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Que Embalagem É Mais Verde: Plástico ou Papel?


Especialista recorda: frutas já vêm bem empacotadas pela natureza

Comparado a materiais de origem fóssil, papel parece bem mais ecológico, porém também tem seu custo ambiental. Especialistas aconselham: ainda mais do que reciclar, a meta deve ser combater a cultura do descartável. 

Fazer compras no supermercado envolve uma série de decisões, não só em termos de produtos, mas também de embalagem. Frutas e legumes aparentemente idênticos podem estar acondicionados em papelão ou plástico. É comum se pensar que o papel é melhor para o meio ambiente – mas há motivos para duvidar dessa percepção. 

Num estudo de 2023, Tatiana Sokolova, professora associada da Escola de Economia e Gerenciamento Tilburg, na Holanda, confirmou que os consumidores veem embalagens de papel como "algo fundamentalmente bom": "E é absolutamente verdade que papel é mais fácil de reciclar do que plástico. Mas isso não significa que não implique nenhum custo ambiental." 

O setor de polpa de celulose e papel foi responsável por quase 2% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa em 2022, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), e essa percentagem deverá continuar subindo até 2030. E isso, sem considerar os efeitos do desmatamento. 

E não se trata só da produção: Sokolova lembra que embalagens de papel em geral pesam mais do que plástico, portanto os caminhões emitem mais gases-estufa para transportar os artigos até as lojas. E dá mais um exemplo: "Em média, a gente pensa que os copos de papel são bem inofensivos para o meio ambiente. Mas, claro, para conter líquido, em especial líquido quente, eles têm que ser plastificados. Então são bem difíceis de reciclar." 

Maior parte do plástico não é reciclada 

A produção de matéria plástica a partir de combustíveis fósseis, como o petróleo bruto, gera cerca de 3,5% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) e outros gases danosos ao clima. E das mais de 400 milhões de toneladas métricas produzidas a cada ano, menos de 10% são recicladas

Em muitos casos, o lixo plástico da Europa e dos Estados Unidos é transportado por navio para países do sul global como Sri Lanka, Malásia ou Indonésia. E mesmo que existam instalações para reciclar papel e plástico, o processo não é assim tão fácil. 

"O papelão tende a ser mais reciclável simplesmente porque há instalações para isso em mais locais", comenta Llorenç Milà i Canals, diretor da Iniciativa Ciclo Vital do Programa Ambiental das Nações Unidas. "Enquanto para muitos tipos de plástico – não é um material único – temos muitos polímeros diferentes, e muitos deles não são reciclados em quase lugar nenhum."

Polipropileno, poliestireno, polietileno: estas e outras variedades de plástico são materiais diversos, do ponto de vista químico, e têm seus próprios processos de reciclagem, explica Bethanie Carney Almroth, professora de ecotoxicologia e ciências ambientais na Universidade de Gotemburgo, na Suécia

Um dos métodos mais comuns envolve enxaguar o plástico, fragmentá-lo em pequenos flocos e derretê-lo e fabricar novas pastilhas (pellets) para uso na indústria. "Mas o que a gente tem são esses materiais vindos de várias fontes": analisando plástico reciclado do sul global, Carney Almroth e seus colegas encontraram não só uma miscelânea de substâncias químicas de diferentes plásticos, mas também outros contaminantes, potencialmente perigosos. 

"Coisas como pesticidas, produtos farmacêuticos e aditivos alimentares não são substâncias que deveriam estar no plástico, e definitivamente não deveriam ser empregados em materiais para embalagem de alimentos", enfatiza. 

Há alternativas ambientalmente corretas? 

Papel pode ser fabricado a partir de árvores cultivadas com responsabilidade, colhidas em florestas geridas e replantadas de modo a beneficiar o meio ambiente. Ou ser produzido inteiramente a partir de material reciclado, em vez de virgem. 

Contudo, nem papel nem matéria plástica podem ser reciclados indefinidamente, e às vezes o produto resultante é de qualidade muito inferior ao original, maculado por impurezas como tintas ou contaminantes químicos. Plásticos de milho, açúcar ou resíduos de madeira são também alternativas atraentes, por terem uma pegada carbônica menor. Mas apresentam igualmente problemas. 

"A indústria do bioplástico gostaria que ele fosse visto como a alternativa verde, a solução para a poluição plástica", observa Carney Almroth. "Mas o problema que é às vezes ignorado ou minimizado é que também esses plásticos contêm produtos químicos." 

Substâncias potencialmente tóxicas são adicionadas durante o processo de produção, para estabilizar o plástico ou conferir-lhe determinadas características. Outras podem aparecer como contaminantes ou se formar durante o processamento industrial. 

"Não sabemos o que elas são, porque há bem poucos requisitos de transparência e documentação", e o mesmo pode ser dito das embalagens de plástico, ressalta a ecotoxicóloga. Há ainda outros defeitos, frequentemente ofuscados pelo brilho do que os críticos denominam greenwashing (lavagem verde). Entre eles, a extração das matérias primas, desflorestação, uso da terra e segurança alimentar, pois as safras destinadas aos bioplásticos ocupam terra que poderia estar sendo usada para cultivar alimentos. 

Da reciclagem à reutilização

Com tantos fatores a considerar, não é fácil afirmar definitivamente quem é melhor do ponto de vista ambiental, se papel ou plástico. Porém esse dilema simplesmente mascara a questão supraordenada: uma cultura do descarte fora de controle. 

"Por serem tão baratos, os plásticos são usados em muitos produtos descartáveis, eles não são projetados para serem reutilizados", lembra Sokolova

Em vez de se preocupar com a escolha de um material ou outro, os especialistas sugerem que seria melhor adotar embalagens reutilizáveis, como garrafas de vidro, ou, idealmente, apenas usar menos de tudo. 

"Sempre haverá um jogo de vantagens e desvantagens", diz Milà i Canals, seja nas emissões de gases-estufa, biodiversidade, poluição por microplástico, consumo de água ou incontáveis outros fatores. 

"A escolha realmente importante é se distanciar dos produtos descartáveis e adotar os reusáveis. Ou não usar nenhum produto, onde for possível." Isso inclui evitar os vegetais excessivamente embalados do supermercado, cita o colaborador da ONU: "As frutas já vêm super bem empacotadas pela natureza."

Fonte: DW. Por: Martin Kübler e Sarah Steffen.

Bancos Investiram Quase 7 Tri de Dólares em Fósseis Desde Acordo de Paris


Os 60 maiores bancos do mundo despejaram US$ 6,9 trilhões na indústria de combustíveis fósseis desde 2016, quando o Acordo de Paris entrou em vigor. Somente em 2023, foram US$ 705,8 bilhões (cerca de R$ 3,6 trilhões) investidos, inclusive em empresas que têm planos de expansão da produção com a abertura de novas fronteiras de exploração fóssil. Os dados são do relatório Investindo no Caos Climático (do original em inglês Banking on Climate Chaos), lançado no dia 13/05/2024.

Produzido anualmente por organizações como a Oil Change International e a Indigenous Environmental Network, o levantamento apontou que a economia global segue operando na contramão do que a ciência já demonstrou ser a única forma de cumprir o objetivo do tratado do clima, de limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais: reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% até o final desta década e atingir zero emissões líquidas até 2050. 

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU) já alerta desde 2022 que, para que o planeta tenha uma chance de estabilizar sua temperatura, o uso de carvão mineral precisa cair 95%, o de petróleo 60% e o de gás natural 45% até 2050. Mas, enquanto o mundo quebra recordes sucessivos de temperatura e os eventos extremos – como as enchentes que devastam neste momento o Rio Grande do Sul, no Brasil, e o Afeganistão, apenas para citar dois exemplos – se multiplicam atingindo principalmente aqueles que menos contribuíram para a crise do clima, instituições financeiras seguem abastecendo os principais causadores do problema. 

“Mesmo com o caos climático se intensificando, empresas de combustíveis fósseis estão redobrando seus planos de expansão, enquanto seus executivos e acionistas desfrutam de ganhos extravagantes. Executivos dos bancos também estão lucrando com investimentos sujos em uma escala que envergonha o financiamento para mitigação e adaptação climática”, diz o relatório. 

Enfatizando a necessidade de mudança no rumo dos investimentos globais, o documento cita ainda declaração de Simon Stiell, o secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, de abril deste ano: “Todos os dias, ministros das finanças, CEO's, investidores e banqueiros de desenvolvimento direcionam trilhões de dólares. É hora de deslocar esses dólares da energia e infraestrutura do passado para aquelas compatíveis com um futuro mais limpo e resiliente. E garantir que os países mais pobres e vulneráveis se beneficiem”. 

Os dados do relatório revelam que, dos US$ 705,8 bilhões investidos em empresas fósseis em 2023, quase metade (US$ 347,5 bilhões) foi destinada a empresas que pretendem expandir sua produção abrindo novas fronteiras de exploração. Do total de US$ 6,9 trilhões direcionados à indústria fóssil entre 2016 e 2023, US$ 3,3 trilhões foram parar em empresas que têm planos de expansão. No topo do ranking de bancos investidores em fósseis está o americano JP Morgan Chase, que saltou de U$$ 38,7 bilhões em 2022 para US$ 40,9 bi no último ano. O segundo lugar é do megabanco japonês Mizuho, que passou de US$ 35,4 bilhões em 2022 para US$ 37 bilhões em 2023, subindo quatro posições na lista. 

Em meio às cifras trilionárias, a dimensão da desigualdade pode ser dada pela comparação com as metas de financiamento para a transição energética e a adaptação às mudanças do clima. Quando o Acordo de Paris foi firmado, os países ricos prometeram investimentos de US$ 100 bilhões por ano entre 2020 e 2025. O dinheiro deve ser destinado para apoiar a transição energética e planos de adaptação nos países em desenvolvimento. O montante total em seis anos, de US$ 600 bilhões, é menor do que os bancos investiram em fósseis somente no ano passado – e ainda não foi pago.  

Defendendo que as instituições precisam agir rapidamente para alinhar seu financiamento com a meta de 1,5 ºC e possibilitar uma transição energética justa e equitativa, as organizações que assinam o relatório demandam que os bancos passem a negar imediatamente qualquer financiamento para a expansão de fósseis. 

“Os bancos devem encerrar empréstimos e investimentos para qualquer empresa que esteja expandindo combustíveis fósseis. Essa exclusão deve considerar financiamento de projetos, financiamento corporativo geral e transações de mercado de capitais para qualquer empresa com planos de expansão, independentemente do escopo do projeto de expansão. Esta é a medida mais urgente que os bancos devem tomar para cumprir suas promessas climáticas”, aponta o texto.

Fonte: Observatório do Clima. Por: Leila Salim.

Estudo Sobre Bactérias no Deserto do Atacama Ajuda a Entender Possíveis Formas de Vida Fora da Terra

Vale da Lua, Deserto do Atacama (Chile)

Os microorganismos encontrados em camadas mais profundas do solo do Atacama utilizam uma pedra de gesso como fonte alternativa de água.

A falta de água e de nutrientes em camadas mais profundas do solo no Deserto do Atacama dificulta a presença da vida e de diversidade. Mas pesquisadores descobriram microorganismos que vivem a 420 centímetros abaixo do solo e retiram água de gesso. Os achados podem ser estendidos na compreensão de como e se existe vida em outros ambientes de condições extremas, como Marte

O Deserto do Atacama, no nordeste do Chile, é o deserto mais árido do mundo. Na falta de chuva regular, os microorganismos – a maior parte composta por bactérias – se tornam os principais componentes ecológicos a mediar os fluxos de nutrientes ao usar minerais, sais e gases atmosféricos como fonte de energia. Nesses ambientes, eles são responsáveis por ciclo de nutrientes, formação do solo e preservação da escassa água. 

Cientistas do Chile e Alemanha queriam verificar a diversidade de microorganismo no deserto. Até então, havia poucas pesquisas que exploravam as formas de vida nas camadas mais profundas da terra do Atacama

A partir de testes de DNA comparadas com análises geoquímicas, eles concluíram que, entre 5 e 80 centímetros do solo, a diversidade de microorganismos caia. Em cerca de 100 centímetros de profundidade eles já não conseguiram identificar comunidades. Isso é resultado da ausência de luz solar, matéria orgânica limitada, além de alta salinidade. 

Entretanto, o estudo recém-publicado na revista PNAS Nexus mostrou, pela primeira vez, que esse cenário muda em depósitos de terras deixadas por fluxos de água a 420 centímetros abaixo do solo. Os microorganismos conseguem sobreviver a essa região por usar gipsita (chamada de forma genérica de gesso) como fonte alternativa de água. 

A comunidade de microorganismos encontrada abaixo da superfície é ainda mais diversa do que as encontradas nos sedimentos mais próximos à superfície. 

Os cristais da gipsita são conhecidos por fornecer proteção contra radiação UV, além de conseguir reter líquido nos poros. Enquanto, na superfície, a sedimentação começou a 19 mil anos atrás, os depósitos a 420 centímetros têm cerca de 3,8 milhões de anos. A idade avançada dos depósitos somada à persistência do habitat pode ter contribuído para a seleção de comunidades adaptadas às condições desérticas. Segundo o artigo, ambientes duradouros acumulam membros ativos. 

Uma das evidências de que existiu água líquida em Marte são os depósitos de gipsita no planeta vermelho. Para os autores do estudo recém-publicado, eles também podem indicar que as pedras serviam como fonte de água para as formas de vida que existiam ali. 

“Os dados desse estudo estão nos ajudando a entender se e como a vida pode ter existido em ambientes similares em outros planetas ou luas através do nosso Sistema Solar”, diz o artigo. 

Leia o artigo completo no PNAS Nexus.

Fonte: O Estado de São Paulo. Por: Ramana Rech.

Árvore da Vida das Plantas Revela Potencial Para Identificar Novas Espécies Para Conservação

Projeto contou com cientistas de 27 países e mapeou o DNA de 9.500 espécies de angiospermas, construindo “árvore genealógica” que inclui até plantas consideradas extintas. 

Dos trópicos à Península Antártica, é possível encontrar plantas angiospermas – aquelas que são capazes de produzir flores e frutos. E elas vão mais longe: são 90% da vida vegetal que conhecemos. Em pesquisa produzida por cientistas do Royal Botanic Garden, Kew e recém-lançada na revista Nature, pesquisadores apontam a criação de uma “árvore da vida” das angiospermas. Como numa árvore genealógica, o projeto mapeou como as plantas estão relacionadas através do sequenciamento e análise do DNA de mais de nove mil espécies, identificando as mudanças que se acumularam ao longo dos anos. 

A pesquisa prevê que a “árvore da vida” das angiospermas ajudará em “futuras tentativas de identificar novas espécies, a refinar a classificação das plantas, a descobrir novos compostos medicinais e a conservar plantas diante das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade”, relata José Rubens Pirani, professor e pesquisador do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências (IB) da USP. Esses aspectos se tornam viáveis porque a localização da planta no esquema da “árvore da vida” permite predizer as suas propriedades. 

As informações coletadas terão acesso aberto e livre para a população e a comunidade científica, com o objetivo de democratizar o conhecimento e possibilitar o uso em diferentes áreas. “Abrir os dados para todo mundo e permitir que as pessoas investiguem desde o dado bruto, que é a sequência de DNA, até o mais refinado, que é essa árvore da vida, faz com que qualquer pessoa que queira interagir e construir conhecimento em cima desse trabalho possa fazê-lo”, explica Alexandre Zuntini, biólogo doutor em botânica e pesquisador do Royal Botanic Garden. 

Ao todo, participaram da pesquisa 279 cientistas, de 138 organizações, e 27 países. Do Brasil, colaboraram 16 pesquisadores, seis egressos da USP, entre eles Alexandre Zuntini e José Rubens Pirani. 

Importância para a biodiversidade 

Com 15 vezes mais dados em comparação a qualquer outro estudo da área, os resultados da pesquisa exploram a complexidade da evolução das plantas. A tecnologia usada é capaz de separar o DNA através de magnetismo, método que já foi utilizado até em pesquisas com animais extintos, como mamutes. “Uma das vantagens da abordagem técnica molecular usada pela equipe é que ela permite que uma ampla diversidade de material vegetal, antigo e novo, seja sequenciado, mesmo quando o DNA foi extraído de amostra de planta coletada há um ou dois séculos, e esteja muito danificado – isso possibilitou acessar muitas coleções antigas depositadas nos herbários, os museus botânicos”, conta Pirani. 

O estudo contempla a questão da preservação da biodiversidade de plantas frente a questões ambientais, como as mudanças climáticas. “A gente não vai sobreviver, pensando no mundo com mudanças climáticas [sem as plantas]”. A perda de espécies de angiosperma afeta não apenas os seres humanos, mas todo o bioma comprometido. Por isso, a escolha de medidas a serem tomadas para conservação de uma ou outra espécie faz toda a diferença. “Nós temos que estabelecer prioridades e essa é uma das formas, pensando nas mudanças climáticas e no futuro do planeta”, esclarece Zuntini, destacando que, “se você tem um grupo de plantas que representou, no passado, uma linhagem inteira, e que hoje em dia só é reconhecido por poucas espécies, é importante a gente preservar esse grupo mais do que um grupo amplamente distribuído”.




Entre as amostras de espécies analisadas e sequenciadas, estavam a de uma Arenaria globiflora coletada há aproximadamente 200 anos no Nepal, e de plantas extintas, como a Hesperelaea palmeri, que não é encontrada viva desde 1875. Além de espécies já extintas, foram sequenciados os DNAs de 511 espécies que constam na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). 

A árvore da vida das angiospermas é uma figueira​

Com tanta informação, a “árvore da vida” permite que muitas dúvidas sobre a evolução das angiospermas sejam sanadas, mas também levanta dúvidas sobre assuntos que ainda precisam ser estudados. “Com os dados que nós geramos hoje nós conseguimos então voltar no tempo e encontrar pontos onde as histórias entre os genes estão conflitantes”, relata Zuntini. 

Os pesquisadores, através dos dados, conseguiram chegar a respostas sobre a evolução e disseminação das angiospermas pelo globo. Baseados em 200 fósseis, os cientistas seguiram pela linha do tempo para descobrir que algumas poucas espécies deram origem a mais de 80% das linhagens existentes hoje em dia. No entanto, houve uma queda e estabilização e, há 40 milhões de anos, surgiu uma nova explosão de diversidade, que coincide com a diminuição das temperaturas no planeta. 

Para Zuntini, a “árvore da vida” é uma figueira. “Uma figueira, quando você olha, às vezes os troncos se encostam, se juntam e se separam de novo”, explica o pesquisador, falando sobre a complexidade nas relações entre as plantas, observada no projeto. “Agora, nós começamos a ter dados para testar, e como o nosso trabalho é o primeiro a apresentar dados de centenas de marcadores para milhares de grupos, a gente consegue estudar isso em diferentes escalas”, completa. 

*Com orientação de Luiza Caires e Fabiana Mariz e informações do Royal Botanic Garden.


Crescimento de Veículos Elétricos Derrubará Demanda Por Petróleo


Queda pode chegar a 12 milhões de barris de óleo por dia; Agência Internacional de Energia estima que 50% dos carros vendidos no mundo serão elétricos em 2035. 

O robusto crescimento da frota de veículos elétricos no mundo irá resultar em uma “profunda mudança” no setor de energia na próxima década, com queda considerável da demanda mundial por petróleo para transportes, apontou a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) em relatório lançado no dia 23/04/2024.

O levantamento projeta que 17 milhões de carros elétricos serão vendidos até o final deste ano, um crescimento de 21% na comparação com 2023. No primeiro trimestre de 2024, as vendas cresceram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, igualando em apenas três meses o total vendido em 2020. “Mais de um em cada cinco carros vendidos no mundo este ano deverá ser elétrico, com uma demanda crescente projetada ao longo da próxima década que remodelará a indústria automobilística global e reduzirá significativamente o consumo de petróleo para o transporte rodoviário”, afirmou a IEA. 

O relatório “Perspectivas Globais para Veículos Elétricos”, em tradução livre, é publicado anualmente pela agência. O crescimento previsto para este ano vem na sequência de um aumento recorde nas vendas globais de carros elétricos em 2023, que bateram os 14 milhões (subindo 35% em relação ao ano anterior). O salto de 21% previsto para este ano, apesar de não superar o de 2023, é considerado “muito forte” pela IEA, que vê uma tendência contínua de expansão da frota. 

O levantamento estima, segundo essa tendência, que um a cada dois carros vendidos no mundo será elétrico em 2035, considerando as políticas atuais de incentivo e de corte de emissões de gases-estufa pelos países. Em um cenário mais otimista, caso os países cumpram integralmente seus compromissos climáticos e com a transição energética, dois terços da venda global de carros será elétrica no mesmo ano. 

Nessas condições, a adoção acelerada de veículos elétricos – considerando não apenas o crescimento em carros, mas também em ônibus, caminhões, vans, motocicletas e outros – derrubará a demanda global por petróleo em até 12 milhões de barris por dia. O montante equivale à demanda diária de China e União Europeia somadas. Considerando as políticas atuais, a queda seria de 10 milhões barris ao dia em 2035, o que reduziria as emissões de gases de efeito estufa pelo setor em mais de 2 Gt de CO2 equivalente em relação aos padrões atuais. A figura abaixo projeta a queda na demanda por país e por tipo de veículo em diferentes cenários.

Queda na demanda por petróleo. À esquerda, por países, e à direita, por tipo de veículo. STEPS = políticas atuais; APS = compromissos anunciados; NZE = cenário compatível com zero emissões líquidas em 2050; RoW = outros países; LDV = veículos leves. (Fonte: IEA). Clique no gráfico para ampliar!
 

Segundo Fatih Birol, diretor-executivo da IEA, apesar dos empecilhos de médio prazo em alguns mercados – como a descontinuidade de incentivos às vendas na Europa, a falta de postos públicos para abastecimento nos países do Sul Global e dificuldades no acesso a baterias –, há um crescimento contínuo “evidente” dos carros elétricos. “Em vez de diminuir, a revolução global dos veículos elétricos parece estar se preparando para uma nova fase de crescimento. A onda de investimentos na fabricação de baterias sugere que a cadeia de suprimentos de veículos elétricos está avançando para atender aos ambiciosos planos de expansão dos fabricantes de automóveis. Como resultado, espera-se que a participação desses veículos nas estradas continue a aumentar rapidamente”, afirmou. 

O relatório destacou que a eletrificação segue bastante concentrada na China, na União Europeia e nos Estados Unidos. A agência projeta que 45% dos carros vendidos em 2024 na China serão elétricos. Na União Europeia, a cifra é de 25%. Já nos EUA, a projeção é de que um a cada nove carros vendidos este ano seja elétrico. Mantidas as políticas atuais, em 2030 a China terá uma média de um carro elétrico a cada três, considerados todos os carros que circulam no país. Nos EUA e União Europeia a cifra projetada será de um elétrico a cada cinco carros circulando.

Crescimento das vendas e concentração do mercado na China, UE e EUA. (Fonte: IEA). Clique no gráfico para ampliar!
 

Apesar da forte concentração, países em desenvolvimento como Vietnã e Tailândia têm observado crescimento expressivo em sua frota elétrica. Embora em menor intensidade, a tendência também é verificada no Brasil. No Vietnã, 15% dos carros vendidos hoje são elétricos. Na Tailândia são 10% e no Brasil, 3%. 

Na coletiva de lançamento do relatório, o diretor-executivo da IEA destacou as profundas mudanças no setor energético global diante do “extremo crescimento” da frota elétrica. Birol lembrou que, hoje, a China lidera a demanda global por petróleo para transportes, o que mudará rapidamente com o crescimento da frota elétrica. Segundo ele, a agência espera que o pico da demanda global por petróleo para transportes ocorra já no próximo ano, em 2025. Fica o alerta para os países que apostam em explorar petróleo “até a última gota” esperando enriquecer com exportações.

Fonte: Observatório do Clima. Por: Leila Salim.

Europa Esquenta Mais Rápido Que o Mundo – e recordes alarmam


Seca afetou alguns rios da Europa, como o Gardon, na França

Relatório registra acúmulo de ondas de calor, seca, incêndios florestais e enchentes graves em 2023. Efeitos prejudicam natureza e seres humanos. Fortalecimento de energias renováveis é a boa notícia. 

Os efeitos das mudanças do clima global ficam cada vez mais óbvios, e a Europa não é exceção. Isso comprovam os dados compilados no relatório mais recente do Copernicus Climate Change Service (C3S) e da Organização Mundial de Meteorologia (WMO): foram registrados os três anos mais quentes no continente desde 2020, assim como os dez mais quentes desde 2007.

Ao lado de 2020, 2023 foi o ano europeu mais quente, cerca de 1ºC acima do período de referência, 1991 a 2020. Ao todo, tratou-se de um ano complexo e diversificado, resume o diretor do Copernicus, Carlo Buontempo: "Em 2023, houve na Europa os maiores incêndios florestais já registrados, foi um dos anos mais úmidos, com fortes ondas de calor marinhas e inundações devastadoras em larga escala." 

Ao todo, as chuvas na Europa estiveram cerca de 7% acima do usual, e um terço dos rios apresentou cheias, em parte severas. Cerca de 1,6 milhão de cidadãos foram afetados por enchentes, pelo menos 40 morreram, segundo estimativas provisórias do Banco de Dados Internacional para Catástrofes (EM-DAT). As tempestades fizeram 63 vítimas, incêndios florestais, outras 44. Os eventos meteorológicos e climáticos na Europa provocaram, ao todo, danos de 13,4 bilhões de euros, mais de 80% devido a inundações. 

"A crise do clima é o maior desafio da nossa geração. Os custos das medidas climáticas podem parecer altos, mas os da inação são muito maiores", adverte Celeste Saulo, secretária-geral da WMO.

Enchente na região Karavelovo, na Bulgária
Saúde em perigo, seca e incêndios 

Os cientistas alertam, ainda, para um aumento do impacto dos eventos extremos sobre a saúde humana. O número dos mortos devido ao calor cresceu cerca de 30% nos últimos 20 anos. O ano 2023 na Europa também bateu o recorde de dias com calor extremo – o qual a ciência define como uma sensação térmica acima de 46ºC, quando torna-se indispensável tomar medidas para evitar consequências como a insolação. 

No auge da onda em julho, 41% do sul europeu esteve exposto a calor forte, muito forte ou extremo, com muitos casos de estresse térmico. O termo descreve os efeitos sobre o corpo humano das temperaturas altas, combinadas com fatores como umidade, velocidade do vento, radiação solar e térmica. 

Estresse térmico prolongado pode agravar doenças já existentes, além de elevar a probabilidade de exaustão e insolação, sobretudo em crianças pequenas, idosos e portadores de moléstias preexistentes. Ainda assim, tanto os pertencentes aos grupos de risco quanto parte dos serviços de saúde costumam subestimar os perigos do calor crescente, apontam o C3S e a WMO em seu relatório. 

As temperaturas de 2023 afetaram, ainda, todas as geleiras europeias, que perderam muito gelo, nos Alpes até mesmo em dimensão fora do comum – também pelo fato de, no inverno, a precipitação de neve também ter sido excepcionalmente baixa. Nos últimos dois anos, as geleiras alpinas reduziram seu volume em 10%, indica o serviço Copernicus. 

Esse fato evidencia as conexões entre calor, neve e seca: devido à camada de neve insuficiente, o nível do rio Po, nos Alpes italianos, permaneceu abaixo da média, e essa água fez falta ao norte da Itália, já afligido pela seca. 

Calor e seca também alimentam os incêndios florestais, que em 2023 ocorreram em toda a Europa, consumindo uma área equivalente a Londres, Paris e Berlim juntas. O maior incêndio já registrado na União Europeia foi na Grécia, destruindo uma superfície comparável ao dobro da metrópole Atenas.

Por que tanto calor na Europa?

A Europa é o continente que se aquece com maior velocidade, cerca de duas vezes mais rápido do que a média global. A vice-diretora do Copernicus, Samantha Burgess, atribui a proximidade ao Ártico, cujas temperaturas sobem quatro vezes mais rápido do que no resto do planeta. Maior incêndio florestal já registrado na União Europeia foi na Grécia, em 2023 (foto, clique p/ ampliar!). 

Outro fator seria também a melhora da qualidade do ar na Europa. Esta resulta na presença, na atmosfera, de menos partículas que refletem a luz solar e contribuem para o esfriamento, explica Burgess. 

Em contrapartida, nunca houve no continente tanta energia de fontes renováveis: em 2023 elas foram responsáveis por 43% da geração de eletricidade – contra 36% ainda no ano anterior. As tempestades do outono e inverno proporcionaram energia eólica acima do usual, e os níveis altos de alguns rios possibilitaram mais energia hidrelétrica. 

Apesar de ter sido o segundo ano com mais energia renovável do que de combustíveis fósseis, danosos ao clima, o relatório do C3S-WMO acusa em 2023 uma elevação das emissões de gases do efeito estufa, corresponsáveis pelo aquecimento do planeta. 

O diretor Buontempo considera improvável que os efeitos climáticos prejudiciais vão diminuir, pelo menos no curto prazo. Portanto, acrescenta Burgess, já se pode contar com recordes sucessivos, até que as emissões de gases-estufa atinjam o zero líquido e o clima global se estabilize. A vice-diretora do C3S já antecipa novos recordes de temperatura no próximo verão europeu (junho a setembro), em especial pelo fato de o efeito El Niño ter fim em 2024.

Fonte: DW. Por: Jeannette Cwienk.

A Planta Usada Como Alternativa ao Papel Higiênico na África e nos EUA


Será que o Plectranthus barbatus, popularmente conhecido como boldo, é uma alternativa sustentável aos caros papéis higiênicos no continente africano? Martin Odhiambo, fitoterapeuta do Museu Nacional do Quênia, diz que sim. "Pode ser o futuro papel higiênico." Assim como ocorreu com muitos outros produtos, o preço do papel higiênico aumentou em toda a África. Embora ele seja fabricado no continente, a pasta de papel utilizada na sua produção é, muitas vezes, importada. Martin, especializado em plantas tradicionais, acredita que a resposta ao aumento dos custos já pode existir no continente. "A Plectranthus barbatus é o papel higiênico africano. Muitos jovens hoje em dia desconhecem essa planta, mas ela tem potencial para ser uma alternativa, amiga do ambiente, ao papel higiênico", diz ele. 

As folhas dela são macias, diz Martin, e têm cheiro de menta. A planta é cultivada amplamente em toda a África e ainda é usada em áreas rurais, o que a torna facilmente acessível. As folhas têm tamanho semelhante a um quadrado de papel higiênico industrial, e podem ser usadas em vasos sanitários modernos com descarga. Benjamin, que utiliza Plectranthus barbatus há mais de 25 anos, cultiva a planta no quintal dele, perto de sua casa em Meru, no Quênia. Ele diz: "Aprendi sobre a planta com meu avô, em 1985, e a uso desde então. É macia e tem um cheiro agradável." Mas ela poderia ser usada por mais pessoas? A produção em larga escala ainda é algo distante. 

No entanto, o seu potencial está sendo explorado em outros países. Robin Greenfield, um ativista ambiental nos Estados Unidos, diz que usa folhas de boldo há cinco anos. Robin cultiva mais de cem pés de boldo em seu viveiro na Flórida. Ele compartilha mudas por meio de uma iniciativa que incentiva as pessoas a cultivarem seu próprio papel higiênico. "Há muitas pessoas que associam o uso da planta como papel higiênico à pobreza, mas devo lembrá-los que, quando usam papel higiênico industrial, continuam usando plantas. A diferença é que elas apenas têm uma indústria com elas", diz ele. 

Robin diz que recebeu comentários positivos de pessoas que usaram a planta. Ele diz que são pessoas que valorizam a sustentabilidade do cultivo do seu próprio papel higiênico. "Para quem hesita em experimentar o boldo como papel higiênico, eu diria para abandonar as preocupações sobre o que as pessoas pensam de você. E simplesmente dizer: vou ser eu mesmo. E isso pode significar me limpar com algumas folhas bem macias que eu mesmo planto."

Fonte: BBC. Por: Soo Min Kim.

Stephenson 2-18: A Maior Estrela Conhecida no Universo!

Se você acha que era a UY Scuti a maior estrela ou a VY Canis Majoris, saiba que não, não são. Stephenson 2-18, também conhecida como RSGC2-18 e Stephenson 2 DFK 1 é a líder.


A estrela supergigante vermelha está localizada a cerca de 20.000 anos-luz de distância na constelação de Scutum, no massivo aglomerado estelar aberto Stephenson 2, que contém 26 estrelas supergigantes vermelhas.


Stephenson 2-18 possui 2.150 raios solares, cerca de 1.497.131.000 de km, que é quase maior que a órbita de Saturno. Ela supera outras estrelas, como VY Canis Majoris (1420 ± 120R) e UY Scuti (1708 ± 192R) fácil.


É também uma das estrelas supergigantes mais brilhantes conhecida, com 440.000 vezes a luminosidade solar. Se este monstro for colocado no centro do sistema solar, ela engoliria todos os planetas rochosos, incluindo o maior planeta do Sistema Solar e encostaria na órbita de Saturno.


Fonte: Universo das Galáxias.

Conheça 12 Green Techs Que Estão Ajudando o Brasil a Limpar Seu Impacto Negativo




Levantamento, feito pelo Prática ESG, traz alguns exemplos de empresas em áreas como economia circular, monitoramento de florestas, logística reversa, dessalinização de água do mar, bioinsumos, fitoquímicos, entre outras. Confira... 

Relatórios de consultorias diversas têm apontado para um preocupante cenário: as empresas ainda não estão fazendo o suficiente para conseguirmos brecar as emissões de gases poluentes e evitar o aquecimento do planeta acima de 1,5ºC, o que foi acordado como meta no Acordo de Paris, em 2015, e reforçado na COP 26, em 2021. Além de esforço coletivo corporativo maior do que temos visto, o surgimento e uso de novas tecnologias também tende a ajudar nessa missão. A solução passa pela preservação de florestas, combate ao desmatamento, transição para o uso de energia mais limpa, despoluição e circularidade de produtos. As green techs, como são chamadas as startups que estão atuando nessas searas, são, portanto, parte importante da solução. 

O diferencial dessas empresas de tecnologia está no fato de elas trabalharem com base científica e técnica, como o problema exige. O objetivo final dessa classe é mitigar o impacto humano negativo no meio ambiente em diversos campos, que vão da agricultura à mobilidade urbana passando pela oferta de água potável.

Internacionalmente, há muita inovação sendo desenvolvida. Um artigo publicado no site do Fórum Econômico Mundial, em abril deste ano, assinado pelo professor Philip Meissner, da ESCP Business School, e também fundador e diretor do European Center for Digital Competitiveness, traz alguns exemplos interessantes. 

“No campo da agricultura, a agricultura vertical pode revolucionar a forma como os vegetais são produzidos. A Infarm, por exemplo, com sede em Berlim, usa 99% menos espaço, 75% menos fertilizante e 95% menos água do que a agricultura convencional. A proteína também pode ser produzida de uma maneira muito melhor: a startup suíça Planted produz alternativas de carne à base de plantas (e deliciosas), de kebab a pato à Pequim, com 74% menos emissões de CO². E as diferenças da carne à base de plantas vão ainda mais longe: elas podem liberar 80% das terras agrícolas em todo o mundo usadas para pecuária, que atualmente produz apenas 20% das calorias”, escreve. 

Outra frente grande de atuação são as startups com foco em oferecer soluções sobre clima e relacionadas às mudanças climáticas. Segundo relatório da consultoria e auditoria PwC de 2021, já foram identificadas mais de três mil “climatechs”. Muito dinheiro de investidores está indo para essa área. Entre 2013 e o primeiro trimestre de 2021, US$ 222 bilhões foram investidos em empresas de tecnologia relacionadas ao clima. 

Segundo a auditoria, um total de US$ 87,5 bilhões foram investidos no período que compreende o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2021. Isso representa um aumento de 210% em relação aos US$ 28,4 bilhões investidos nos doze meses anteriores. Só nos primeiros seis meses do ano passado, foram US$ 60 bilhões em investimentos. “A tecnologia climática agora responde por 14 centavos de cada dólar de capital de risco”, apresenta o estudo. 

Outra consultoria, a BCG (ex-Boston Consulting Group), publicou em abril deste ano o relatório “The next 'digital': unlocking US$ 50 billion green tech opportunity”, em que traz que as empresas de tecnologia estão prontas para alcançar “um crescimento revolucionário”. “O crescimento da green-tech é impulsionado pela crescente adoção da transformação do modelo de negócios orientado para a sustentabilidade em todos os setores, criando uma vasta oportunidade de US$ 45 bilhões a US$ 55 bilhões por ano e com expectativa de crescimento de 25% a 30%, ao ano, nos próximos cinco anos”, aponta o estudo. 

No Brasil começam a surgir bons exemplos de empresas de tecnologia que trabalham para ajudar empresas, governos e consumidores nos desafios ESG (social, ambiental e de governança). São exemplos em economia circular, monitoramento de florestas, logística reversa, dessalinização de água do mar, bioinsumos, fitoquímicos, entre outros. Conheça as 12 empresas que o Prática ESG elencou e que estão atuando para proteger, preservar ou restaurar o meio ambiente e o planeta. 

1. Eco Panplas - Economia Circular 

A Eco Panplas promove a reciclagem de embalagens plásticas pós-consumo com tecnologia própria. A recuperação das embalagens se dá por meio da chamada descontaminação ecológica, que não utiliza água, não gera resíduos e tem rastreabilidade. Com isso, leva benefícios socioambientais de impacto para a cadeia produtiva, para a sociedade e o ambiente. A empresa desenvolveu uma tecnologia, e obteve uma patente verde, pela qual separa o óleo residual de embalagens de lubrificantes para veículos e recupera as embalagens para que não seja necessário contar com material virgem. A cada 500 toneladas de produto reciclado, seriam preservados 17 bilhões de litros de água. A empresa também recupera todo óleo residual das embalagens, sem a geração de efluentes e resíduos, completando o ciclo da economia circular e logística reversa. 

2. Umgrauemeio - Monitoramento de incêndios em florestas 

O nome da empresa remete ao Acordo de Paris, a fim de reduzir as emissões globais de gases do efeito estufa para que o aquecimento global não supere 1,5 grau celsius. A greentech Umgrauemeio monitora incêndios florestais diretamente na área desejada, instalando câmeras de alta resolução em torres, onde giram 360 graus em busca de focos de incêndio. Cada câmera possui capacidade de detecção de 15quilômetros sendo que o foco pode ser detectado em apenas três minutos após o início do fogo. Outra câmera é direcionada ao foco e, por meio da triangulação das imagens, a coordenada resultante é indicada. Assim, as brigadas de incêndio são rapidamente acionadas, diferentemente do que ocorre quando o monitoramento é feito por satélite. 

3. Tesouro Verde - Confiabilidade de informações sobre preservação florestal 

O Grupo BMV, com sua vertical Tesouro Verde, uma govtech (SaaS que auxilia estratégias de políticas públicas de sustentabilidade e combate a mudanças climáticas), apresenta uma solução para conservação da biodiversidade em floresta, como estratégia de combate às mudanças climáticas. Por meio de um selo ESG, a startup busca certificar que florestas nativas sejam conservadas, em um processo que envolve o uso de blockchain, que garante a confiabilidade da operação. 

4. Green Mining - Logística Reversa 

Por intermédio de um algoritmo exclusivo, a Green Mining faz o mapeamento de pontos de geração de resíduos pós-consumo. Após identificar uma grande quantidade, instala uma central de recebimento, onde fica armazenado todo o material coletado na região antes de seguir para seu destino final. O material é retirado dos estabelecimentos cadastrados utilizando triciclos, em vez de veículos motorizados. Quando o centro atinge sua capacidade, o material é enviado para usinas e empresas de reciclagem. Segundo a startup, o material é pesado em cada etapa do processo e registrado no sistema a fim de garantir que tudo que foi coletado seja corretamente destinado. Nesse processo de rastreabilidade, a empresa adota a tecnologia blockchain. 

5. Biosolvit - Reúso de rejeitos da indústria de palmito 

A empresa utiliza resíduos de diversas origens como matéria-prima, ao transformá-los em novos produtos, sendo então reaproveitados em um novo ciclo, em sintonia com a ideia de economia circular. De acordo com a empresa, numa fábrica de palmito, apenas 3% das palmeiras são aproveitados. Com o rejeito, criou uma linha de produtos para o cultivo de plantas. Também desenvolveu equipamentos para contenção de vazamentos de óleo, capazes de devolver o produto recolhido para a refinaria, e ainda atua no tratamento de águas contaminadas. 

6. Biotecland - Agrobiotecnologia com microalgas 

A Biotecland adota soluções de biotecnologia para serem aplicadas na lavoura como forma de agricultura regenerativa. A startup desenvolveu um biofertilizante que contém microalgas, que conseguem absorver mais CO², ajudando no combate de pragas e trazendo mais resistência às plantas. A Biotechland também promete maior produtividade com a utilização do seu biofertilizante. Isso porque, além de comprar os insumos, o produtor pode também optar por fabricar suas próprias microalgas, utilizando a consultoria e a tecnologia da startup. 

7. Treevia - Monitoramento florestal e de pegada de carbono 

Atuando desde 2016 em soluções para o monitoramento remoto de florestas, a Treevia Forest Technologies também pretende ampliar suas atividades para a mensuração de conservação das florestas e da pegada de carbono. A startup já possui tecnologias que permitem o controle de inventário florestal, performance de florestas e acompanhamento de pesquisas em tempo real. Além disso, recentemente, a startup esteve entre sete iniciativas selecionadas pelo Land Innovation Fund, da Cargill, que vai destinar R$ 4,5 milhões para projetos que visam fomentar a sojicultura sem desmatamento. A proposta da Treevia, em parceria com a empresa GSS Carbono e Bioinovação, pretende entregar uma solução que remunere propriedades do cerrado por serviços ambientais realizados, com base em mapeamento de dados florestais, que utilizam a tecnologia da Treevia. 

8. Natcrom - Fitoquímicos 

Criada em 2020, a Natcrom Soluções Sustentáveis trabalha com economia circular, fazendo o reaproveitamento de resíduos agroindustriais para a fabricação de ativos botânicos, ou seja, de extratos que podem ser utilizados por indústrias farmacêuticas e de cosméticos. Um dos materiais descartados pela agroindústria e reutilizados são os rejeitos da casca da manga. Para que os projetos da startup sejam desenvolvidos, a Natcrom recebe apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fapesp, que apoia pesquisas científicas. 

9. SDW - Água potável e impacto socioambiental

Especialista em projetos de impacto socioambiental voltados a populações de zonas rurais ao redor do mundo, a SDW desenvolveu o Aqualuz, um dispositivo premiado pela ONU para desinfecção de água de cisterna de captação de água de chuva de zonas rurais através da radiação solar. Torna potável a água captada pelas cisternas utilizadas por famílias de baixa renda em regiões remotas. Indicado contra a contaminação microbiológica da água, que causa doenças e mortes em crianças. Dura cerca de 20 anos apenas com limpeza de água e sabão, sem precisar de manutenção externa ou energia elétrica. A startup desenvolve ainda o projeto Sanuseco, banheiro sustentável voltado para regiões semiáridas, sem necessidade de descarga para remoção de dejetos e patógenos. Com o projeto Sanuplant Tecnologia complementar ao Sanuseco, voltada para o escoamento e tratamento do esgoto doméstico. 

10. MUSH - Agroindústria 

A startup Mush vem desenvolvendo pesquisas científicas há três anos para a utilização do micélio, que é uma parte componente de fungos, como matéria-prima biodegradável para a fabricação de produtos de ambientes domésticos e corporativos e embalagens sustentáveis. A startup também está criando soluções de isolamento térmico e acústico utilizando o material, ainda em processo de validação. Desde sua criação, a startup participou de várias chamadas e editais de fomento promovidos por Fundação Araucária, CNPq e SENAI. 

11. SOLUBIO - Bioinsumos 

A startup SoluBio possui uma solução de bioinsumos, o manejo biológico OnFarm, que pode ser produzido nas fazendas, diminuindo a necessidade de compra de defensivos ou outros insumos externos e trabalhando com a regeneração do solo. A startup promete uma economia de custos de até 70% para os produtores de cultivos de milho, soja, café, hortifruti, cana, trigo e algodão que utilizem a solução de bioninsumo. No ano passado, a SoluBio captou R$ 13,5 milhões para a ampliação de suas atividades e chegou a 1,6 milhão de hectares de atuação, abarcando mais de 250 grandes produtores. 

12. Yes, We Grow 

Fundada em 2019 pelo empreendedor Rafael Pelosini, a Yes We Grow tem como objetivo incentivar as pessoas a resgatarem o hábito de ter hortas em suas próprias casas. A startup vende kits orgânicos de brotos e mudas, pequenas caixas com sementes que desabrocham em até 20 dias, e vasos autoirrigáveis sem uso de terra. A palavra de ordem é facilidade.

Por: Italo Bertão, Cláudio Marques e Naiara Bertão. Fonte: Valor Econômico.

O Negacionismo Nuclear





Usinas de Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro.

O negacionismo do atual desgoverno está presente em vários atos e atitudes de seus membros, em particular do presidente da República. O termo negacionismo é o ato de negar fatos, acontecimentos, e evidências científicas. Tal estratégia tem sido utilizada para a formação de uma governamentalidade (definição dada pelo filósofo francês Michel Foucault, como sendo o conjunto de táticas e estratégias usadas para exercer o poder e conduzir as condutas dos governados), e assim criar as próprias verdades. O que acaba dificultando e confundindo a percepção do público em geral, do risco de determinados eventos de grandes impactos e repercussão, como por exemplo, o que tem acontecido com a pandemia do Coronavírus. 

A criação de uma realidade paralela caracteriza-se por negar a própria pandemia, propagandear o uso de remédios ineficazes e questionar a eficácia da vacina. O que contribuiu nestes dois últimos anos para ceifar uma quantidade elevada de vidas humanas. Segundo cientistas, se cuidados básicos tivessem sido implementados pelo Ministério da Saúde para enfrentar a pandemia, um grande número de óbitos seria evitado. 

Outro tipo de negacionismo praticado tem sido o negacionismo nuclear. Com uma campanha publicitária lançada recentemente pela Eletrobras Eletronuclear, o desgoverno federal escolheu exaltar mentiras, distorcer fatos, manipular e esconder dados sobre as usinas nucleares, cujas instalações no país se tornaram uma prioridade. 

O que tem sido constatado após o último acidente nuclear, ocorrido em Fukushima (antes, o de Chernobyl), é que financiadores de “think tanks” (instituições que se dedicam a produzir conhecimento, e cuja principal função é influenciar a tomada de decisão das esferas pública e privada, como de formuladores de políticas) e lobistas defensores da tecnologia nuclear é que as campanhas pró usinas nucleares, estão muito ativas e atuantes, se valendo de desinformação. A falta de transparência é a arma utilizada pelos interesses dos negócios nucleares. 

Negar fatos e evidências científicas, mesmo que elas estejam muito bem explicadas, documentadas é a essência da prática que serve para explicar qualquer tipo de negacionismo, incluindo o do uso de usinas nucleares, que nada mais são do que instalações industriais, que empregam materiais radioativos para produzir calor, e a partir deste calor gerar energia elétrica, como em uma termoelétrica. O que muda nas termoelétricas é o combustível utilizado. 

No caso do uso da energia nuclear, também conhecida como energia atômica, algumas mentiras sobre esta fonte energética são defendidas, disseminadas, replicadas, compartilhadas, e assim, passam a construir verdades que acabam exercendo pressão, com o objetivo de minimizar e dificultar a percepção da população sobre os reais riscos e perigos que esta tecnologia representa, além de caras e sujas, e de ser totalmente desnecessária para o país. 

A política energética atual tem-se caracterizado pela falta de apoio efetivo às fontes renováveis de energia. Ao contrário, o ministro de Minas e Energia proclama como prioritário, a nucleoeletricidade. Insiste em priorizar e promover fontes de energia questionadas, e mesmo abandonadas pelo resto do mundo, caso do apoio ao carvão mineral para termelétricas, e da própria energia nuclear. 

No mundo em que vivemos cada ação praticada, implica em riscos. Assim, precisamos decidir sobre quais são aceitáveis, já que eliminá-los é impossível. Não existe risco zero. 

A ocorrência de um acidente severo em usinas nucleares é catastrófica aos seres vivos, ou seja, o vazamento de material radioativo confinado no interior do reator para o meio ambiente. É bom que se saiba, que inexiste qualquer outro tipo de acidente que se assemelha a radioatividade lançada ao meio ambiente, e suas consequências e impactos, presentes e futuros. 

No caso de usinas nucleares, onde reações nucleares com material físsil produz grande quantidade de calor concentrada em um espaço pequeno, no núcleo do reator, maiores são as consequências de qualquer anomalia acontecer, e se tornar uma catástrofe. Quanto maior a complexidade do sistema, mais elementos interagem entre si, e maiores são as chances de acidentes, mesmo com todos os cuidados preventivos. Neste caso, existe a possibilidade concreta de se cumprir a Lei de Murphy, segundo a qual “se uma coisa pode dar errado, ela dará, e na pior hora possível”.

Eis algumas mentiras que são propagadas, e que são motivadas pelas consequências políticas e econômicas que representam, e que merecem os esclarecimentos devidos: 

A energia nuclear é inesgotável, ilimitada 

As usinas nucleares existentes no país, e as novas propostas, utilizam como combustível o urânio 235 (isótopo do urânio encontrado na natureza). Este tipo de urânio, que se presta a fissão nuclear, é encontrado na natureza na proporção, em média, de 0,7%. Todavia é necessária uma concentração superior a 3% para ser usado como combustível, assim é necessário enriquecê-lo, aumentando o teor do elemento físsil. Pode-se afirmar que haverá urânio 235, suficiente para mais 30-50 anos, a custos razoáveis, para atender as usinas nucleares existentes. 

A energia nuclear é barata 

É muito mais cara do que nos fazem crer, sem contar com os custos de armazenagem do lixo radioativo, e o desmantelamento/descomissionamento no fim da vida útil da usina (custa aproximadamente o mesmo valor que a de sua construção). Logo, o custo do kWh produzido é próximo, e mesmo superior ao das termelétricas a combustíveis fósseis. E sem dúvida, acontecerá o repasse de tais custos para o consumidor final. 

A taxa de mortalidade de um desastre nuclear é baixa 

O contato de seres vivos, em particular de humanos com a radiação liberada por uma usina nuclear, tem efeitos biológicos dramáticos, e vai depender de uma série de fatores. Entre os quais: o tipo de radiação, o tipo de tecido vivo atingido, o tempo de exposição e a intensidade da fonte radioativa. Conforme a dose recebida os danos às células podem levar um tempo. Podem ser, desde queimaduras até aumento da probabilidade de câncer em diferentes partes do organismo humano. Portanto, em casos de acidentes severos já ocorridos, o número de mortes logo após o contato com material radioativo não foi grande; mas as mortes posteriores foram expressivas, segundo organismos não governamentais. Nestes casos a dificuldade de contabilizar a verdadeira taxa de mortalidade é dificultada pela mobilidade das pessoas. Pessoas que moravam próximas ao local destas tragédias, e que foram contaminadas, se mudam, e a evolução da saúde individual, fica praticamente impossível de se acompanhar. 

O nuclear é seguro 

Embora o risco de acidente nuclear seja pequeno, é preciso considerá-lo, haja vista que já aconteceu em diferentes momentos da história, e possui consequências devastadoras. Um acidente nuclear torna a área em que ocorreu inabitável. Rios, lagos, lençóis freáticos e solos são contaminados. Esse tipo de acidente ainda ocasiona alterações genéticas em seres vivos. 

O uso da energia nuclear está em pleno crescimento no mundo 

Esta é uma falácia recorrente dos que creditam a esta tecnologia um crescimento mundial. Vários países têm criado dificuldades para a expansão de usinas, e mesmo abandonando a nucleoeletricidade. Como exemplos temos a Alemanha, Áustria, Bélgica, Itália, Portugal, …. E em outros países o movimento anti usinas nucleares tem crescido entre a população, como é o caso da França e Japão. 

A energia nuclear é necessária, é inevitável 

No caso do Brasil, as 2 usinas existentes participam da matriz elétrica com menos de 2% da potência total instalada. E mesmo que as projeções governamentais apontem para mais 10.000 MW até 2050, assim mesmo, a contribuição da nucleoeletricidade será inferior aos 4%. A energia nuclear não é necessária no Brasil que detém uma biodiversidade extraordinária e fontes renováveis em abundância. 

A energia nuclear é limpa 

Por princípio não existe energia limpa, e sim as sujas e as menos sujas. No caso da energia nuclear ela é classificada de suja, pois é responsável por emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo do combustível nuclear (da mineração a produção das pastilhas combustíveis), e produz o chamado lixo radioativo. O lixo é composto por tudo o que teve contato com a radioatividade. Logo, entra nessa categoria: resíduos do preparo das substâncias químicas radioativas, a mineração, o encanamento através do qual passam, as vestimentas dos funcionários, as ferramentas utilizadas, entre outros. Parte deste lixo, por ser extremamente radioativo, precisando ser isolado do meio ambiente por centenas, e mesmo milhares de anos. Não existe uma solução definitiva de como armazená-lo. Um problema não solucionado que será herdado pelas gerações futuras. 

O nuclear resolve nosso problema energético, evitando os apagões e o desabastecimento 

Contribui atualmente com 2% da potência total instalada no país, podendo chegar a 4% em 2050, caso novas usinas sejam instaladas. O peso das potências total instaladas, atual e futura, na matriz elétrica é muito inferior ao potencial das alternativas renováveis (por ex.: Sol e vento) disponíveis. Logo, a afirmativa de que a solução para eventuais desabastecimentos de energia pode ser compensada pela energia nuclear é uma mentira das grandes. 

O que está ocorrendo no país, caso prossiga a atual política energética nefasta, no sentido econômico, social e ambiental, é um verdadeiro desastre que deve ser evitado. 

Para saber mais sugiro a leitura dos livros:

Por um Brasil livre das usinas nucleares - Chico Whitaker 

Bomba atômica pra quê? - Tania Malheiros

E os artigos de opinião: 

Energia nuclear é suja, cara e perigosa - Chico Whitaker

O Brasil não precisa de mais usinas nucleares - Ildo Sauer e Joaquim Francisco de Carvalho

Porque o Brasil não precisa de usinas nucleares - Heitor Scalambrini Costa e Zoraide Vilasboas

Insegurança na usina nuclear de Angra 3 - Célio Bermann e Francisco Corrêa.



Por: Heitor Scalambrini Costa (EcoDebate).

As Plantas Conversam Entre Si: Isso Não É Ficção, É Ciência

Guarde esse nome: rizosfera. É aí que tudo acontece e onde está focada a pesquisa de cientistas brasileiros realizada por Embrapa e USP. 

No filme “Avatar”, de 2009, dirigido pelo norte-americano James Cameron, sucesso na época que se tornou um símbolo cult, os organismos conversam entre si. A cena da comunicação entre as árvores se tornou icônica e simboliza uma área do conhecimento que extrapola a ficção. Porque é justamente o contrário: a ficção veio depois da realidade. Foi o trabalho pioneiro da ecologista Suzanne Simard, da Universidade da Columbia Britânica que ajudou o cineasta a colocar nas telas a sua arte. As plantas conversam entre si: isso não é ficção, é ciência. 

No Brasil, essa realidade científica passa pelos corredores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em parceria com a Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Um bioensaio realizado pela universidade e a unidade Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), envolveu plantas de trigo no qual os pequisadores mostram que elas se “comunicam” com microorganismos benéficos que envolvem suas raízes para terem acesso a mais nutrientes do solo e obterem maior proteção contra doenças fúngicas. 

Os experimentos ocorreram ao longo de 2021, com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), foram apresentados em outubro, durante o Simpósio Internacional “Avances en el mundo de Microbiomas”, da Universidad San Francisco de Quito, e devem continuar. O próximo passo para mapear essa comunicação será analisar o impacto da invasão de fungos e bactérias benéficas na montagem das comunidades bacterianas e fúngicas da rizosfera para entender os padrões e correlações entre a estrutura do microbioma da rizosfera, com o solo, a diversidade do microbioma e o estabelecimento do inoculante benéfico. 

Plantas de trigo do bioensaio realizado pela Embrapa e USP.


Para quem não sabe o que é rizosfera, anote: é a região do solo influenciada pelas raízes das plantas. Os pesquisadores querem, com novos experimentos, entender os padrões e relações que se estabelecem entre um microbioma, o solo e bactérias benéficas eventualmente inoculadas. Explicando em detalhes: sabendo que o microbioma da rizosfera fornece serviços ecológicos, incluindo nutrição e proteção contra doenças, os cientistas foram observar se as plantas de trigo mudariam o padrão da exsudação da raiz (aquele líquido que sai dos poros de uma planta ou um animal, e adquire consistência viscosa) para acessar os recursos fornecidos por esses microrganismos antagônicos, no caso de uma infecção por um patógeno transmitido pelo solo, o fungo Bipolaris sorokiniana. Os patógenos são organismos capazes de causar doenças em um hospedeiro. 

Os cientistas testaram o impacto de três bactérias benéficas – Streptomyces, Paenibacillus e Pseudomonas –, antagônicas ao patógeno, no início da doença, para entender como a planta hospedeira e os micróbios benéficos se comunicam para afastar o patógeno da rizosfera. “Testamos a inoculação independente dos três isolados bacterianos em mudas de trigo inoculadas ou não com o fungo patógeno. O índice de severidade foi o mais alto (93%) em plantas inoculadas exclusivamente com o patógeno (tratamento controle)”, explica Helio Quevedo, da Esalq/USP. “Em plantas inoculadas com a bactéria antagonista e com o patógeno, o índice de severidade variou de 50 a 62%, mostrando uma diminuição significativa na incidência da doença em comparação com o controle tratamento.” 

Diversidade microbioma é boa para o planeta 

Em outro estudo, os cientista avaliaram a diversidade do microbioma da rizosfera e seu impacto na proteção da planta de trigo inoculada com o patógeno de raiz Bipolaris sorokiniana e com um inoculante bacteriano antagonista – Pseudomonas. Utilizando uma técnica chamada “diluição à extinção”, os pesquisadores “diluíram” a diversidade microbiana de um solo natural e, além do solo natural, usaram tratamentos com um gradiente de solo diluído e também autoclavado. 

A inoculação resultou em maior altura de planta e massa seca de raiz, principalmente em tratamentos com o solo natural para a altura, mostrando o potencial de promoção do crescimento deste inoculante. Este inoculante também promoveu a proteção da planta nos tratamentos onde o patógeno foi introduzido. 

Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, explica que o microbioma da rizosfera oferece à planta hospedeira funções benéficas, incluindo absorção de nutrientes, tolerância ao estresse abiótico – onde há ausência de vida – e defesa contra doenças transmitidas pelo solo. Por exemplo, durante uma invasão de patógeno fúngico do sistema radicular, famílias bacterianas específicas e com certas funções são enriquecidas na rizosfera e ajudam a prevenir a infecção das plantas pelo patógeno. 

Conforme Caroline Nishisaka, da Esalq, o índice de gravidade da doença foi maior em todos os tratamentos que receberam o fungo patógeno Bipolaris sorokiniana, principalmente no solo mais “diluído”, mostrando que é mais destrutivo em solos com baixa diversidade microbiana, onde o inoculante antagonista também é mais eficaz na proteção a planta.

Por: Vera Ondei. Fonte(s): Forbes Agro / Embrapa.

Nem do Oceano Nem da Amazônia: De Onde Vem o Oxigênio Que Respiramos?


É comum ouvir que o oxigênio que respiramos vem do oceano ou das florestas tropicais. No entanto, o biólogo espanhol Carlos Duarte, uma das autoridades máximas da vida oceânica, diz que essa afirmação não possui respaldo científico. 

 De onde vem o oxigênio? 

“No oceano, assim como nos ecossistemas terrestres, a maior parte do oxigênio produzido é consumido pelos próprios organismos do sistema, tanto no caso das cianobactérias como no caso da Amazônia, em que o balanço do oxigênio é quase neutro”, explica Duarte. 

“A fotossíntese produz oxigênio, mas toda a cadeia trófica e os micro-organismos o consomem, de forma que o balanço é de quase zero”, continua. Isso significa que as grandes quantidades de oxigênio geradas nos oceanos e florestas são consumidas pelos mesmos organismos que as geram. 

Então, de onde vem o oxigênio que respiramos? “O oxigênio que está presente na atmosfera vem do evento da ‘Grande Oxigenação’, que ocorreu como o desenvolvimento da fotossíntese, há milhões de anos, e é esse oxigênio que continua sendo o legado que encontramos na atmosfera e que mantém nossa respiração”, afirma o especialista. 

Trata-se de um processo que ocorreu há aproximadamente 2,4 bilhões de anos, pela proliferação de bilhões de cianobactérias. Muito mais tarde, há cerca de 600 milhões de anos, o processo teve outra fase, que completou a configuração atmosférica que conhecemos. 

Além disso, Duarte afirma que, se todos os combustíveis fósseis da Terra fossem queimados, a enorme massa de oxigênio não diminuiria nem 3%. “A reserva de oxigênio na atmosfera é tão enorme, que se pudéssemos fazer uma experiência mental de apagar a fotossíntese, sem haver nova produção de oxigênio na biosfera, poderíamos continuar respirando, não somente nós, humanos, mas todos os organismos do planeta, durante três mil anos ou mais”.

Fonte: History.