Por exemplo, o Projeto Matas Legais, uma parceria da empresa Klabin com a ONG Apremavi, que existe desde 2005 e já atendeu 1.807 famílias/propriedades, plantou 1.695.568 mudas de árvores nativas e envolve 16.500 ha de florestas nativas conservadas, 1.500 ha em regeneração natural, 512 ha restaurados com plantios de mudas nativas. É um projeto altamente replicável. 

A contribuição do setor privado deve ir além dos compromissos “normais”, como é o caso da Natura, ao anunciar que vai investir US$ 800 milhões nos próximos dez anos para ajudar a implantar o desmatamento zero da Amazônia, com ações em toda sua cadeia produtiva. Nesta encruzilhada civilizatória que afeta o planeta como um todo é preciso debater qual é a contribuição do setor privado para além do seu cercado, saber qual é a sua contribuição à sociedade, em uma visão de emergência climática, e quanto de seu lucro o setor privado está disposto a investir. Essa discussão exige um desprendimento muito maior do que o visto até agora. 

Para trazer essas soluções de investimentos, já existem algumas ferramentas que podem ser úteis. Entre elas, estão iniciativas multissetoriais de diálogo, como o Diálogo Florestal, o Diálogo do Uso do Solo e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Estes são espaços onde acordos e modelagens de novos projetos podem acontecer. 

Existem também os portais de transparência, que ajudam a monitorar as ações do governo, das empresas e do Terceiro Setor. Um exemplo é o Portal Ambiental da Apremavi, onde são cadastradas as atividades de restauração realizadas pela instituição, possibilitando o acompanhamento público das mesmas 

Outra ferramenta possível é a construção de plataformas de projetos, que pode ter como inspiração a iniciativa Mapa do DF Sustentável, que mapeou as mais diversas iniciativas relacionadas à sustentabilidade no Distrito Federal. 

Por que não criar uma plataforma também de ideias – um espaço onde as pessoas possam cadastrar suas ideias de investimentos verdes, uma vez que a inovação e criatividade precisam de oportunidades para florescer? E, por fim, construir uma plataforma de engajamento, onde as pessoas possam expressar os seus compromissos com o futuro sustentável? A pergunta é simples: que tipo de investimento eu posso fazer enquanto empresa ou cidadão, para ajudar a construir o presente e futuro sustentáveis?

Por: Miriam Prochnow (Página 22).

Redução da Vida Útil das Árvores em Florestas Poderá Neutralizar Ganhos com Sequestro de CO2


Estudo da USP divulgado na Nature Communications mostra que florestas em todo o planeta, incluindo a Amazônica, estão registrando crescimento acelerado das árvores, mas com redução de longevidade (tronco de árvore morta na Amazônia peruana; foto: Roel Brienen/University of Leeds).

A aceleração do crescimento das árvores registrada nos últimos anos vem sendo acompanhada de uma redução da vida útil dessas plantas. No futuro, isso pode parcialmente neutralizar ganhos obtidos com o sequestro de dióxido de carbono (CO2). Essa relação entre crescimento e expectativa de vida das árvores vale para florestas do mundo todo, incluindo as tropicais, como a Amazônica, até as temperadas e árticas. 

Com isso, resultados esperados para modelos e projeções de captação de CO2 estruturados com base no sistema atual podem estar superestimando a capacidade de absorção dos gases de efeito estufa pelas florestas no futuro. Ou seja, plantar árvores é importante para ajudar a reduzir a concentração desses gases na atmosfera, mas não o suficiente – ainda é essencial a redução da emissão do carbono. 

Esses são os principais pontos de discussão da pesquisa Forest carbon sink neutralized by pervasive growth-lifespan trade-offs, publicada na revista Nature Communications, por um grupo de pesquisadores internacionais. Entre eles estão o professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) Gregório Ceccantini e o pesquisador Giuliano Locosselli. Ambos têm o apoio da FAPESP. 

“Há uma relação inversa entre a taxa de crescimento das árvores e a longevidade. Mostramos de maneira consistente que isso está presente independentemente da espécie e do local onde se encontram. Se as árvores crescem mais rápido, também assimilam o carbono mais rapidamente. O problema é que vão viver menos, e o carbono ficará menos tempo estocado”, explica Locosselli à Agência FAPESP. 

Na fase de crescimento, as árvores precisam de uma grande quantidade de CO2 para se desenvolver. Por isso, esse processo de aceleração tem levado a uma grande absorção de carbono. Tanto que estudos realizados recentemente mostram que cerca de um terço das emissões de gases estufa resultantes da ação do homem nos últimos 50 anos foi absorvido por ecossistemas terrestres, graças a uma combinação de novas árvores e a expansão de florestas secundárias. 

A pesquisa publicada na Nature Communications, no entanto, coloca em discussão o grau em que as florestas continuarão a absorver o excesso de CO2 no futuro. E problematiza, dizendo que essa captação “depende não apenas da resposta do crescimento das árvores às mudanças no clima e na composição atmosférica, mas também às alterações nas taxas de mortalidade que, em última instância, liberam carbono de volta para a atmosfera”. 

“Este feedback negativo sobre o armazenamento de carbono via aumento da mortalidade irá compensar – pelo menos em certa medida – os efeitos benéficos do aumento do crescimento no armazenamento total de CO2 das florestas. Nosso conhecimento atual e incompleto da universalidade e das causas do feedback dificulta sua representação nos Modelos do Sistema Terrestre e, portanto, é uma importante incerteza nas previsões da futura absorção de carbono da floresta em resposta à mudança global”, ressalta, na pesquisa, o grupo do qual Ceccantini e Locosselli são integrantes. 

Segundo Locosselli, a maior parte dos modelos climáticos e de dinâmica de biomassa nas florestas tem levado em consideração a taxa de crescimento, mas não a relação negativa com a longevidade. Os motivos para a aceleração desse crescimento ainda não são totalmente claros, mas entre os que podem contribuir estão a temperatura, o CO2 na atmosfera e até mesmo o uso de fertilizantes em diferentes locais, que aumenta a concentração de nitrogênio no ambiente. 

Mudanças climáticas 

Relatório divulgado em 2019 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apontou que as emissões globais de gases de efeito estufa precisam ser reduzidas em pelo menos 7,6% ao ano, até 2030, para o planeta atingir a meta estabelecida no Acordo de Paris de limitar a alta da temperatura média em 1,5°C. 

Se a temperatura ultrapassar esse limite, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já alertou que entre os impactos que podem ser registrados no planeta estão, por exemplo, o aumento da intensidade de ondas de calor e a frequência de tempestades. 

Na última década, as emissões de gases de efeito estufa cresceram 1,5% ao ano, em grande parte provocadas por fontes fósseis de energia e por mudanças no uso da terra, como o desmatamento. 

Os países do G20 respondem por cerca de 75% de todas essas emissões, sendo China e Estados Unidos os campeões. O Brasil aparece em 14º lugar no ranking feito pelo Atlas Global de Carbono, com emissões significativas associadas ao desmatamento. No Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030 em relação ao índice de 2005. 

Estudo mais recente da Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) mostrou que as emissões globais de CO2 fóssil registraram no ano passado recorde de 36,7 gigatoneladas (Gt), 62% a mais do que em 1990, quando começaram as negociações internacionais sobre clima. 

Com a pandemia de COVID-19, que obrigou vários países a adotar medidas de isolamento social durante meses, as emissões de CO2 devem diminuir entre 4% e 7% neste ano em comparação a 2019, segundo a WMO. Mas, mesmo em abril, quando houve o nível mais baixo entre janeiro e agosto de 2020, as emissões diárias de carbono eram equivalentes às de 2006, período em que já havia um crescimento acentuado. 

Caminhos para mitigar essa alta de CO2 incluem a ampliação de políticas públicas visando ao aumento do uso de energias renováveis, meios de transporte de baixo carbono e eliminação do carvão, além da redução do desmatamento e das queimadas de florestas no mundo todo. 

No ano passado, um grupo de 66 países, empresas e investidores fecharam um acordo para zerar suas emissões de gases poluentes até 2050. Também já estão sendo discutidos mecanismos para precificar o carbono, seja por meio da taxação das emissões ou da criação de sistemas de compra e venda de créditos, em que o “poluidor” paga caso a mitigação não seja feita internamente. O objetivo é tornar mais vantajosos modelos de produção que busquem a redução das emissões. 

Metodologia 

Para mostrar a relação da evolução e longevidade das árvores com a captação de CO2, Locosselli explica que a pesquisa teve como base a análise de anéis de crescimento localizados nos troncos das plantas. Foram avaliados registros de mais de 210 mil árvores de 110 espécies. 

Se o anel de crescimento é largo, indica que a árvore cresceu rápido, mas, caso seja estreito, aponta baixo crescimento. Cada um deles representa um ano de vida da planta. Fazendo a contagem de todos os anéis, é possível ter uma estimativa de idade da árvore. 

“Por isso conseguimos medir a dinâmica para árvores com 500, 600 anos de idade. Foi possível extrapolar o tempo para além do que outros trabalhos já analisaram com parcelas permanentes”, afirma Locosselli, que está no programa Jovem Pesquisador da FAPESP com o estudo Florestas funcionais: biodiversidade a favor das cidades

De acordo com o pesquisador, as queimadas também aceleram a mortalidade das árvores, mas esse fator não foi incluído na pesquisa. Outros estudos já mostraram que, uma vez queimadas, florestas tropicais como a Amazônica, por exemplo, retêm 25% menos carbono do que as não queimadas, mesmo após três décadas de crescimento. 

O artigo Forest carbon sink neutralized by pervasive growth-lifespan trade-offs pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41467-020-17966-z.

Por: Luciana Constantino (Agência Fapesp).

Há 14 Milhões de Toneladas de Plástico no Fundo dos Oceanos, estima estudo


A poluição pelos plásticos no oceano é muito maior do que se imagina. 

Pesquisa australiana calcula, pela primeira vez, a quantidade de resíduos plásticos nos mares do mundo — e evidencia novamente a urgência de revermos nossos hábitos de consumo e descarte. 

Foi publicada no dia 06/10/2020 uma pesquisa realizada pela agência científica australiana CSIRO's Oceans and Atmosphere que indica, pela primeira vez, uma estimativa global da quantidade de plástico acumulado no fundo do oceano. O número assusta: pelo menos 14 milhões de toneladas do material estão submersas nas águas profundas. 

De acordo com Justine Barrett, que liderou o estudo, o plástico jogado nos mares do planeta acaba se deteriorando e se transformando em microplásticos, fragmentos que medem menos de 5 milímetros. Esses pedaços minúsculos vão parar nas profundezas do mar — a quantidade chega a ser o dobro do que é encontrado na superfície. 

“Mesmo as profundezas do oceano são suscetíveis ao problema da poluição do plástico”, diz Barret, em nota. Segundo a pesquisadora, o número deve aumentar ainda mais nos próximos anos — mesmo com ações de preservação do meio ambiente, como a redução da produção e do consumo de sacolas plásicas ou de canudos. 

O estudo 

As amostras utilizadas no trabalho foram coletadas usando um submarino em profundidades de até 3 mil metros, em locais até 380 quilômetros distantes da costa da Austrália. Com base nos resultados das densidades de plástico encontradas, foi calculada uma estimativa de microplásticos no fundo do mar em todo o planeta. 

Denise Hardesty, pesquisadora principal da investigação e coautora do estudo, diz que a poluição por plástico nos oceanos é uma questão ambiental reconhecida internacionalmente e os resultados indicam a necessidade urgente de novas soluções para combater o problema. 

Segundo ela, o maior número de fragmentos encontrados no fundo do mar estava em áreas onde também havia uma maior quantidade de lixo flutuando. Embora muitas cidades já tenham ações para tentar diminuir a poluição, o uso de embalagens plásticas descartáveis ​​aumentou em meio à pandemia do novo coronavírus. 

“Todos nós podemos ajudar a reduzir o plástico que acaba em nossos oceanos, evitando aqueles que são utilizados apenas uma vez, apoiando a reciclagem e as indústrias de resíduos e descartando nosso lixo com cuidado para que não vá parar no meio ambiente”, finaliza Hardesty.


Majestades Verdes: Conheça as 10 Maiores Florestas do Mundo


Para conhecer um lugar do meio ambiente não basta olhar o mapa. Seres vivos de grandeza insuperável, elas guardam segredos e belezas. 

No mapa mundi elas são imensas manchas verdes, na vida real são importantíssimas para o equilíbrio do planeta. Responsáveis pela maior parte da cobertura vegetal e hídrica mundial, elas são o lar de milhares de espécies de animais e plantas; muitas em extinção. Já imaginou passar a noite em um desses locais? Conhecer de perto, percorrer trilhas, nadar, explorar e se aventurar na vastidão? A ideia pode ser amedrontadora mas, acredite, esse é o sonho de muita gente. Seja no estilo mais despojado ou acompanhado de luxo e conforto, conheça as possibilidades turísticas por entre as dez maiores florestas mundiais. 

Floresta Amazônica - América Latina


A maior floresta tropical do mundo se encontra aqui, na região norte do nosso país. Com mais de 7 milhões de km2, a Amazônia abrange sete estados brasileiros e nove países da américa Latina, sendo um dos destinos mais procurados por turistas. Quando falamos em floresta Amazônica, a palavra-chave é diversidade. Em adição às grandes áreas de florestas, ela possui cerrados e campos rupestres, campinas, matas secas, igapós, manguezais, ilhas, praias fluviais de areia branca, cachoeiras, e riquíssimas flora e fauna, com cerca de 30 mil espécies de plantas e 30 milhões de espécies animais. Além de ser um dos ecossistemas mais ricos existentes, abriga cerca de 20% dos recursos hídricos de todo o planeta, influenciando diretamente no equilíbrio climático da Terra. 

Para quem pretende visitar a Amazônia, existem serviços diversos, desde hotéis em meio a floresta a cruzeiros de luxo que navegam pelos rios. A melhor época para visitação vai depender de sua intenção. Durante a época de cheia que normalmente vai de abril a julho, é quando formam-se mais igarapés. O período de seca ocorre normalmente de outubro a dezembro, quando os rios estão mais baixos, trazendo à tona praias fluviais e cachoeiras. 

O turista que visita o local pode aguardar experiências únicas, como nadar com botos-cor-de-rosa. O encontro das águas, como é chamada a junção entre o Rio Negro e o Rio Solimões, é um fenômeno que só pode ser visto lá. Desse encontro, nasce o Rio Amazonas, cuja nascente brota antes de entrar em terras brasileiras. Ele nasce na Cordilheira dos Andes, com o nome de Marañon. Ao entrar no Brasil, recebe o nome de Rio Solimões que, ao se encontrar com o Rio Negro, é batizado de Rio Amazonas, responsável por 17% da água líquida do planeta. 

Onde ficar: Você pode optar por hotéis em meio à selva, fazer cruzeiros fluviais, se hospedar na cidade de Manaus ou até mesmo fazer um mochilão guiado. É imprescindível que ninguém entre na floresta sem um guia. Serviços desse tipo podem ser contratados através de agências especializadas. 

Sugestões de passeios e atividades: Arquipélago das Anavilhanas, praias de água-doce, caminhadas pela floresta, Encontro das Águas, Floresta dos Macacos, Pescaria de piranhas, Reserva de Mamirauá, Nado com botos-cor-de-rosa, Cachoeiras de Presidente Figueiredo, visitar comunidades indígenas na Reserva de Tupé, Museu do Seringal, contato com a comunidade Ribeirinha, escaladas em árvores e o centro histórico de Manaus.

Floresta de Taiga - Hemisfério Norte


Também chamada de floresta boreal, Taiga é formada por florestas coníferas, que são árvores com copas e frutos em formatos de cone, similares aos pinheiros já conhecidos por nós. Considerada um dos maiores biomas terrestres, Taiga tem três vezes o tamanho da floresta Amazônica, e sozinha representa quase 29% da cobertura florestal do planeta. Estendendo-se por boa parte do hemisfério norte, ela vai do norte do Alasca até o Japão, passando pela Sibéria, Canadá, Groenlândia, Noruega, Finlândia, Rússia e Suécia. 

Predominantemente fria, Taiga é o lar do tigre siberiano. O turismo no local concentra-se majoritariamente no município de Kainuu, na Finlândia, dirigido pela Wild Taiga, uma associação de empresários locais. 

As atividades oferecidas são variadas e democráticas, com o foco sempre voltado em proporcionar aventuras e contato com a natureza. Programe-se, pois as atrações mudam de acordo com a estação do ano. 

Atividades de verão: Além das tradicionais como ciclismo, caminhadas, cavalgadas, canoagem, pesca, caça, camping e trekking rude, na Taiga finlandesa, existe uma espécie de trilha guiada por cães adestrados da raça husky siberiano. Os turistas podem ser conduzidos pelos cachorros na coleira ou em um tipo de trenó com rodas. Também é possível visitar fazendas de huskys e participar do treinamento deles. 

Atividades de inverno: snowmobiling guiado, safáris de observação da vida selvagem, esqui, snowshoeing, os passeios com huskys continuam, mas ganham uma outra versão, passam a serem feitos em trenós. A atividade mais inusitada provavelmente será a flutuação nas corredeiras, que consiste em literalmente flutuar nas águas frias seguindo o curso de rios, em pleno inverno. Para isso é usado um traje especial feito de cobertores esponjosos que irão te manter aquecido. 

Floresta do Congo - África Central


Segunda maior floresta tropical do mundo, a floresta do Congo abrange sete países africanos, Camarões, República Centro Africana, República do Congo, Angola, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial e Gabão. Assim como na floresta Amazônica, o clima tropical propicia a biodiversidade, hábitat de gorilas, leopardos, girafas, elefantes, leões e mais 400 outras espécies, a floresta é também o lar de mais de dez mil espécies de plantas. As savanas africanas são imagens cultivadas no imaginário de muitos, por isso o safári é a principal atividade turística na floresta. O acesso se dá por meio de dois parques nacionais localizados na República do Congo, o Parque Nacional de Odzal e o Parque Nacional de Nouabalé-Ndoki.

Daintree Rainforest - Austrália


A floresta tropical mais antiga do mundo está em Queensland na Austrália. Com 2600 km; de extensão, ela é a maior floresta australiana, declarada patrimônio da humanidade em 1988. Conhecida pela diversidade em suas fauna e flora, na floresta existem aproximadamente 430 mil espécies de pássaros, 13 delas não são encontradas em nenhum outro local do mundo. 

É possível chegar a Daintree por Cairns, Port Douglas, Cape Tribulation e Cooktown, a melhor época para visitação é durante a primavera, que começa em setembro. Turistas podem se hospedar na vila de Daintre, e às margens da floresta ou num alojamento ecológico dentro da mata. As opções de passeios são variadas, você pode fazer tours guiados com o povo Kuku Yalanji, habitantes originais do local, percorrer trilhas, visitar cachoeiras sagradas para eles e aprender como obter medicamentos, alimentos e abrigo dentro da mata. Outra opção são as praias selvagens ao norte da floresta. Com características tropicais, águas rasas e mornas, lá é possível acampar, praticar ciclismo e fazer trilhas radicais com o auxílio de automóveis. Além disso elas ficam próximas à Grande Barreira de Corais, outro patrimônio da humanidade. Na Barreira existem passeios de mergulho e voos panorâmicos para a observação dos corais. 

Selva Valdiviana - Chile


Uma das mais antigas do mundo, a Selva Valdiviana é classificada como uma floresta temperada, apesar de ter características de uma floresta tropical. Também chamada de bosques valdivianos, estende-se pelo Chile, até a Argentina ao longo de 248.100 km;. Dona de uma fauna e flora bem particulares, seu isolamento geográfico permite o desenvolvimento de um grande número de espécies que só podem ser encontradas ali, como o macaco da montanha, pudu, puma, lorito e o cisne de pescoço preto. Turistas interessados em conhecer os bosques podem optar por visitar a Reserva Costeira de Valdivian ou a Reserva Nacional de Mocho Coshuenco. Lá poderão desfrutar de atividades e passeios, como trilhas, camping, mergulho, pesca, montanhismo e esqui cross crountry. 

Florestas Nubladas - Equador 




Cloud Forests, ou Florestas Nubladas, são um conjunto de seis mil hectares de florestas na cordilheira dos Andes. A floresta foi nomeada devido a uma cobertura de nuvens existentes acima dela, comuns em altas altitudes, elas fazem com que a mata tenha um nevoeiro constante. Por efeito disso, a floresta apresenta um cenário bem diferente do que normalmente é associado à cordilheira. A umidade faz com que as árvores sejam retorcidas e cobertas de musgo, o solo é pouco fértil e, apesar da diversidade da flora não ser grande, a floresta abriga uma variação impressionante de espécies de orquídeas. 

A biodiversidade da fauna é riquíssima, a floresta é o lar de mais de 400 espécies de aves, sendo um dos principais destinos mundiais para a observação de pássaros, além de ser o hbitat do urso de óculos andino encontrado apenas lá. O acesso à floresta se dá através de Quito, capital do país. Para chegar à floresta, é preciso muita caminhada, geralmente recompensada por uma vista inesquecível e banhos nas águas termais presentes no local. Você pode visitar também alguns dos parques ecológicos, como a reserva de Maquipucuna, reconhecida internacionalmente pelo ecoturismo e atua pela preservação da floresta tropical. 

Reserva Florestal Nublada de Monteverde - Costa Rica


Um dos locais mais visitados da Costa Rica, a Reserva Florestal Nublada de Monteverde, tem a mesma característica das florestas nubladas do Equador por também estar situada em uma região alta e montanhosa. Dona de um ecossistema impressionante, a floresta possui a maior densidade de orquídeas do planeta, cerca de 300 espécies. Também existem 200 tipos de samambaias que podem atingir até 12 metros de altura e até 500 espécies de árvores. 

O hábitat favorece a reprodução de aves, fazendo da reserva um excelente ponto para a observação de pássaros. Lá também é o lar de 100 espécies de mamíferos, incluindo o puma e o jaguar. Entre as atividades recomendadas, estão o Sky Walk, que são seis pontes suspensas no ar para quem quer conhecer de perto as belezas do local, trilhas e passeios guiados.

Sundarbans - Ásia


Sundarbans é a maior floresta de mangue do mundo, com 10 mil km; de extensão. Localizada precisamente entre Bangladesh e Índia, a maior parte dela se concentra em Bangladesh. 

Patrimônio Mundial, Sundarbans é, na verdade, um mosaico de ilhas de mangues tolerantes ao sal. Riquíssimas em recursos naturais, elas são consideradas uma das principais áreas de reprodução para uma série de espécies ameaçadas de extinção, como o tigre de bengala real. 

O acesso mais fácil à região se dá pela Índia, mas Bangladesh oferece a chance de se aprofundar mais nas florestas. Um passeio pelo mangue pode durar vários dias, na companhia de um guia, o intuito é conhecer a floresta e observar os animais. Algumas empresas realizam esse tour em embarcações especiais equipadas com acomodações para que o turista viaje com conforto. 

Parque Nacional do Kinabalu - Malásia


Mais uma floresta tropical, o Parque Nacional de Kinabalu foi o primeiro local a ser declarado patrimônio mundial da Malásia e também um dos primeiros parques criados no país. A diversidade biológica é presente na fauna e na flora, onde podem ser encontradas 90 espécies de mamíferos e 5 mil espécies de plantas. Além disso, a maior atração do parque é o Monte Kinabalu, uma das montanhas mais altas do sudeste asiático. 

As atividades oferecidas para os turistas envolvem principalmente alpinismo. Além da caminhada tradicional pelas montanhas, existem duas outras trilhas para quem busca um pouco mais de aventura, Ranau Trail Kota Belud. Outras opções são mountain bike, golfe, observação de pássaros, e fotografia.

Reserva Florestal Sinharaja - Sri Lanka 




Uma das reservas ambientais mais preciosas e preservadas do Sri Lanka, Sinharaja foi considerada patrimônio da humanidade e reserva da biosfera em 1978. Cerca de 50% das plantas encontradas na reserva são endêmicas, assim como boa parte da fauna, ou seja, existem apenas nessa região. Repleta de aves, mamíferos, anfíbios e borboletas, a reserva apresenta também uma variedade de árvores impressionantes, 830 espécies. O principal atrativo é ainda a observação de animais, mas também existem cachoeiras lindíssimas onde os turistas podem praticar nado e fotografia. 

Por: Victória Fernandes (Correio Braziliense).

Por Que Fosfina em Vênus (Ainda) Não é Confirmação de Vida Extraterrestre


Na Terra, a molécula é produzida por seres vivos em ambientes sem oxigênio. Pode ser um sinal de vida em Vênus - mas, também, de um processo químico até então desconhecido. 

Com temperaturas que ultrapassam os 465°C na superfície, uma pressão 92 vezes maior que a da Terra e uma atmosfera terrivelmente ácida, Vênus não parece ser, nem de longe, um local plausível para um ser vivo chamar de “casa”. Mesmo micróbios extremófilos, acostumados a viver muito bem em regiões completamente desfavoráveis, não poderiam suportar condições tão adversas. 

Mas há quem diga que nem sempre foi assim: no passado, Vênus contava com grandes porções de água em estado líquido – que inclusive poderiam, segundo argumentam certos cientistas, abrigar vida microscópica. Após a chapa esquentar demais na superfície ao longo de milhões de anos, no entanto, essa vida teria mudado de endereço. “Não é nada difícil imaginar uma forma de vida típica às nuvens de Vênus”, supôs Carl Sagan, cientista e divulgador científico, em um artigo publicado na revista Nature ainda em 1967. 

Décadas após Sagan popularizar a hipótese, astrônomos provariam que essa especulação poderia, sim, fazer sentido. A resposta para uma eventual forma de vida venusiana estaria em uma camada específica da atmosfera: a uma altitude entre 50 e 65 quilômetros da superfície, Vênus reúne características químicas mais amenas e temperatura próxima aos 30°C – condições parecidas às encontradas na Terra. 

Agora, uma equipe internacional de pesquisadores divulgou as primeiras pistas concretas desses tais vestígios – que, segundo argumentam, podem ser as primeiras evidências de uma possível vida extraterrestre. Ao investigar potenciais formas de vida pela galáxia, cientistas costumam procurar por compostos essenciais à vida – à vida como conhecemos aqui na Terra, que fique bem claro. 

Encontrar água, fósforo, metano e outros recursos em um local inóspito pode mostrar que um certo planeta já foi – ou ainda é – habitado. Esses compostos são chamados pelos cientistas de bioassinaturas, e podem ser flagrados à distância, com a ajuda de telescópios potentes. Equipamentos do tipo são capazes de analisar o “espectro” das moléculas ligadas à vida. 

A luz branca é composta por várias frequências de ondas. Se a luz for decomposta, essas ondas podem ser observadas em um arco-íris, como na capa do disco do Pink Floyd. Acontece que quando essa luz atravessa algum gás, o composto químico que está ali absorve comprimentos específicos de ondas, deixando uns “buracos” no arco-íris que chega aqui na Terra. Como cada composto absorve comprimentos específicos de luz, é possível saber com qual molécula se está lidando apenas olhando para esse espectro. 

No caso do novo estudo, os dados analisados foram coletados a partir de 2017 pelos telescópios ALMA, localizado no Chile, e pelo James Clerk Maxwell, que fica no Havaí. Eles mostraram que, num dado trecho do céu de Vênus, há a presença do gás fosfina. 

Pode ser que você nunca tenha ouvido falar dela, mas trata-se de algo importante para os astrobiólogos, cientistas que estudam e buscam por vida em outros planetas. Tudo porque a fosfina – composto feito de três moléculas de hidrogênio ligadas a uma de fósforo – também pode funcionar como uma bioassinatura. Faz sentido: na Terra, a fosfina só costuma dar as caras naturalmente onde existem formas de vida anaeróbicas – ou seja, microrganismos que não precisam de oxigênio para viver. 

A principal suspeita dos cientistas, seguindo essa linha, é que a fosfina da atmosfera de Vênus também tenha sido produzida por seres vivos. Segundo argumentam no novo estudo, publicado na revista científica Nature Astronomy, não há chances de que não tenha origem biológica, levando em conta os processos químicos conhecidos atualmente. 

A quantidade de fosfina encontrada na atmosfera do nosso vizinho de Sistema Solar é relativamente pequena: a cada bilhão de moléculas que vagam pela região analisada do céu de Vênus, apenas 20 são do composto. Mas essa concentração, segundo os cientistas, não dá brechas para qualquer outra explicação. De acordo com o grupo, a taxa é alta demais para vir de uma fonte não viva, mesmo se os supostos micro-organismos de Vênus tenham 10% da eficiência que micróbios da Terra possuem ao produzir fosfina. 

“Se isso for realmente confirmado, vai ter uma dupla importância. Primeiro, vai ser a primeira detecção de vida fora da Terra, uma coisa espetacular”, disse à SUPER, Marcelo Borges, astrofísico do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, que pesquisa planetas com potencial astrobiológico. “Segundo, vai mostrar que a vida, na realidade, não está limitada a ambientes similares à vida na Terra, mas pode surgir numa gama mais diversa de locais, incluindo ambientes muito mais extremos, inóspitos”. 

Cientistas testaram eventos como vulcanismo, impacto de meteoros, ou reações causadas pela própria composição química da atmosfera. Nenhum deles teria sido capaz de espalhar tanta fosfina pela atmosfera venusiana. Mesmo assim, não se descarta que algum outro processo químico desconhecido possa estar envolvido. Ele só não é conhecido ainda. 

“Nós não estamos dizendo que encontramos vida em Vênus. Estamos afirmando que detectamos fosfina cuja existência é um mistério. Ela pode ser produzida graças a processos químicos desconhecidos ou por uma possível forma de vida”, reforçaram os pesquisadores durante a conferência que anunciou a descoberta

É por esse motivo que o estudo, apesar de revelador, ainda não serve como uma evidência definitiva de vida extraterrestre. As conclusões que os pesquisadores reuniram se baseiam em formas de vida conhecidas – e, portanto, terrestres. É possível que a química de Vênus, um vizinho sobre o qual ainda temos muito a descobrir, reserve uma explicação não biológica para o fenômeno. “Pode ser que exista uma outra possibilidade. Só que ninguém pensou até hoje. Essa explicação fica em aberto”, diz Borges. 

Portanto, é essencial que, ao tentar entender as chances de vida venusiana, as próximas missões a Vênus deem atenção especial ao que existe quilômetros acima da superfície do planeta. “Sondas ao redor de Vênus podem observar melhor a atmosfera, confirmando a detecção [de fosfina] e encontrando outras moléculas que podem ser indicadoras da vida”, diz Borges. A Veritas, missão da Nasa que fará a próxima visita a Vênus, está marcada para acontecer entre 2025 e 2029. Até lá, é provável que cientistas, daqui da Terra, tenham recolhido pistas ainda mais precisas para orientar essa investigação.

Por: Guilherme Eler (Superinteressante).

Água Que Vale Ouro: Uma Oportunidade Para o Brasil

Amazônia: Brasil é um dos países com maior reserva de água doce do mundo (iStock/Getty Images).

A água está cada vez mais escassa. Somos um país rico em água doce - com a maior reserva mundial. Esse é o momento de fazer a retomada verde. 

Em relatório recente, o BlackRock Investment Institute alertou os investidores sobre riscos em seus portfólios decorrentes da escassez de um recurso natural tão precioso quanto subestimado: a água. A recomendação é que os investidores considerem companhias que fazem a melhor gestão do recurso hídrico, evitando prejuízos provenientes da potencial falta de água para a continuidade de suas atividades. O relatório indica que, até 2030, é esperado que uma a cada duas pessoas no mundo viva em locais com estresse hídrico – trazendo graves consequências para a população e para os negócios. 

O Brasil, que tem a maior reserva de água doce do mundo (com 12% do total), precisa participar desde já deste debate. Afinal, não estamos imunes à escassez. Em plena pandemia, Curitiba enfrenta uma das piores crises hídricas de sua história recente, com rodízio de água afetando 1,2 milhão de pessoas. Em Santa Catarina, pelo menos 18 municípios também passaram por racionamento este ano. Em 2014 e 2015, foram o Rio de Janeiro e São Paulo. E, em 2017, o Distrito Federal, para citar alguns casos. Imagine esses cenários daqui a alguns anos, em que a projeção de aumento na demanda por água potável é de 80%, até 2040. Os dados estão num estudo recém publicado pelo Instituto Trata Brasil com a EX Ante Consultoria 

O país construiu o modelo hídrico levando em conta a abundância, embora ela se concentre 80% no Norte do país, o menos povoado. E não se preparou para a escassez em função das mudanças no clima e do desmatamento, que nos conduzem a secas históricas, como a atual no Paraná. Ações de reflorestamento e para manter a floresta em pé são essenciais para proteger nossos mananciais e foco de pressão internacional, de investidores e empresas, como nunca antes. 

Um total de 58% dos municípios brasileiros utiliza mananciais de água superficiais – rios, lagos, represas -, e 42% depende de mananciais subterrâneos como aquíferos, que só deveriam ser acessados em último caso. O desmatamento e as grandes transformações climáticas, somados ao aumento da população, afetam dramaticamente o modelo original de abastecimento – o que é agravado também por questões estruturais e culturais, como a perda de 37% da água tratada com vazamentos e fraudes. Além da lentidão na ampliação do tratamento de esgoto, hoje acessível a apenas 46,3% dos brasileiros. O novo marco do Regulamento do Saneamento Básico nacional, com a abertura para a participação do capital privado, traz novos ares e expectativas para evoluir os serviços de água e esgoto, e universalizar os acessos. 

O grande desafio do Brasil e do mundo é construir um sistema de abastecimento resiliente. Transformação que depende de vários atores e está no centro das discussões de um grupo de CEOS de sete grandes empresas globais, entre elas ABInBev, Cargill, Diageo e Microsoft, desenvolvido em parceria com as Nações Unidas. O objetivo da coalizão é reduzir o estresse hídrico até 2050 e garantir que as fontes sejam sustentáveis e diversas para atender às necessidades de produção e da sociedade. 

No caminho da resiliência, Singapura é um exemplo a ser estudado, porque, apesar de não ter uma única fonte natural de água, aquíferos ou lagos, essa pequena ilha no sudeste asiático dá um show de diversidade de opções em abastecimento. É a escassez impulsionadora de inovação! 

O segredo aprendido arduamente durante a grande seca de 1960 e, mais recentemente, na estiagem nos anos 90, é que cada gota de água importa. Singapura conta com quatro fontes diferentes para garantir água: captação local de água da chuva, importação de água, e dois projetos que envolvem construção de alternativas para reduzir a dependência das extremas condições climáticas. Um de dessalinização e outro considerado o pilar da estratégia de sustentabilidade da água no país, o NEWater. 

Esse é daqueles modelos inovadores e inspiradores que nos fazem acreditar no potencial humano de promover grandes feitos para o bem comum. A chamada “água nova” é parte de um conceito de reuso infinito da água. Água reciclada é a forma considerada mais sustentável de aumentar o abastecimento em todo o país, que já reaproveita de apartamentos, ralos e do que importa da Malásia. E pretende ampliar as opções reaproveitando de indústrias. 

Singapura se adiantou 30 anos em soluções e em novos acordos. Esse é o tempo de gestação e de evolução do NEWater que tem a condução de um órgão do governo federal, a Agência Nacional de Água. Se há um belo aprendizado aqui é que é possível regar um futuro melhor se focarmos na solução de problemas com cadência e seriedade. 

A partir de agora, as novas escolhas devem ponderar sob qual perspectiva olhar nossos grandes problemas. Porque a escassez de água pode ser um risco precificado para investidores, mas também uma oportunidade valiosa. Especialmente para o Brasil, dada sua enorme capacidade hídrica. E essa mudança de visão é que libera ações e recursos com foco em soluções, atraindo inclusive uma massa de investidores cada vez mais preocupada com a sustentabilidade do planeta. Para nós, brasileiros, esse deveria ser o momento de utilizar a natureza como fortaleza para nossa construção de País no longo prazo.

Por: Luciana Antonini Ribeiro (Exame).

O Que Explica a Surpreendente Existência de Ferrugem na Lua?


A Lua não tem atmosfera, ou seja, não tem oxigênio, e por isso o achado de óxido é surpreendente. 

Uma parte da Lua tem traços de ferrugem, embora o satélite não tenha oxigênio. 

Pesquisadores do Jet Propulsion Laboratory (JPL, sigla em inglês de Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa e de universidades americanas encontraram hematita, uma forma de óxido de ferro, nas regiões polares da lua. 

Este óxido requer a presença de água líquida e oxigênio para se formar. 

O óxido na superfície de Marte é o que lhe dá sua cor avermelhada e sugere que o planeta já teve água e oxigênio. 

A Lua não tem atmosfera, ou seja, não tem oxigênio, e prevalece o ferro metálico puro, por isso o achado do óxido é surpreendente. 

Mas os cientistas acreditam ter encontrado o culpado pela oxidação do nosso satélite: o oxigênio da Terra. 

Como isso aconteceu? Amostras lunares trazidas à Terra pelas missões Apollo da Nasa não mostraram sinais da presença de ferro oxidado. 

Mas os pesquisadores analisaram dados do Mapeador de Mineralogia Lunar (M3) projetado pelo JPL e instalado na sonda Chandrayaan-1, da primeira missão lunar da Índia, lançada em 2008. 

A Chandrayaan-1 descobriu água congelada na Lua usando radares e detectou uma variedade de minerais na superfície do satélite. 

As cores azuis mostram a presença de óxido de ferro.
"Quando examinei os dados do M3 nas regiões polares, encontrei algumas características e padrões espectrais diferentes do que vemos em latitudes mais baixas ou nas amostras da Apollo", disse Shuai Li, pesquisador assistente do Instituto de Geofísica e Planetologia (HIGP, por sua sigla em inglês) do Havaí na Escola de Ciência e Tecnologia Oceânica e Terrestre (Soest, sigla em inglês) da Universidade de Manoa. 

"Depois de meses de pesquisa, descobri que estava olhando para a assinatura da hematita", acrescentou Li, também autor principal do estudo, à agência de notícias PA. 

A princípio, Abigail Fraeman, coautora do estudo, não acreditava nessa possibilidade. 

"(As hematitas) não deveriam existir, considerando as condições presentes na Lua", disse Fraeman, de acordo com um comunicado do JPL. 

Oxigênio da Terra

Mas o grupo de cientistas apresentou algumas explicações para o fenômeno. 

A análise dos dados do M3 mostrou que as hematitas estavam mais presentes "no lado próximo à Terra do que no lado oposto", diz o estudo publicado na revista Science Advances no início de setembro [Widespread hematite at high latitudes of the Moon]. 

"Mais hematitas no lado lunar mais próximo sugere que a oxidação pode estar relacionada à Terra", disse o professor Li à PA. 

"Isso me lembrou da descoberta da missão lunar japonesa Kaguya (lançada em 2007) de que o oxigênio da atmosfera da Terra pode ser transportado para a superfície lunar pelo vento solar quando a Lua está na cauda magnética da Terra", afirmou Li. 

Portanto, a hipótese de Li e sua equipe é de que as hematitas lunares se formaram graças a esse oxigênio que viajou continuamente da Terra à Lua nos últimos bilhões de anos. 

"O oxigênio atmosférico da Terra pode ser o principal oxidante na produção de hematitas (na Lua)", disse Li à PA.


A superfície lunar está constantemente sendo atingida por poeira interplanetária. 

Também é possível que a Lua tenha recebido mais oxigênio quando estava mais perto da Terra, uma vez que os dois corpos estão se afastando um do outro há bilhões de anos. 

Papel da água

Os cientistas também encontraram hematita no lado oposto da Lua, uma área que não recebe necessariamente oxigênio da Terra, diz a PA. 

Esta presença de hematita pode ser explicada por "moléculas de água encontradas na superfície lunar", diz a declaração do JPL. 

O professor Li explica que "as partículas de poeira interplanetária que tendem a chegar á Lua podem liberar essas moléculas de água na superfície e misturá-las com o ferro lunar". 

"O calor desses impactos pode aumentar a taxa de oxidação", diz Li. 

Vivian Sun, pesquisadora do JPL e coautora do estudo, acredita que "esses resultados indicam que processos químicos mais complexos ocorrem em nosso sistema solar mais do que eram reconhecidos anteriormente".

Fonte: BBC.

Recursos de Compensação Ambiental Podem Ajudar a Economia no Entorno de Unidades de Conservação

Parque Nacional da Serra da Canastra. Foto: EBC.

Até 2018, R$ 1,74 bilhão já havia sido destinado para áreas protegidas federais em todo o Brasil. Mecanismo ainda depende de ajustes para se tornar mais célere. 

O Brasil conta hoje com aproximadamente 2,4 mil unidades de conservação federais, estaduais, municipais e privadas que servem como refúgios para a biodiversidade nacional e impactam diretamente a economia do país. Fechadas desde março em razão da pandemia do novo coronavírus, aos poucos, algumas áreas protegidas reabrem para atividades científicas, turísticas e de conservação, como o Parque Nacional de Fernando de Noronha, que reabriu em 1º de agosto. No entanto, o que pouca gente sabe é que a maior parte dessas áreas depende de recursos oriundos de compensações ambientais para sua consolidação e manutenção, elaboração de planos de manejo e até mesmo para estabelecer diretrizes para receber visitantes. 

A compensação ambiental é um instrumento jurídico estabelecido pela Lei 9.985/2000, que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O mecanismo impõe aos responsáveis por empreendimentos licenciados e causadores de significativo impacto ambiental a obrigação do desembolso de recursos a serem aplicados na implantação e gestão das unidades de conservação. Até 2018, já havia sido distribuído cerca de R$ 1,74 bilhão para unidades de conservação federais pelo Comitê de Compensação Ambiental Federal. Em junho passado, a União liberou outros R$ 7,3 milhões para a manutenção, conservação e infraestrutura de parques nacionais e outras áreas protegidas, como os parques Serra da Capivara e Chapada dos Veadeiros. 

O uso dos recursos recolhidos por compensação segue a legislação federal e sua regulamentação, podendo ser complementada pelos estados e municípios. Entre as possíveis destinações estão a regularização fundiária de unidades de conservação, com a indenização de desapropriações; a elaboração, revisão ou implantação de planos de manejo; e a aquisição de bens ou contratação de serviços para a gestão ou implantação das unidades. Com exceção de finalidades expressamente proibidas em lei, como custeio de folha de pagamento, há, na maioria dos casos, unidades de conservação que dependem quase que exclusivamente dos recursos da compensação ambiental para manter seu funcionamento. 

“Os estados, os municípios e a União vivem um momento de grande ajuste fiscal. Ao terem acesso ao recurso da compensação para cuidarem das unidades de conservação, esses entes não precisam destinar dinheiro do próprio orçamento para esse fim, podendo direcioná-lo para áreas como saúde, educação, segurança e até mesmo outras frentes relacionadas ao meio ambiente”, afirma a presidente da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), Cristina Seixas Graça, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN). O Ministério Público é responsável por fiscalizar a destinação do dinheiro proveniente da compensação ambiental. 

Apesar da sua relevância para as unidades de conservação, o instrumento da compensação ambiental ainda apresenta diversas controvérsias. O próprio cálculo das compensações devidas pelos empreendedores é alvo de discussão, uma vez que as metodologias em uso contrariam decisão do Supremo Tribunal Federal. “Esse fato, somado às diferentes legislações municipais e estaduais, cria certa confusão no cálculo do valor e na decisão de como a compensação será aplicada. Por envolver diferentes entes, incluindo empresas privadas, o processo torna-se demorado, seja no aporte do recurso a fundos ou na aplicação direta pelo empreendedor”, explica Cristina. 

A importância das unidades de conservação

Unidade de conservação é a denominação atribuída pelo SNUC às áreas naturais passíveis de proteção por suas características naturais. Segundo especialistas, sem elas o Brasil não será capaz de atingir compromissos de sustentabilidade assumidos nos últimos anos em acordos e convenções internacionais, como a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), a Convenção sobre Diversidade Biológica, as Metas de Aichi e o Acordo de Paris. 

A importância das unidades de conservação também se estende ao segmento turístico, que movimenta bilhões de reais anualmente no Brasil somente com o segmento de turismo de natureza. Levantamento realizado pelo ICMBio mostrou que, em 2019, as 137 unidades federais abertas à visitação receberam 15,3 milhões de visitas, um aumento de 20,4% em relação ao ano anterior. “O turismo de natureza no Brasil está diretamente ligado às unidades de conservação, que protegem grande parte do nosso patrimônio natural. Além disso, também possibilita o desenvolvimento socioeconômico de muitas áreas distantes e de difícil acesso, que, se não fosse pela atividade turística, não teriam as mesmas oportunidades”, avalia a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Malu Nunes, instituição que contribuiu com a criação de mais de 130 mil km² de áreas protegidas terrestres e marinhas no Brasil. 

A destinação de recursos via compensação ambiental também pode ser benéfica para a imagem do Brasil em relação ao meio ambiente, principalmente no tocante à Amazônia, bioma que concentra 47% da área total das unidades de conservação do país. “Quanto mais célere e clara for a utilização do instrumento da compensação, mais efetiva será a política ambiental como um todo, incluindo a capacidade do Estado de criar novas unidades e conhecer melhor as que já existem por meio da elaboração de plano de manejo, documento básico para a gestão de qualquer área protegida”, afirma Cristina.

Por: Claudia Leone (EcoDebate).

Cientistas Acham Pela Primeira Vez Plástico em Órgãos Humanos

Usados em recipientes para comidas e bebidas, plásticos comprovadamente entram no trato intestinal.

Em descoberta inédita, pesquisadores americanos detectaram micropartículas plásticas em todas as 47 amostras de tecidos examinadas, de pulmão, fígado, baço e rins. Efeitos na saúde das pessoas ainda são pouco conhecidos. 

Cientistas americanos detectaram pela primeira vez microplásticos e nanoplásticos em órgãos e tecidos humanos, de acordo com um estudo apresentado em 17/08/2020 no congresso virtual de outono da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla em inglês). 

Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, encontraram o material em todas as 47 amostras de pulmões, fígado, baço e rins que examinaram. Eles consideram a descoberta preocupante, ainda que falte informação sobre os efeitos dessas partículas para a saúde humana. 

Eles obtiveram as mostras de um banco de tecidos criado para estudar doenças neurodegenerativas. O método analítico que desenvolveram permitiu que eles identificassem dezenas de tipos de plástico nos tecidos humanos, incluindo policarbonato (PC), tereftalato de polietileno (PET), usado em garrafas plásticas, e polietileno (PE), usado para sacos plásticos. 

Já o bisfenol A (BPA), o composto utilizado na fabricação de plástico e que ainda é usado em recipientes para alimentos, apesar das preocupações com os danos que causa à saúde, foi encontrado em todas as 47 amostras. 

Pesquisas em animais têm associado a exposição a microplásticos e nanoplásticos a infertilidade, inflamações e câncer, mas os resultados para a saúde de pessoas ainda são pouco conhecidos. 

A ACS lembra, num documento sobre a investigação, que a ingestão de partículas de plástico por animais e seres humanos tem consequências ainda desconhecidas para a saúde. 

"Pode encontrar-se plástico contaminando o ambiente em praticamente todos os locais do globo, e em poucas décadas deixamos de ver o plástico como algo muito benéfico para o considerarmos uma ameaça", diz Charles Rolsky também autor do estudo. 

"Há provas de que o plástico está entrando no nosso corpo, mas muito poucos estudos o procuram nele. E neste momento não sabemos se este plástico é apenas um incômodo ou se representa um perigo para a saúde humana", adiantou o pesquisador. 

Vários estudos já mostraram como os microplásticos podem entrar na cadeia alimentar humana. No ano retrasado, uma pesquisa revelou que esse material foi encontrado em quase todas as marcas de água engarrafada. Também naquele mesmo ano, cientistas encontraram o material em fezes humanas. 

"Nunca queremos ser alarmistas, mas é preocupante que estes materiais não biodegradáveis presentes em todos os lugares possam entrar e acumular-se nos tecidos humanos, porque não conhecemos os possíveis efeitos sobre a saúde", adverte Varun Kelkar, outro autor do estudo. 

"Assim que tivermos uma ideia melhor do que está nos tecidos, podemos realizar estudos epidemiológicos para avaliar os resultados de saúde humana", disse ele. "Dessa forma, podemos começar a entender os riscos potenciais à saúde, se existirem." 

Os cientistas definem microplástico como um fragmento de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro. Os nanoplásticos são ainda menores, com diâmetros inferiores a 0,001 milímetro. 

Estudos já mostraram que os plásticos podem passar através do trato intestinal dos humanos, mas os dois investigadores se debruçaram em descobrir se há partículas que se acumulam nos órgãos humanos. 

Os investigadores acreditam que o estudo é o primeiro que examina a existência de partículas de plástico em órgãos de pessoas com um histórico conhecido de exposição ambiental. 

Os doadores de tecidos forneceram informações detalhadas sobre o seu estilo de vida, dieta e exposições ocupacionais, o que pode ajudar a encontrar potenciais fontes e vias de exposição a micro e nanoplásticos, dizem os cientistas.

Fonte: DW.